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Correias & Polias VI

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Tópicos: Correias Planas × Correias Trapezoidais | Seleção de Correias - Fatores de Serviço |


1) Correias Planas × Correias Trapezoidais

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No início da era industrial, as correias planas eram extensivamente usadas. O material dessas primeiras correias era quase sempre o couro, para o qual se considerava um coeficiente de atrito de 0,32 com polias de ferro fundido. Alguns outros dados relacionados são:

• massa específica do couro ≈ 0,035 lb/in3
• tensão da correia em repouso ≈ 172 psi
• largura da polia não maior que 150% do diâmetro
• velocidade recomendada ≈ 4250 ft/min

Por volta da década de 1930, as correias trapezoidais (ou V) passaram a substituir as planas na maioria dos acionamentos. A vantagem básica já foi discutida no tópico Atrito para Correia de Seção Trapezoidal: o efeito de cunha da correia na polia multiplica o coeficiente de atrito pelo inverso do seno do ângulo de inclinação da face lateral. O resultado é um significativo ganho de capacidade, proporcionando conjuntos mais compactos, com menor nível de ruído e menores cargas nos mancais, se comparado com as correias planas.

Entretanto, as correias trapezoidais não têm só vantagens. Há também, em relação às planas, alguns aspectos negativos que não chegam a comprometer o uso na maioria dos casos. A seguir, algumas dessas desvantagens.

• Correias trapezoidais são quase sempre fornecidas em comprimentos padronizados. O material das correias planas pode ser fornecido em rolos e elas podem ser fabricadas no local em qualquer comprimento.

• O aumento de comprimento com o uso das correias em V é normalmente maior que o das planas.

• Alinhamento das polias é mais crítico no caso de correias trapezoidais.

• O efeito da força centrífuga (tendência de afastar a correia da polia) é mais pronunciado na trapezoidal devido à maior espessura. É um fator limitante para velocidade.

• Também devido à maior espessura, o efeito da flexão é mais pronunciado nas correias trapezoidais.

Por esses e outros motivos, as correias planas ainda são usadas em alguns casos, em especial para elevadas velocidades de operação.


2) Seleção de Correias - Fatores de Serviço

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Conforme visto em tópicos anteriores, a operação de uma correia é dependente de uma série de parâmetros e as equações não formam um sistema de uma única solução. A mesma utilização pode ser atendida por diferentes combinações de número de correias, diâmetros de polias e outros. Portanto, o processo de escolha de uma correia para determinada aplicação envolve normalmente a análise de diversas soluções e a melhor opção é em geral um equilíbrio entre características conflitantes, como durabilidade da correia, custo das polias, espaço físico, etc.

O parâmetro básico inicial para a seleção de correias é normalmente a potência a transmitir. É um dado em geral definido pelo projeto do equipamento. Mas a potência prevista deve ser multiplicada por um fator de serviço de forma a proporcionar uma reserva para esforços na partida e outras imprevisibilidades. A tabela a seguir dá valores usuais para algumas aplicações.

Tabela 2-I
Partida suave (estrela / triângulo), acionamentos hidráulicos, motores de pistão com mais de 4 cilindros, etc. Partida direta de motor elétrico, motores alternativos com menos de 4 cilindros ou condições similares.
Agitadores e misturadores em meios homogêneos, bombas e compressores centrífugos, transportadores de correia c/ cargas distribuídas, ventiladores e similares até 75 kW. 1,0 1,1
Agitadores e misturadores em meios não homogêneos, árvores de transmissão, bombas e compressores de rotativos, equipamentos gráficos, geradores elétricos, máquinas operatrizes, máquinas para madeira, peneiras rotativas, transportadores de correia com cargas localizadas, ventiladores e similares acima de 75 kW. 1,2 1,2
Bombas e compressores alternativos, elevadores, máquinas para borracha, cerâmica ou têxteis, moinhos de martelo, peneiras vibratórias, prensas e guilhotinas, pulverizadores, transportadores para serviço pesado. 1,2 1,4
Britadores e trituradores, moinhos de cilindros, esferas ou rolos. 1,3 1,5
Referências
Beer, F. P. Johnston, E. R. Vector Mechanics for Engineers. McGraw-Hill, 1962.
Bouché, Ch. Leitner, A. Sans, F. Dubbel - Manual da Construção de Máquinas. São Paulo: Hemus, 1979.
Faires, V. M. Elementos Orgânicos de Máquinas. Rio, Livros Técnicos, 1976.
Giek, Kurt. Manual de Fórmulas Técnicas. São Paulo: Hemus.

Topo | Rev: Ago/2018