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Testando conhecimentos
Prova perito (área 3) Polícia Federal 1997 - Questões de língua portuguesa (sem número definido de respostas certas por questão)
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Leia o seguinte texto para responder às questões de 1 a 4 (s linhas difere do original devido à menor largura do texto).
O anônimo
L1 Tão logo o carteiro entregou a correspondência, Eduardo foi em busca daquilo que,
a experiência já lhe ensinara, certamente estaria ali: a carta anônima. De fato, não
tardou encontrar o envelope, àquela altura familiar: o seu nome e endereço escritos
em neutra letra de imprensa, e a nenhuma indicação de remetente (alguns
L5 missivistas anônimos usam pseudônimo. Aquele não fazia concessões: nada
fornecia que pudesse alimentar especulações com respeito à identidade).
Com dedos um pouco trêmulos - a previsibilidade nem sempre é o antídoto da
emoção - Eduardo abriu o envelope. Continha, como de outras vezes, uma única
L10 folha de papel ofício manuscrita em letra de imprensa. Como de hábito, começava
afirmando: "Descobri teu segredo". Nova linha, parágrafo, e aí vinha a acusação.
No presente caso: desonestidade. "Todos acham que você é um homem sério,
correto", dizia a carta, "mas nós dois sabemos que você não passa de um refinado
L15 patife. Você está roubando seu sócio, Eduardo. Há muito tempo. Você vem
desviando dinheiro da firma para a sua própria conta bancária. Você disfarça o
rombo com supostos prejuízos nos negócios. Seu sócio, que é um homem de bem,
acredita em você. Mas a mim você não engana, Eduardo. Eu sei de tudo que você
está fazendo. Conheço suas trapaças tão bem como você."
L20
Eduardo não pôde deixar de sorrir. Boa tentativa, aquela, do missivista anônimo.
Desonestidade na firma, isto não é tão incomum. Com um sócio tão crédulo como
era o Ênio, Eduardo de fato não teria qualquer dificuldade em subtrair dinheiro da
empresa.
L25 Só que ele não estava fazendo isso. Em termos de negócios, era escrupulosamente
honesto. Mais que isto, muitas vezes repassara dinheiro para a conta de Ênio - um
trapalhão em matéria de finanças - sem que este soubesse. Honesto e generoso.
Contudo, como certos caçadores tão pertinazes quanto incompetentes, o autor da
carta anônima atirara no que vira e acertara no que não vira.
L30
Eduardo enganava Ênio, sim. Mas não na firma. Há meses - em realidade, desde
que aquela história das cartas anônimas começara - tinha um caso com a mulher do
sócio: Vera, grande mulher. Claro, não poderia garantir que não sentia um certo
prazer em passar para trás o amigo que sempre fora mais brilhante e mais bem
L35 sucedido do que ele, mas, de qualquer forma, isto nada tinha a ver com a empresa.
Desonestidade nos negócios? Não. Tente outra, missivista. Quem sabe na próxima
vez você acerta. Tente. Tente já.
Sentou à mesa, tomou uma folha de papel ofício e escreveu, numa bela mas
inconspícua letra de imprensa: "Descobri teu segredo."
L40
Moacyr Scliar
01) Para a leitura compreensiva se efetivar, um dos passos essenciais é o
entendimento do vocabulário utilizado. Julgue os itens a seguir,
considerando o sentido das palavras do texto.
(a) O vocábulo concessões (L5) está utilizado denotativamente, com o
sentido de privilégios; da mesma forma, especulações (L6) traz
sentido de negociações.
(b) Contextualmente, antídoto (L8) significa droga, veneno.
(c)
As palavras desonestidade (L13) e pertinazes (L28) estão empregadas
como antônimos de probidade e de volúveis, respectivamente.
(d)
O termo crédulo (L22) apresenta conotações de religiosidade,
significando crente, devoto.
(e)
A palavra inconspícua (L39) tem o significado de ilegível,
indecifrável.
02) Julgue os itens abaixo, evidenciando a compreensão do texto.
(a) O título O Anônimo é, frente ao conteúdo do texto, um emprego
irônico dessa palavra.
(b) O narrador faz suposições acerca da identidade do remetente, ao
registrar, como texto da carta, a seguinte idéia: nós dois sabemos
que você não passa de um refinado patife (L14).
(c) Pelo foco do recebedor da missiva, são comuns casos de desonestidade
profissional, mas tal acusação não de aplica a ele, que se julga um
sujeito absolutamente honesto e generoso.
(d) No sexto parágrafo, fica explícito que Eduardo sentia um complexo de
inferioridade profissional junto a Ênio.
(e) Infere-se do texto que o remetente era o próprio destinatário das
cartas.
03) Com referência à tipologia textual e ao nível de linguagem do
texto, julgue os itens seguintes.
(a) A história acerca das cartas anônimas, conforme contada pelo autor,
apresentando-se na forma de uma narrativa curta, densa, exemplifica o
que é conhecido por conto.
(b) O trecho entre aspas situado nas linhas de 13 a 19 possui várias
marcas de oralidade: registros típicos da língua falada, transpostos
para a língua escrita.
(c) O texto apresenta algumas expressões típicas da linguagem vulgar,
como, entre outras, patife, trapaças, trapalhão.
(d) Os trechos registrados entre aspas no texto estão dispostos na forma
de discurso indireto.
(e) As passagens descritivas são predominantes nos quatro últimos
parágrafos.
04) Moacyr Scliar, consagrado ficcionista brasileiro, tem um estilo de
escrita em que a preocupação com a escolha vocabular e com o ritmo
da frase não turvam o potencial comunicativo do texto. Com base nesse
aspecto, julgue os itens a seguir.
(a) Em Eduardo foi em busca daquilo (L1), o termo sublinhado refere-se ao
que a experiência já lhe ensinara.
(b) Todos os travessões (L8, L26, L31) são empregados para ampliar
e destacar as idéias anteriormente expostas.
(c) O uso de frases curtas ao lado das frases de maior extensão,
principalmente no sexto parágrafo, é um recurso estilístico ligado
ao ritmo da prosa, utilizado para dar densidade ao texto, prendendo o
interesse do leitor.
(d) Ao destacar a figura feminina com Vera: grande mulher (L33), o
narrador dá duas informações, simultaneamente: que ela era valorosa
e também robusta.
(e) Com a passagem Desonestidade nos negócios (L36), o autor usa de um
recurso estilístico denominado apóstrofe.
Leia o texto que se segue para responder às questões de 5 a 7.
José Rainha e a democracia no Brasil
L1 O líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), José Rainha,
foi condenado por um júri popular de Pedro Canário, no norte do Espírito Santo,
a 26 anos e 6 meses de prisão sob a acusação de ter participado de dois assas-
sinatos cometidos durante a invasão de uma fazenda. A pena teve como funda-
L5 mento um inquérito policial militar.
Cumpre ressaltar que quando a pena ultrapassa 20 anos, a lei determina auto-
maticamente a realização de um novo julgamento, já marcado para 20 de
setembro.
L10 Está claro que esta condenação foi meramente política, com o intuito de calar a
grande liderança do maior e mais organizado movimento de massa que se con-
trapõe à atual política governamental no Brasil. A promotoria não tinha sequer
prova de que José Rainha estava presente nos episódios que levaram ao assas-
sinato. Nenhuma testemunha de acusação foi ouvida em plenário.
L15
O julgamento se deu com base em depoimentos colhidos ainda durante a fase
de inquérito, numa repartição militar, sem a presença de advogados dos acusa-
dos. Legalmente, este tipo de depoimento não pode ser levado em consideração.
Nada que incriminasse José Rainha foi demonstrado. Não é à toa que o inquérito
L20 policial civil que também investigou o caso o isenta da acusação.
Este episódio se soma a outros que nos levam a questionar se de fato vivemos
num país democrático. No dia 28 de agosto chegaram à Universidade de Brasília
documentos secretos do Exército brasileiro com investigações sobre a vida de
L25 algumas lideranças de esquerda. O que assombra é o fato de que estas inves-
tigações não pararam na época da ditadura, no meio dos documentos são en-
contrados alguns que datam de 1995.
Neste momento, o povo brasileiro deve dizer não à condenação de Rainha, como
L30 uma forma de exigir justiça e democracia.
05) Evidenciando a compreensão dos dois textos anteriores, com ênfase na
tipologia textual e no estilo utilizados, julgue os itens a seguir.
(a) No primeiro texto predomina a função poética; no segundo, a
função referencial da linguagem.
(b) No segundo texto, distintamente do primeiro, a autora expõe seu ponto
de vista e seus julgamentos acerca dos fatos narrados.
(c) No primeiro texto, a coloquialidade da linguagem é dominante; no
segundo, há uma série de informações vazadas em linguagem
técnica.
(d) O segundo texto é eminentemente dissertaivo.
(e) Nos dois textos, há situações que poderiam desencadear
investigações policiais, mas apenas no primeiro texto é feita
alusão a documentos que poderiam ser objetos de estudos de um perito
criminal.
06) Com referência à semântica utilizada no segundo texto, julgue se
nos itens que se seguem a passagem destacada em negrito equivale à
passagem original do texto.
(a) a lei determina automaticamente a realização de um novo julgamento
(L6) / a realização de um novo julgamento é determinada pela lei,
automaticamente
(b) Está claro que esta condenação foi meramente política (L10) / Que
esta condenação foi meramente política, está clara
(c) Nenhuma testemunha de acusação foi ouvida em plenário. (L14) /
Nenhum testemunho de acusação foi ouvido em plenário.
(d) Legalmente, este tipo de depoimento não pode ser levado em
consideração. (L18) / Este tipo de depoimento não deve ser levado
em consideração, pela lei.
(e) o povo brasileiro deve dizer não à condenação de Rainha, como uma
forma de exigir justiça e democracia. (L29) / como uma forma de impor
justiça e democracia, os brasileiros devem dizer não à condenação
de Rainha.
07) O sistema gráfico da língua escrita estabelece normas para o emprego
de sinais de acentuação, assim como para a utilização dos sinais
indicativos de crase. Julgue os itens abaixo, relativos a tais
aspectos.
(a) Os vocábulos líder, júri, episódio, plenário e país, apesar de
terminarem de maneiras distintas, podem ser agrupados em uma única
regra de acentuação.
(b) A palavra intuito, assim como gratuito, circuito e fortuito, admite
dupla grafia: sem ou com acento na vogal i tônica.
(c) Por serem proparoxítonas, as palavras espírito, inquérito,
exército, política e época são acentuadas.
(d) Está gramaticalmente correta a reescritura do trecho situado nas
linhas 10, 11 e 12 do texto: calar à grande liderança do maior e
mais organizado movimento de massa que se contrapõe a atual política
governamental no Brasil.
(e)
É de uso facultativo o sinal indicativo de crase que aparece na linha
29.
08)
Com relação ao uso correto dos sinais de pontuação, julgue os
itens abaixo.
(a) Este episódio se soma a outros, que nos levam a questionar: de fato
vivemos em um país democrático? No dia 28 de agosto, chegaram, à
Universidade de Brasília, documentos secretos do exército brasileiro
com investigações sobre a vida de algumas lideranças de esquerda. O
que assombra é o fato de que estas investigações não pararam na época
da ditadura; no meio dos documentos são encontrados alguns que datam
de 1995.
(b) Este episódio, somado a outros, nos leva a questionar se de fato
vivemos em um país democrático. No dia 28 de agosto, chegaram, à
Universidade de Brasília, documentos secretos do exército brasileiro
com investigações sobre a vida de algumas lideranças de esquerda:
assombra o fato de que estas investigações não pararam na época da
ditadura, no meio dos documentos são encontrados alguns, que datam de
1995.
(c) Este episódio se soma a outros que nos levam a questionar se de fato
vivemos em um país democrático. No dia 28 de agosto chegaram, à
Universidade de Brasília documentos secretos do exército brasileiro,
com investigações sobre a vida de algumas lideranças de esquerda. O
que assombra: o fato de que estas investigações não pararam na época
da ditadura; no meio dos documentos são encontrados alguns que datam
de 1995.
(d) Este episódio se soma a outros; isso nos leva a questionar: de fato
vivemos em um país democrático!? No dia 28 de agosto chegaram, à
Universidade de Brasília, documentos secretos, do exército
brasileiro, com investigações sobre a vida de algumas lideranças de
esquerda. O que assombra: o fato de que estas investigações não
pararam na época da ditadura! No meio dos documentos são encontrados
alguns que datam de 1995!
(e) Este episódio se soma a outros, que nos levam a questionar se de fato
vivemos em um país democrático; no dia 28 de agosto chegaram, à
Universidade de Brasília, documentos secretos do exército
brasileiro, com investigações sobre a vida de algumas lideranças de
esquerda. O que assombra é o fato de que estas investigações não
pararam na época da ditadura; no meio dos documentos são encontrados
alguns que datam de 1995.
09) Execução de exames periciais em documentos, moedas, mercadorias,
instrumentos utilizados na prática da infração penal, em locais de
crime ou de sinistro, bem como a realização da coleta de dados
necessários à complementação dessas perícias.
De acordo com o texto, julgue os itens a seguir.
(a) O texto está redigido como uma extensa frase nominal.
(b)
Executar exames periciais e realizar coleta de dados são as duas
atribuições de um perito criminal.
(c) Documentos, moedas, mercadorias, instrumentos são os objetos de
análise, no exame pericial.
(d) O espaço de atuação dos peritos é os locais dos crimes ou dos
sinistros, onde ocorrem as infrações penais.
(e) Só serão coletados e utilizados os dados necessários à perícia.
10) Um perito criminal federal deverá executar exames periciais em
documentos, moedas, mercadorias e instrumentos utilizados na prática
da infração penal, em locais de crime ou de sinistro, bem como
realizar a coleta dos dados necessários à complementação dessas
perícias.
A partir dessa estrutura sintática, julgue os seguintes itens.
(a) O período acima está composto por duas orações subordinadas.
(b) Todos os substantivos utilizados são concretos.
(c) O sujeito sintático das orações desse período é indeterminado.
(d) Existem somente quatro adjetivos no período, todos exercendo a
função de adjuntos adnominais.
(e) Não há pronomes de qualquer natureza nesse período.
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