Convecção livre (ou natural)
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Na convecção livre, o fluxo ocorre devido a diferenças de densidades provocadas pelas próprias diferenças de temperaturas. Em vários casos, o coeficiente de convecção α é calculado por:
Tabela 01
| Caso |
Descrição |
Faixa de Gr Pr |
C |
m |
| A |
Cilindro horizontal (comprimento característico é o diâmetro do cilindro) |
1 104 a 1 109 |
0,53 |
1/4 |
| 1 109 a 1 1012 |
0,13 |
1/3 |
| B |
Cilindro e placa vertical (comprimento característico é a altura da placa ou cilindro). |
1 104 a 1 109 |
0,59 |
1/4 |
| 1 109 a 1 1013 |
0,10 |
1/3 |
| C |
Placa horizontal: superfície inferior de placa aquecida ou superfície superior de placa resfriada. |
1 105 a 1 1010 |
0,27 |
1/4 |
| D |
Placa horizontal: superfície superior de placa aquecida ou superfície inferior de placa resfriada. |
1 104 a 1 107 |
0,54 |
1/4 |
| 1 107 a 1 1011 |
0,15 |
1/3 |
#A.1#
A Tabela 01 informa os valores de C e m para alguns casos.
Onde aplicável, as grandezas devem ser tomadas na temperatura média entre a temperatura da superfície e a do fluido. Mas o valor de β deve ser para a faixa da temperatura da superfície até a temperatura do fluido.
Tabela 02
| Situação |
α em W / (m2 K) |
| Placa horizontal com troca de calor para baixo |
1,31 (ΔT)1/4 |
| Placa horizontal com troca de calor para cima |
2,49 (ΔT)1/4 |
| Placa vertical, altura h < 0,30 m |
1,37 (ΔT/h)1/4 |
| Placa vertical, altura h > 0,30 m |
1,77 (ΔT)1/4 |
| Tubo horizontal, diâmetro externo d |
1,31 (ΔT/d)1/4 |
| Tubo vertical altura > 0,30 m, diâmetro externo d |
1,31 (ΔT/d)1/4 |
Para
fluxo de ar, existem algumas fórmulas práticas segundo Tabela 02.
ΔT é a diferença de temperatura entre a superfície e o ar (°C ou K). Diâmetro e altura, onde aplicáveis, em metros.
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| Figura 01 |
Algumas observações sobre
placas e cilindros verticais (caso B da tabela 01):
O comprimento característico d deve ser a altura da placa ou do cilindro.
As fórmulas valem para cilindros verticais se a relação entre o diâmetro D e o comprimento característico d (altura no caso) for:
(D / d) > (35 / Gr1/4) #B.1#
Para os casos de
Gr < 1 104, valores aproximados de Nu podem ser obtidos no gráfico da Figura 01.
Observações sobre
placas horizontais (casos C e D da tabela 01):
No caso D, a ação gravitacional tende a afastar o fluido da superfície e, no caso C, há formação de uma camada estável. Isso resulta em menor transmissão de calor.
Comprimento característico igual a:
d = S / P #C.1#, onde S é a área e P, o perímetro da placa.
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| Figura 02 |
No caso de
dutos verticais, o gráfico aproximado da Figura 02 pode ser usado para alguns tipos:
Curva A: seção transversal triangular eqüilátera.
Curva B: seção transversal quadrada.
Curva C: seção retangular, lado maior 2 x lado menor.
Curva D: seção retangular, lado maior 5 x lado menor.
Uma curva média pode ser usada para seções circulares.
O comprimento característico é o diâmetro hidráulico:
Dh = 4 S / P #D.1[#, onde S é a área da seção transversal e P o seu perímetro.
H é a altura do duto.
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| Figura 03 |
No caso de fluxo entre
duas placas iguais planas verticais, o gráfico da Figura 03 permite obter dados aproximados.
O parâmetro e é a distância entre placas e é considerado o comprimento característico.
O parâmetro H é a altura das placas.
As grandezas físicas para cálculo de Gr e Pr devem ser consideradas na temperatura das paredes T
w.
O valor de β deve ser considerado na temperatura do fluido.
Exemplo de cálculo: conforme corte da Figura 04, a porta de um forno tem uma janela retangular de vidro de largura 1,00 m e altura 0,72 m. Supondo que a temperatura do vidro atinge 230ºC e a temperatura do ambiente é 24ºC, estimar o calor por unidade de tempo transmitido por convecção do vidro para o ambiente.
As temperaturas são:
Tw = 230ºC
Tar = 24ºC
Portanto média
Tm = 127ºC
Nessa temperatura, os valores aproximados para o ar, segundo tabelas, são:
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| Figura 04 |
Condutividade térmica
λ = 0,033 W / (m2 ºC)
Viscosidade cinemática
ν = 2,6 10−5 m2/s
Número de Prandtl
Pr = 0,7
Coeficiente de dilatação volumétrica
β = 0,0025 1/ºC
O comprimento característico é a altura da placa:
d = 0,72 m
Também
ΔT = 230 − 24 = 206ºC
Gr = β g ΔT d3 / ν2
Gr = 2,5 10−3 9,81 206 0,723 / 2,62 10−10
Gr = 2,5 10−3 9,81 2,06 102 3,7 10−1 / 6,76 10−10 = 2,76 109
Portanto,
Gr Pr = 2,79 109 0,7 = 1,95 109
Conforme item C da Tabela 01, usam-se as constantes C = 0,10 e m = 1/3 na fórmula dada. Assim,
Nu = α d / λ = 0,10 (Gr Pr)1/3 = 0,10 (1,95 109)1/3 = 124,9
α = 124,9 0,033 / 0,72 = 5,72 W / (m2 ºC)
E a potência térmica transmitida por convecção deverá ser:
Φ = α S ΔT = 5,72 [W / (m2 ºC)] (0,72 1,00) m2 206 ºC = 848 W
Apenas para comparação, calcula-se agora a transmissão por radiação. É usada a fórmula para a transmissão entre um corpo aquecido e o ambiente:
Φ = S1 ε1 σ (T14 − T24). Onde:
S
1: área do corpo (0,72 x 1,00 = 0,72 m
2 neste caso)
ε
1: emissividade do corpo (vidro), que se considera 0,95
σ: constante de Stefan-Boltzmann (≈ 5,67 10
−8 W/(m
2 K
4) )
T
1 e T
2: temperaturas
absolutas do vidro e do ambiente (cerca de 230+273 = 503 K e 24+273 = 297 K)
Portanto,
Φ = 0,72 0,95 5,67 10−8 (5034 − 2974) = 2247 W
Neste exemplo, o calor transmitido por radiação é significativamente maior que o transmitido por convecção.
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Última revisão ou atualização: Ago/2008
Referências:
BOUCHÉ, Ch; LEITNER, A; SASS, F. Dubbel - Manual da Construção de Máquinas. São Paulo: Hemus, 1979.
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KAVIANY, Massoud. Principles of Heat Transfer. USA: Wiley.
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