Radiação
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Calor é transmitido entre dois corpos em diferentes temperaturas, mesmo sem meio físico entre eles. Essa parcela de transmissão é denominada
radiação térmica, que são ondas eletromagnéticas conforme já mencionado.
A quantidade de calor por unidade de tempo (Φ) emitida por um irradiador perfeito (corpo negro) é dada por:
Φ = σ S T4 #A.1#. Onde:
σ constante de Stefan-Boltzmann ≈ 5,67 10
−8 W/(m
2 K
4) ≈ 0,1713 10
−8 Btu / (hr ft
2 °R
4)
T temperatura absoluta do corpo em kelvin (K)
Para corpos reais, a igualdade anterior tem o acréscimo de um parâmetro:
Φ = ε σ S T4 #A.2#
ε
emissividade do corpo. É uma grandeza adimensional que depende do material, do tipo de superfície e da temperatura. Para o corpo negro ideal,
ε = 1.
Os parâmetros para emissão de radiação térmica são igualmente válidos para a absorção. A tabela abaixo dá emissividade de alguns materiais.
Tabela 01
| Material |
t ºC |
ε |
Material |
t ºC |
ε |
| Aço laminado |
21 |
0,66 |
Granito polido |
21 |
0,85 |
| Aço oxidado |
100 |
0,74 |
Latão fosco |
200 |
0,22 |
| Alumínio bruto |
26 |
0,07-0,09 |
Latão polido |
19 |
0,05 |
| Alumínio polido |
130 |
0,056 |
Latão polido |
300 |
0,03 |
| Alumínio polido |
230 |
0,038 |
Madeira aplainada recente |
21 |
0,90 |
| Asfalto |
4 |
0,97 |
Mármore cinza claro polido |
22 |
0,93 |
| Chapa estanhada |
24 |
0,06-0,09 |
Níquel polido |
230 |
0,07 |
| Chapa de ferro zincada |
28 |
0,23 |
Níquel polido |
380 |
0,09 |
| Chumbo polido |
130 |
0,06 |
Ouro polido |
630 |
0,034 |
| Cobre oxidado |
25 |
0,78 |
Pintura preta |
80 |
0,97 |
| Cobre polido |
23 |
0,05 |
Porcelana lisa |
21 |
0,92 |
| Concreto |
24 |
0,93 |
Prata polida |
230 |
0,02 |
| Cortiça |
21 |
0,70 |
Tijolo vermelho comum |
22 |
0,94 |
| Esmalte branco em chapas |
24 |
0,90 |
Vidro liso |
22 |
0,94 |
| Ferro fundido cinz líquido |
1330 |
0,28 |
Zinco polido |
230 |
0,044 |
| Ferro fundido cinz usinado |
22 |
0,44 |
- |
- |
- |
O calor trocado por radiação entre dois corpos de mesma área e diferentes emissividades e temperaturas pode, em princípio, ser calculado por:
#B.1#
Entretanto, essa fórmula é apenas uma referência. Não deve indicar a realidade porque não considera a forma das superfícies nem a orientação entre elas.
Uma fórmula prática para cálculo da potência térmica trocada por radiação entre dois corpos é dada por:
#C.1#.
Onde:
Φ: calor por unidade de tempo (W)
σ' = 10
8 σ ≈ 5,67 W/(m
2 K
4) = constante de Stefan-Boltzmann × 10
8 (para facilitar o cálculo)
S: área a considerar (m
2)
T
1: temperatura do corpo 1 (K)
T
2: temperatura do corpo 2 (K)
F
s: fator de superfície (adimensional)
F
e: fator de emissividade (adimensional)
A tabela abaixo dá os parâmetros para algumas situações comuns.
Tabela 02
| Situação |
S |
Fs |
Fe |
Ref |
| Superfície 1 pequena em comparação com 2 e totalmente envolvida por esta última (ex: um corpo que irradia para o ambiente) |
S1 |
1 |
ε1 |
#D.1# |
| 1 e 2 são paralelas de áreas e contornos iguais (ou quase), com distância entre si pequena em comparação com a área |
S1 ou S2 |
1 |
 |
#D.2# |
| Superfície 1 é uma esfera de raio r1 no interior de uma esfera concêntrica 2, de raio r2 |
S1 |
1 |
 |
#D.3# |
| 1 é um cilindro de raio r1 no interior de um cilindro concêntrico 2, de raio r2. Os comprimentos são iguais e grandes em relação ao raio r2 |
S1 |
1 |
 |
#D.4# |
Essas fórmulas supõem que: a superfície base (1) é suave e não intercepta sua própria radiação, as características de emissão (#A.2#) são as mesmas da absorção e o meio entre as superfícies não é absorvente.
Exemplo 01: uma garrafa térmica (vaso de Dewar) tem as superfícies espelhadas com prata. Verificar a potência térmica transmitida por radiação por unidade de área considerando as faces com temperaturas de 25 e 85ºC.
São dados:
T1 = 85 + 273,15 = 358,15 K
T2 = 25 + 273,15 = 298,15 K
Da Tabela 01, com aproximação:
ε1 = ε2 = 0,02
Pode ser considerado o caso #D.2# da tabela 02. Portanto,
Fe = (1/0,02 + 1/0,02 − 1)−1 ≈ 0,0101
Usando #C.1#,
Φ/S = 5,67 (3,38154 − 2,98154) 1 0,0101 ≈ 4,9 W/m2
Neste caso, pode-se supor que a transmissão ocorre apenas por radiação porque, no vaso de Dewar, é feito vácuo entre as paredes para evitar a convecção. Em outros casos, essas duas parcelas precisam ser calculadas, como o exemplo a seguir.
Exemplo 02: um trecho de 30 m de tubulação de vapor não isolada tem diâmetro externo de 115 mm e temperatura superficial constante de 150°C. A temperatura do ambiente, também constante, é 21°C. Considerando 0,7 a emissividade da superfície do tubo e 7,95 W/(m
2 °C) o coeficiente de convecção, determinar a perda de calor na tubulação.
São dados ou calculados:
L = 30 m
D = 0,115 m
S = π 0,115 30 ≈ 10,84 m2
Ts = 150 °C = 150 + 273,15 = 423,15 K
Tf = 21 °C = 21 + 273,15 = 294,15 K
(Ts/100)4 ≈ 320,61
(Tf/100)4 ≈ 74,86
ΔT = 294,15 − 423,15 = −129 K (ou −129 °C)
ε = 0,7
h = 7,95 W/(m2 °C)
Segundo fórmula da convecção,
Φconvec = − h S (Tf − Ts) = 7,95 10,84 129 ≈ 11117 W
Para a radiação, usando #C.1# e #D.1#,
Φrad = 5,67 10,84 (320,61 − 74,86) 0,7 ≈ 10573 W
Perda total de calor:
Φ = Φconvec + Φrad = 11117 + 10573 ≈ 21,7 kW
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Última revisão ou atualização: Ago/2008