Sistemas abertos e fechados |
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Em Termodinâmica diz-se que um sistema é fechado se apenas calor e trabalho são trocados com o meio externo. A Figura 01 (a) dá uma idéia gráfica. Num sistema aberto, conforme (b) da mesma figura, além de calor e trabalho, há troca de matéria com o meio externo.
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| Fig 01 |
Para a maioria dos casos práticos, pode-se dizer que há, no sistema aberto, um fluxo de massa de entrada (q
m1) e um fluxo de massa de saída (q
m2).
Esse modelo de sistema aberto é bastante comum na prática. Alguns exemplos são bombas, caldeiras, compressores, turbinas, etc.
É evidente que a primeira lei vale tanto para sistemas abertos quanto para sistemas fechados, mas, nestes últimos, devem-se considerar, além das parcelas de energia interna, calor e trabalho, a energia e o trabalho dos fluxos de entrada e de saída.
Observação sobre símbolos: como de praxe, usa-se aqui a letra Q para calor (ou q, se for por unidade de massa). Vazões (ou fluxos) são também representados com q, mas seguido de um índice, como q
m para a vazão de massa. Para a velocidade, é usado c no lugar de v para evitar confusão com volume ou volume específico. No caso de altura física, emprega-se z no lugar de h para não confundir com entalpia.
Conservação da energia em escoamentos estacionários |
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A Figura 01 deste tópico dá um diagrama genérico de um sistema aberto, com uma entrada e uma saída de fluido, em regime de escoamento permanente ou estacionário (ou seja, as velocidades em cada ponto não variam com o tempo). Conforme já dito no tópico anterior, é o caso da operação típica de bombas, compressores, turbinas a vapor e muitos outros equipamentos.
Sendo μ a massa específica do fluido, para um pequeno intervalo de tempo dt:
Massa que entra d
m1 = μ
1 c
1 S
1 dt.
Massa que sai d
m2 = μ
2 c
2 S
2 dt.
No regime estacionário, a massa de fluido no interior do sistema não se altera. Portanto, d
m1 = d
m2. E vale a conhecida equação da continuidade:
μ
1 c
1 S
1 = μ
2 c
2 S
2 #A.1#.
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| Fig 01 |
Se o fluido é incompressível, μ é constante:
c
1 S
1 = c
2 S
2 #A.2#.
A energia do fluido na entrada 1 pode ser dada pela equação de Bernoulli
p
1 + μ g z
1 + μ c
12 / 2. Dividindo tudo pela massa específica,
p
1 / μ
1 + g z
1 + c
12 / 2. Mas p / μ = p v, onde v é o volume específico (1/μ). Portanto,
p
1 v
1 + g z
1 + c
12 / 2.
As parcelas da equação de Bernoulli se referem a energias de fatores externos, ou seja, energia da pressão, energia potencial e energia cinética. Portanto, a energia total da massa de gás na entrada deve ser a soma dessas parcelas com a energia interna do fluido:
e
1 = u
1 + p
1 v
1 + g z
1 + c
12 / 2.
Ao passar pelo sistema, o fluido recebe (ou fornece) calor q e trabalho w
e (este é o trabalho de eixo, porque o trabalho devido à expansão ou contração pv já está incluso como parcela da equação de Bernoulli). Portanto,
e
1 + q − w
e = e
2.
u
1 + p
1 v
1 + g z
1 + c
12 / 2 + q − w
e = u
2 + p
2 v
2 + g z
2 + c
22 / 2.
q − w
e = Δu + Δpv + Δgz + Δc
2/2. Pela definição de entalpia, h = u + p v. E a igualdade é simplificada:
q − we = Δ (h + gz + c2/2) #B.1#.
Esta é conhecida como
equação da energia para escoamento estacionário. Notar que, em vários casos práticos, a contribuição das parcelas de energia cinética e energia potencial pode ser desprezada, reduzindo a igualdade para
q − we ≈ Δh #B.2#.
Também em vários casos, o processo de bombas, compressores, turbinas pode ser considerado adiabático (q=0), o que simplifica ainda mais:
we ≈ − Δh #B.3#.
Observação sobre trabalho de eixo: o trabalho total do sistema é w = w
e + w
f, onde w
f é o trabalho do fluxo, decorrente da expansão ou contração (pv) do gás entre a saída e a entrada, conforme já mencionado. Notar que não se trata de de um ciclo termodinâmico. Para este último, desde que os estados inicial e final são idênticos, w
f = 0 e, portanto, w = w
e.
Para ondas longitudinais em uma barra elástica, a velocidade de propagação é dada por
c = √(E/μ)
#1.1#, onde E é o módulo de elasticidade e μ a massa específica do material da barra (ver página
Eletromagnetismo IV-20).
Para ondas sonoras no ar é possível chegar a resultado similar, mas uma analogia com essa fórmula também é possível conforme a seguir demonstrado.
O módulo de elasticidade de um material sólido é dado por
E = σ / ε
#2.1#, onde σ é a tensão aplicada (ou melhor, variação da tensão aplicada) e ε a deformação específica, ou seja, a relação entre a variação de comprimento e o comprimento dℓ / ℓ.
Para o ar (ou qualquer outro gás), a tensão σ equivale à pressão e, desde que a pressão atua em todas as direções, a deformação deve ser volumétrica, dv /v, onde v é o volume específico. Portanto, em valor absoluto, o módulo de elasticidade equivalente (que se chama K) pode ser dado por
K = − dp / (dv / v) = − v (dp/dv)
#3.1#. O sinal negativo ocorre porque, no gás, o aumento de pressão diminui o volume.
Substituindo na igualdade anterior da velocidade e considerando que μ = 1/v, chega-se à fórmula para a velocidade do som:
c = √ ( K/μ) = √ [- (1/μ2) dp/dv ] #A.1#.
Mas a propagação de ondas em um gás é em geral considerada um
processo adiabático, o que implica
p v
x = C
ad (constante)
#A.2#, onde p é pressão, v é volume específico e x é a relação de c
p/c
v (calor específico com pressão constante / calor específico com volume constante) para o gás. Portanto,
dp/dv = d (C
ad / v
x) / dv = d (C
ad v
−x) / dv = C
ad (−x) v
−x−1 = p v
x (−x) v
−x−1.
dp/dv = − x p / v. Substituindo em #A.1#,
c = √ (x p / μ) = √ (x p v)
#B.1#.
Usando a
equação de estado para o gás ideal, a fórmula da
velocidade do som em um gás fica simplificada:
c = √ (x Rgas T) #C.1#. Onde:
c: velocidade em m/s.
x: relação c
p / c
v.
R
gas: constante do gás em J/(kg K).
T: temperatura absoluta em K.
Exemplo: a constante universal do gás ideal é R ≈ 8,315 J / (K mol). Para o ar, M ≈ 0,029 kg/mol e x = 1,4. Portanto,
R
ar ≈ (8,315 / 0,029) J / (K kg). Para temperatura 20ºC ou T = 293,15 K, a velocidade do som é
c ≈ √ [1,4 (8,315 / 0,029) 293,15] ≈ 343 m/s ≈ 1235 km/h.
Para o ar, uma fórmula, aproximada e mais simples, é
v ≈ 331,4 + 0,6 t #D.1#. Onde t é a temperatura em ºC e o resultado é dado em metros por segundo.
O
número de Mach (Ma) de um objeto ou de um escoamento é a relação entre a sua velocidade e a velocidade do som. Desde que esta última é dependente da temperatura, na atmosfera por exemplo, uma mesma velocidade pode ter números de Mach diferentes, a depender do local e altitude. A tabela abaixo dá uma classificação comum de velocidades.
| Subsônica: Ma < 1 |
Sônica: Ma = 1 |
Transônica: 0,8 < Ma < 1,3 |
Supersônica: 1,2 < Ma < 5 |
Hipersônica: Ma > 5 |