Ciclo Diesel - Introdução |
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Motores de ciclo Diesel (ou simplesmente motores diesel) operam de forma similar (mas não igual) à dos motores de ciclo Otto, já visto em página anterior.
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| Fig 01 |
Em 01 da figura, o pistão, em movimento descendente, aspira somente ar num processo isobárico (no ciclo Otto é aspirada uma mistura de ar e combustível).
Em 12 há um processo de compressão do ar, que ocorre de forma adiabática por razões idênticas ás do
ciclo Otto.
Em 23 o pistão está no ponto morto superior ou próximo dele e o combustível é injetado de forma atomizada na massa de ar aquecido e comprimido. Nessas condições ocorre a queima do combustível sem necessidade de centelha, mas o processo se dá durante um pequeno intervalo de tempo e pode-se dizer que ocorre de modo aproximadamente isobárico (no ciclo Otto, a combustão é isocórica).
O restante do ciclo tem comportamento igual ao do Otto:
Em 34 ocorre expansão adiabática dos gases aquecidos.
Em 41 há redução de pressão e troca de calor com volume constante.
Em 10 ocorre a exaustão dos gases sob pressão constante.
No aspecto prático, pode-se afirmar que, nos motores Otto, a ignição se dá por centelha e, nos motores Diesel, a ignição ocorre por compressão. Naturalmente, para isso acontecer, os motores Diesel têm taxas de compressão significativamente maiores.
Ciclo Diesel: diagramas e fórmulas |
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As Figuras 01 e 02 deste tópico dão, respectivamente, os diagramas aproximados de pressão x volume e temperatura x entropia do ciclo Diesel.
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| Fig 01 |
Notar que são parecidos com os diagramas do
ciclo Otto. A diferença está na transformação 23, que é isobárica e não sob volume constante (isocórica).
Também de forma similar, não se consideram na análise termodinâmica as transformações 01 e 10 (admissão de ar e exaustão dos gases), ficando o ciclo limitado ao caminho 1234.
O cálculo da eficiência é um pouco mais trabalhoso que o do ciclo Otto porque no trecho 23 há fornecimento de calor e trabalho executado (v não é constante).
Supõe-se-se a primeira lei aplicada a um ciclo genérico, Δu = q − w = 0
#1.1#, porque os estados inicial e final do ciclo são os mesmos.
O calor q deve ser entendido como o calor líquido, isto é, a soma do calor fornecido q
f com o calor cedido ao ambiente q
c (que deve ter sinal negativo). Portanto,
w = q
f + q
c #2.1# e a eficiência é
η = w/q
f = 1 + q
c/q
f #A.1#.
Mas esta fórmula é comumente escrita em termos de diferença η = 1 − q
c/q
f #A.2# porque ambos os valores (q
c e q
f) são considerados números positivos.
Aplicando fórmula #A.1# ao ciclo,
η = 1 + q41/q23 #B.1#.
Para o
processo isobárico 23, q
23 = c
p (T
3 − T
2).
Para a
transformação isocórica 41, q
41 = c
v (T
1 − T
4).
Lembrando a relação x = c
p/c
v e substituindo,
η = 1 + c
v (T
1 − T
4) /c
p (T
3 − T
2) = 1 + (T
1 − T
4) / [x (T
3 − T
2)] = 1 + (T
1/T
2) (1 − T
4/T
1) / [x (T
3/T
2 − 1)]
#C.1#.
Para a
transformação adiabática 12 vale a relação:
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| Fig 02 |
v
1/v
2 = (T
2/T
1)
[1/(x−1)] ou
(T1/ T2) = (v2/ v1)(x−1) #D.1#.
De modo similar ao ciclo Otto, define-se a
taxa de compressão:
r = (v1/ v2) #E.1#. Portanto,
(T1 / T2) = 1/r(x−1) #F.1#.
Para a
transformação isobárica 23 vale v
3/ v
2 = (T
3/ T
2)
#G.1#.
Define-se o parâmetro
taxa de admissão:
a = (v3 / v2) #H.1#. Assim,
(T3 / T2) = a #H.2#.
Para a
transformação adiabática 34, (T
3/ T
4) = (v
4/ v
3)
(x−1). Mas v
4 = v
1 porque 41 é isocórica.
(T
3 / T
4) = (v
1/ v
3)
(x−1) = (v
1)
(x−1) / (v
3)
(x−1). Da igualdade #D.1#, pode-se substituir o valor de v
1:
(T
3 / T
4) = (T
2/T
1) (v
2)
(x−1) /(v
3)
(x−1) = (T
2/T
1) (v
2/v
3)
(x−1) = (T
2/T
1) a
(x−1). Então T
4 = (T
3 T
1 / T
2) a
(x−1).
(T
4 / T
1) = (T
3/T
2) a
(x−1). Mas (T
3 / T
2) = a conforme já visto em #H.2#. Portanto,
(T4 / T1) = ax #I.1#.
Substituindo #F.1#, #I.1# e #H.2# na igualdade da eficiência (#C.1#), obtém-se a
eficiência do ciclo Diesel:
η = 1 + [1/r(x−1)] (1 − ax) / [x (a − 1)] #J.1#.
Desde que o valor absoluto de (1 − a
x) / [x (a − 1)] é maior do que 1, o ciclo Diesel tem uma eficiência menor que a do ciclo Otto para a mesma taxa de compressão r. Entretanto, na prática, a taxa de compressão dos motores Diesel é maior que a dos motores Otto.