Este ciclo termodinâmico foi idealizado pelo engenheiro francês Alphonse Beau de Rochas em 1862. De forma independente, o engenheiro alemão Nikolaus Otto concebeu coisa similar em 1876, além de construir um motor que operava com o mesmo, embora não exatamente igual aos atuais motores.
Motores de ciclo Otto usam combustíveis leves como gasolina, álcool, gás natural. É desnecessário dizer que a principal aplicação está nos automóveis.
A Figura 01 dá uma idéia da operação de um cilindro básico de um motor de ciclo Otto: dispões de 2 válvulas (admissão no lado esquerdo e escape no lado direito) e de um dispositivo de centelha elétrica para ignição (vela). A mistura de ar e combustível é fornecida por um sistema de alimentação (carburador ou sistemas de injeção).
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| Fig 01 |
Em 01, a válvula de admissão está aberta e o movimento do pistão aspira a mistura de ar e combustível. É um processo aproximadamente isobárico.
Ao atingir a posição mais inferior (ponto morto inferior), a válvula de admissão é fechada e o movimento ascendente comprime a mistura (12). Esse processo é aproximadamente adiabático porque a velocidade do pistão é alta, havendo pouco tempo para a troca de calor.
Em 23 o pistão atinge sua posição mais acima (ponto morto superior), quando uma centelha na vela provoca a ignição da mistura. Ocorre, portanto, um fornecimento de calor pela reação de combustão. Desde que esta última é bastante rápida, pode-se considerar que o processo ocorre sob volume constante.
O fornecimento de calor eleva a pressão da mistura, que se expande, forçando o pistão para baixo como em 34 da figura. Pela mesma razão de 12, a transformação pode ser suposta adiabática.
Em 41 o pistão atinge o ponto morto inferior, quando a válvula de escape é aberta, reduzindo rapidamente a pressão do gás. De forma similar a 23, pode-se supor um processo sob volume constante, durante o qual o ciclo cede calor ao ambiente.
Em 10 o movimento ascendente com a válvula de escape aberta remove a maior parte dos gases da combustão e o ciclo é reiniciado quando o pistão chega ao ponto morto superior.
Esse é o princípio de operação do motor de 4 tempos. Há também o arranjo de 2 tempos, que aqui não é demonstrado. O motor Wankel usa, no lugar do pistão e cilindro, rotor e câmara especiais, mas a operação é similar à do motor de 4 tempos.
Ciclo Otto - Diagramas e fórmulas |
Topo | Fim |
De acordo com o esquema de operação visto no tópico anterior, pode-se traçar um diagrama pressão x volume, que deve ser algo parecido com a Figura 01. A Figura 02 dá o diagrama temperatura x entropia.
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| Fig 01 |
Na análise termodinâmica do ciclo ideal, é comum não considerar as etapas de admissão e exaustão dos gases (01 e 10 respectivamente). Assim, o ciclo fica limitado à região 1234 do diagrama.
Desde que os processos 12 e 34 são supostamente adiabáticos, a troca de calor se dá em 23 (calor fornecido) e 41 (calor cedido ao ambiente). São
transformações isocóricas e valem as relações já vistas:
q23 = cv (T3 − T2) #A.1#.
q41 = cv (T1 − T4) #A.2#.
Quanto ao trabalho executado, ele é nulo em 23 e 41 porque são processos sob volume constante. E o trabalho das
transformações adiabáticas 34 e 12 é:
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| Fig 02 |
w = w
34 + w
12 = c
v (T
3 − T
4) + c
v (T
1 − T
2). Pode-se reagrupar a igualdade:
w = cv (T3 − T2) + cv (T1 − T4) = q23 + q41 #B.1#.
Notar que q
41 deve ter sinal negativo porque é calor cedido pelo ciclo.
A eficiência do ciclo é dada pela relação entre o trabalho realizado e o calor fornecido:
η = w / q
23 = (q
23 + q
41) / q
23 = 1 + q
41/q
23.
η = 1 + c
v (T
1 − T
4) / c
v (T
3 − T
2) = 1 + T
1 [1 − (T
4/T
1)] / T
2 [(T
3/T
2) − 1].
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| Fig 03 |
Do tópico
Transformação adiabática, igualdade #C.1#, pode-se concluir que
T
2/T
1 = T
3/T
4 = (v
1/v
2)
(x−1) onde x é a relação c
p/c
v.
Disso resulta que T
4/T
1 = T
3/T
2 e a igualdade anterior da eficiência pode ser simplificada:
η = 1 − T
1/T
2 = 1 − 1 / [ (v
1/v
2)
(x−1) ]
#C.1#.
O termo (v
1/v
2) equivale á relação entre os volumes máximo e o mínimo do interior do cilindro. É comumente denominado
relação de compressão ou
taxa de compressão do motor, que se simboliza com r:
r = (v1/v2) #C.2#. Portanto, a eficiência é dada por:
η = 1 − 1 / r(x−1) #D.1#.
O gráfico da Figura 03 mostra a variação da eficiência com r, para x = 1,35 (valor típico para uma mistura ar e combustível comum). Entretanto, na prática, a taxa de compressão é limitada pela ocorrência de auto-ignição da mistura. Valores reais estão na faixa de 9 a 11. Mesmo com essa limitação, a eficiência real do ciclo é significativamente inferior à calculada por essa fórmula.