Mistura vapor saturado e água |
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Em página anterior foi visto que, na prática, o "vapor saturado" que sai de um gerador (caldeira) é uma mistura de vapor saturado e água. Esta última ocorre normalmente em pequenas proporções. Isso é medido pelo parâmetro χ, um índice de qualidade do vapor.
χ = ms / (ms + ma) #A.1#. Onde:
m
s: massa de vapor saturado.
m
a: massa de água.
Instalações em bom estado apresentam χ na faixa de 0,95.
O volume específico v da mistura é dado por
v = χ vg + (1 − χ) vf #B.1#. Onde:
v
g: volume específico do vapor.
v
f: volume específico da água.
Entretanto, se as pressões não são extremas, v
f é desprezível em relação a v
g. Assim,
v ≈ χ vg #B.2#.
A entalpia h da mistura é dada por
h = hf + χ (hg − hf) #C.1#. Onde:
h
g: entalpia do vapor.
h
f: entalpia da água.
Mas a diferença (h
g − h
f) é a entalpia de vaporização (calor latente) h
fg. Portanto,
h = hf + χ hfg #C.2#.
A entropia s da mistura é dada por
s = sf + χ (sg − sf) #D.1#. Onde:
s
g: entropia do vapor.
s
f: entropia da água.
Exemplo de cálculo: vapor a 27 bar absoluto com qualidade χ = 0,9. Da
Tabela de vapor saturado - Referência de pressão, obtém-se para essa pressão:
v
g = 0,074 m
3/kg = 74 10
−3 m
3/kg. v
f = 1,203 dm
3/kg = 1,203 10
−3 m
3/kg. h
g = 2802,9 kJ/kg. h
f = 981,2 kJ/kg. s
g = 6,227 kJ/kg. s
f = 2,592 kJ/kg.
Os dados confirmam a aproximação anterior porque v
f << v
g. Assim usa-se #B.2#: v = 0,9 0,074 ≈ 0,067 m
3/kg.
h = h
f + χ (h
g − h
f) = 981,2 + 0,9 (2802,9 − 981,2) = 2620,7 kJ/kg.
s = s
f + χ (s
g − s
f) = 2,592 + 0,9 (6,227 − 2,592) = 5,863 kJ/kg.
No uso prático do vapor saturado, a água condensada após a troca de calor deve retornar para a caldeira, por questão de economia da própria água e de energia para aquecimento. Supõe-se, é claro, que não há contado do vapor com outros fluidos, o que é verdadeiro na maioria das aplicações.
A Figura 01 dá o esquema bastante simplificado de uma aplicação típica. Após a troca de calor no trocador, a água condensada é dirigida a um reservatório e, por bombeamento, retorna para a caldeira. Naturalmente há necessidade de uma reposição de água para compensar as perdas e vazamentos.
O purgador é um dispositivo que permite passagem apenas da água condensada. Há vários tipos práticos, sobre os quais aqui não se fazem comentários. Um tipo simples, por exemplo, é o de bóia: um pequeno reservatório com um mecanismo de bóia no interior. Quando o nível da água atinge um máximo, a bóia libera a saída e a bloqueia quando o nível chega ao mínimo.
Entretanto há um fato termodinâmico que é inevitável no processo: antes do purgador, a água condensada está na pressão do circuito (p
V da figura) e na temperatura do vapor saturado nessa pressão T
V.
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| Fig 01 |
Após o purgador, a água condensada está na pressão atmosférica p
atm, menor que p
V. Mas, na pressão atmosférica, não pode existir água líquida na temperatura T
V e uma parte do condensado se vaporiza para manter o equilíbrio energético. Esse vapor formado na saída do condensado é, de praxe, denominado
vapor de flash.
As quantidades de condensado e de vapor de flash podem ser calculadas com aplicação dos princípios da conservação da massa e da conservação da energia.
Antes do purgador, a água condensada tem pressão p
V, temperatura T
V. A entalpia, que pode ser lida nas tabelas, é h
fV. A vazão de massa é a mesma do vapor q
mV.
Depois do purgador, deve-se ter
• Condensado: vazão de massa q
mCond, entalpia h
fCond, que pode ser vista nas tabelas para pressão p
atm.
• Vapor de flash: vazão de massa q
mFlash, entalpia h
gFlash que pode ser vista nas tabelas para pressão p
atm.
Segundo a conservação da massa,
qmV = qmCond + qmFlash #A.1#.
Pela conservação da energia, a entalpia deve ser mantida:
hfV qmV = hfCond qmCond + hgFlash qmFlash #B.1#.
As equações acima formam um sistema que permite a determinação das duas incógnitas q
mCond e q
mFlash.
Exemplo de cálculo: seja p
V = 6 bar (absoluto) e q
mV = 1000 kg/h.
Conforme
Tabela de vapor saturado - Referência de pressão, h
fV = 670,7 kJ/kg.
Para pressão atmosférica, p
atm ≈ 1 bar absoluto, segundo mesma tabela,
h
fCond = 417,5 kJ/kg (coluna h
f da tabela).
h
gFlash = 2675,2 kJ/kg (coluna h
g da tabela).
1000 = q
mCond + q
mFlash.
670,7 1000 = 417,5 q
mCond + 2675,2 q
mFlash = 417,5 q
mCond + 2675,2 (1000 − q
mCond).
q
mCond = 670,7 1000 − 2675,2 1000 / (417,5 − 2675,2) ≈ 888 kg/h.
q
mFlash = 1000 − q
mCond ≈ 112 kg/h.
É evidente que, nos aspectos da eficiência energética e do consumo de água, a contribuição do vapor de flash é negativa. Algumas instalações enviam o condensado para um reservatório especial, formando uma espécie de gerador de vapor de baixa pressão, que pode ser utilizado por alguns tipos de equipamentos.