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Termodinâmica II-10



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Gás ideal

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A fim de facilitar o estudo da termodinâmica dos gases, consideram-se inicialmente as transformações em um gás perfeito ou gás ideal, isto é, um gás imaginário cujas moléculas não têm volume nem forças de repulsão ou atração. O seu calor específico é constante, independente da temperatura.

Gases reais como o hidrogênio e o hélio apresentam comportamento bem próximo do gás ideal. Outros gases (ou misturas como o ar), em pressões menores que 300 MPa e temperaturas usuais, oferecem também uma razoável aproximação.



Equações básicas para o gás ideal

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Lei de Gay-Lussac

Um gás a 0ºC tem volume específico v0. Se é aquecido sob pressão constante, o seu volume específico em uma determinada temperatura t é dado por:

v = v0 (1 + β t)  #A.1#. Onde:

β é o coeficiente de dilatação cúbica, cujo valor para o gás ideal é (1/273,15) 1/ºC.

A relação entre t (ºC) e T (K) é t = T − 273,15. Substituindo este último e o valor de β na equação anterior, resulta em:

v = v0 β T  #B.1#. Onde T é a temperatura absoluta (K).

Pode-se então dizer que, no zero absoluto, o volume de um gás ideal é nulo. Se considerados valores de dois pontos 1 e 2,

v1 = v0 β T1.
v2 = v0 β T2.

Dividindo as igualdades,

v1  =  T1   #C.1#. Onde v é volume específico e T é temperatura absoluta.
v2 T2


Lei de Boyle-Mariotte

Se a temperatura de um gás ideal é mantida constante, o produto pressão x volume específico é invariável, pv = constante. Portanto, entre dois pontos, p1 v1 = p2 v2 ou

p1  =  v2   #D.1#. Onde p é pressão e v é volume específico.
p2 v1



Equação do estado de um gás ideal

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Um gás na temperatura T1 tem o volume específico v1 e pressão p1. Mantendo p1 constante, se é aquecido até T2 o novo volume específico será, conforme tópico Equações básicas para o gás ideal, relação #C.1#:

v = v1  T2  
T1

Agora, mantendo T2 constante, se a pressão passa de p1 a p2 ocorre, conforme tópico Equações básicas para o gás ideal, relação #D.1#,

v2 = v  p1  
p2

Substituindo v pelo valor anterior,

p2 v2  =  p1 v1  = constante = Rgas  #A.1#.
T2 T1

Reagrupando a igualdade e considerando um ponto genérico,

p v = Rgas #B.1#.

Onde Rgas é uma constante que depende do gás.

A mesma igualdade pode ser deduzida a partir da teoria cinética de sistemas de partículas (ver página Dinâmica III-40 Sistemas de partículas). Neste caso, ela tem a forma:

p V = N k T  #B.2#. Onde:

N: número de moléculas.
k: constante de Boltzmann (1,380 6505 10−23 J/K).


Segundo Avogadro, 1 mol de substância contém cerca de 6,022 1023 moléculas. Portanto, para 1 mol de gás,

p Vmol = (6,022 1023 / mol) (1,380 6505 10−23 J/K) T ou

p Vmol = R T  #C.1#.

Onde R ≈ 8,314472 J/(K mol) é denominada constante do gás ideal ou constante universal do gás.

Valores de R em outras unidades são dados a seguir.

Valor Unidade #C.2#
8,314472 J / (K mol)
8,314472 l kPa / (K mol)
83,14472 l mbar / (K mol)
0,08205746 l atm / (K mol)
62,3637 l mmHg / (K mol)
1,987 cal / (K mol)
8,2057459 10−5 m3 atm / (K mol)
62,3637 l Torr / (K mol)

Pode-se concluir que, para as mesmas condições de temperatura e pressão, o volume de um mol independe do gás. A seguir, exemplos para dois gases a 0ºC e 1 atm com valores retirados de tabelas.

Nitrogênio: 28 kg/kmol . 0,8 m3/kg = 22,4 m3/kmol.
Oxigênio:   32 kg/kmol . 0,7 m3/kg = 22,4 m3/kmol.


O metro cúbico normal nm3 é a quantidade de gás que ocupa 1 m3 em condições normais. Assim, considerando 0ºC e 1 atm para as condições normais,

1 nm3 1  kmol  #D.1#.
22,4

Exemplo: supondo uma aproximação com o gás ideal, calcular o volume específico do ar a 30 atm e 100ºC, considerando a massa molar igual a 29 kg/kmol.

Pressão p = 30 atm = 3 039 750 Pa. Temperatura T = 100 + 273,15 = 373,15 K. Conforme #C.1#,

v = Vmol / (29 10−3 kg/mol) = R T / [ p (29 10−3 kg/mol) ] = 8,314472 373,15 / (3039750 0,029) ≈ 0,035 m3/kg.


Resumo da equação do gás ideal

Se não se deseja usar volume por mol (Vmol), multiplica-se tudo pelo número de mols. Assim, o lado esquerdo da equação #C.1# fica simplesmente pV. E pode-se usar as duas formas:

p V = n R T = N k T  #E.1#. Onde:
p
: pressão (Pa).
V
: volume (m3).
n
: número de mols.
R
: constante do gás ideal = 8,314472 J (K mol).
N
: número de moléculas.
k
: constante de Boltzmann = 1,380 6505 10−23 J/K = R / NA.
NA
: número da Avogadro ≈ 6,022 1023.
T
: temperatura absoluta (K).

Considerações sobre energia cinética

Embora a Termodinâmica não trate dos fenômenos em nível de partículas, algumas relações elementares podem ser úteis para deduções de outras. Na página Dinâmica III-40: Sistemas de partículas , foi vista a igualdade (3/2) k T = (1/2) m v2rms. A expressão do lado direito é a energia cinética média das moléculas do gás ideal, que se escreve (Ec)med. Ou seja, a energia cinética média por molécula é

(Ec)med  =  3  k T  #F.1#.
molécula 2

O valor por mol pode ser obtido através da multiplicação pelo número de Avogadro:

(Ec)med  =  3  k T NA 3  R T  #G.1#.
mol 2 2


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