MSPC   Informações técnicas …

 

Elementos finitos - Alguns fundamentos


Índice do grupo | Página anterior | Próxima página |

Introdução |
Exemplo |
    Mapa do site

Voltar

Página inicial

Fim da página

Introdução

Topo | Fim

O método dos elementos finitos é uma importante ferramenta computacional para executar cálculos que na prática seriam muitos difíceis ou mesmo impossíveis. As suas primeiras aplicações tiveram início na década de 1950.

Até certa época, o processamento só podia ser feito nos caros mainframes e, por isso, o uso era restrito a grandes empresas, centros de pesquisa, instalações militares. Com a evolução da capacidade e a redução de custos dos computadores, as aplicações do método se expandiram e se tornaram cada vez mais precisas e sofisticadas.

Círculo e polígono regular
Fig 01
De início era usado quase sempre no cálculo de estruturas de engenharia e atualmente é aplicado em áreas diversas como transferência de calor, escoamento de fluidos, eletromagnetismo e muitas outras.

Uma breve analogia para o método pode ser vista na Figura 01: supõe-se que se deseja determinar a relação entre o perímetro e o diâmetro de uma circunferência, isto é, o número π. No desenvolvimento matemático tradicional, chega-se a uma série de infinitos termos e o número π pode ser calculado com a quantidade de casas decimais que for necessária.

Um meio mais compatível com processos computacionais pode ser visto em (b) da figura: a circunferência é considerada uma sucessão de elementos, isto é, de segmentos de reta de mesmo comprimento formando um polígono regular. O comprimento total desses elementos é uma aproximação para o perímetro, aproximação esta tanto melhor quanto maior o número de elementos.

Notar que esse método pode ser aplicado ao cálculo do comprimento de uma curva genérica dada por uma sucessão de pontos, ao passo que o processo contínuo tradicional exige o conhecimento da sua função matemática, o que nem sempre é possível ou fácil em muitos casos práticos.



Exemplo

Topo | Fim

A treliça isostática da Figura 01 é usada como exemplo simples de aplicação do método. Deseja-se obter o deslocamento das barras em função da carga W aplicada.

Treliça isostática
Fig 01
Os elementos da análise são as barras da treliça (12, 23 e 31) e as articulações (1, 2 e 3) são os nós.

Os elementos 12 e 23 têm comprimento L e seção transversal S. O elemento 31 tem comprimento L √2 (deduzido das relações do triângulo retângulo) e seção transversal S √2 (assim suposto para facilitar cálculos).

As barras da treliça trabalham supostamente na região elástica do material. Assim, a relação entre força e deformação é dada por:

F = (S E / L) d #A.1#. Onde:

F: força aplicada.

S: área da seção transversal.
E: módulo de elasticidade do material.
L: comprimento da barra.
d: deformação longitudinal.

Elemento genérico da treliça
Fig 02
Para um elemento genérico de comprimento L conforme ab da Figura 02, se a extremidade b é mantida fixa,

Fa = (S E / L) da #B.1# e também Fb = −(S E / L) da #B.2#.

Se a extremidade a é mantida fixa,

Fa = −(S E / L) db #C.1# e também Fb = (S E / L) db #C.2#.

Combinando as relações acima,

Fa = (S E / L) (da − db) #D.1#.

Fb = (S E / L) (−da + db) #D.2#.

As igualdades #D.1# e #D.2# podem ser representadas em forma de produto de matrizes conforme quadro #D.3# e simbolizadas como

 
Fa
Fb
 
 = 
 
 SE/L  −SE/L
−SE/L   SE/L
 
  
 
da
db
 
#D.3#
F' = K' D' #D.4#.

K' é denominada matriz de rigidez do elemento ab. A distinção do apóstrofo (') é usada para indicar coordenadas locais, uma vez que forças e deslocamentos são referidos ao elemento ab e não ao sistema xy de coordenadas globais.

Transformação de coordenadas: para estabelecer relações entre diferentes elementos, é conveniente que forças e deslocamentos sejam referidos ao mesmo sistema de coordenadas, ou seja, ao sistema global de coordenadas (xy da Figura 02).

 
Fax
Fay
Fbx
Fby
 
 = 
 
c   0
s   0
0   c
0   s
 
  
 
Fa
Fb
 
#E.3#
Para o elemento genérico da Figura 02, consideram-se:

c = cos α #E.1#.
s = sen α #E.2#.

Com esses parâmetros, chega-se facilmente à relação matricial dada no quadro #E.3#.

Em notação compacta, essa relação pode ser escrita F = TF F' #E.4#. Onde:

F: matriz das forças em coordenadas globais.
TF: matriz de transformação.
F': matriz das forças em coordenadas locais.

 
da
db
 
 = 
 
c  s  0  0
0  0  c  s
 
  
 
dax
day
dbx
dby
 
#F.1#
De forma similar, uma transformação de coordenadas para o deslocamento, agora em sentido contrário ao da anterior, é vista em #F.1#:

d' = Td d #F.2#. Onde:

d': matriz de deslocamentos em coordenadas locais.
TD: matriz de transformação.


d: matriz de deslocamentos em coordenadas globais.

Combinando #E.4# com #D.4#, F = TF F' = TF k' d'. Usando o valor de d' dado por #F.2#,

k = (SE/L) 
 
 c2  cs −c2 −cs
 cs  s2 −cs −s2
−c2 −cs  c2  cs
−cs −s2  cs  s2
 
#G.3#
F = TF k' Td d ou F = k d #G.1#. Onde:

k = TF k' Td #G.2# é a matriz de rigidez do elemento genérico ab da Figura 02.

A matriz k pode ser vista no quadro #G.3#.

A Figura 03 indica as forças e deslocamentos para os nós da treliça em estudo.

Forças e deslocamentos na treliça do exemplo
Fig 03
Os cálculos podem ser simplificados com uma escolha conveniente da origem do sistema global de coordenadas. Neste caso, o nó 2 é a opção óbvia.

Seguem os ângulos de inclinação (α da Figura 02) para cada elemento.

Elemento 12: α = 0° (cos α = 1 e sen α = 0).
Elemento 23: α = 90° (cos α = 0 e sen α = 1).
Elemento 31: α = 135° (cos α = √2/2 e sen α = √2/2).

Usando esses valores na matriz #G.3#, obtêm-se os produtos de matrizes para cada elemento conforme quadros a seguir.

 
F1x
F1y
F2x
F2y
 
 = SE/L 
 
 1  0 −1  0
 0  0  0  0
−1  0  1  0
 0  0  0  0
 
  
 
d1x
d1y
d2x
d2y
 
#H.1#
Em #H.1#, a formulação F = k d para o elemento 12.

 
F2x
F2y
F3x
F3y
 
 = SE/L 
 
 0  0  0  0
 0  1  0 −1
 0  0  0  0
 0 −1  0  1
 
  
 
d2x
d2y
d3x
d3y
 
#H.2#
Em #H.2#, a formulação F = k d para o elemento 23.

 
F1x
F1y
F3x
F3y
 
 = SE/2L 
 
 1 −1 −1  1
−1  1  1 −1
−1  1  1 −1
 1 −1 −1  1
 
  
 
d1x
d1y
d3x
d3y
 
#H.3#
Em #H.3#, a formulação F = k d para o elemento 31.

 
F1x
F1y
F2x
F2y
F3x
F3y
 
 = SE/L 
 
 3/2  −1/2  −1   0  −1/2   1/2
−1/2   1/2   0   0   1/2  −1/2
−1     0     1   0   0     0
 0     0     0   1   0    −1
−1/2   1/2   0   0   1/2  −1/2
 1/2  −1/2   0  −1  −1/2   3/2
 
  
 
d1x
d1y
d2x
d2y
d3x
d3y
 
  
A combinação das igualdades ante-
riores resulta no produto ao lado
F = k d, onde k é a matriz de ri-
gidez global.

Nessa combinação, onde houver su-
perposição, aplica-se a soma.
#I.1#

A formulação anterior não é, por si, suficiente para a solução do problema. É preciso considerar as condições de contorno conforme quadro seguinte.

 
  0
 −W
F2x
F2y
F3x
  0
 
 = SE/L 
 
 3/2  −1/2  −1   0  −1/2   1/2
−1/2   1/2   0   0   1/2  −1/2
−1     0     1   0   0     0
 0     0     0   1   0    −1
−1/2   1/2   0   0   1/2  −1/2
 1/2  −1/2   0  −1  −1/2   3/2
 
  
 
d1x
d1y
  0
  0
  0
d3y
 
  
Para as forças,
F1x = 0, F1y = −W
F3y = 0

Para os deslocamentos,
d2x = d2y = d3x = 0
#I.2#

A relação acima pode ser simplificada para #I.3# abaixo.

 
  0
 −W
  0
 
 = SE/L 
 
 3/2 −1/2  1/2
−1/2  1/2 −1/2
 1/2 −1/2  3/2
 
  
 
d1x
d1y
d3y
 
#I.3#
E os resultados são:

d1x = − WL/(SE).
d1y = −4WL/(SE).
d3y = − WL/(SE).

Fim do exemplo.


Última atualização ou revisão: Dezembro/2007 Índice do grupo | Página anterior | Próxima página |
Topo desta página

Melhor visto c/ 1024x768 px

© Marco Soares

Termos de uso na pág inicial