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Correias e polias I-20


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Potência transmitida

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Do tópico Relações básicas, a igualdade para a potência é P = (ω D / 2) (Fb − Fa).

Do tópico Relações básicas de atrito, (Fb − S me r2 ω2) / (Fa − S me r2 ω2) = eμφ. Para simplificar, pode-se considerar o termo

S me r2 ω2 igual à parcela de força centrífuga FC. Assim,

(Fb - FC) / (Fa − FC) = eμφ #A.1#.

Na primeira igualdade, somando e subtraindo FC,

P = (ω D / 2) [ (Fb − FC) − (Fa - FC) ] = (ω D / 2) (Fb − FC) [1 - (Fa − FC)/(Fb − FC)]. Combinando com a anterior,

P = (ω D / 2) (Fb − FC) (1 − e−μφ) onde FC = S me r2 ω2 #B.1#.

A tabela a seguir dá um resumo dos parâmetros, lembrando que a fórmula é válida para correias de seção retangular (também denominadas correias planas).

ω: velocidade angular da polia D: diâmetro da polia
Fb: tração no lado mais tenso da correia μ: coeficiente de atrito entre polia e correia
φ: ângulo de contato da correia com a polia S: área da seção transversal da correia
me: massa específica do material da correia r: raio da polia (= D/2)

Notar que o produto S me na fórmula da força centrífuga equivale à massa por unidade de comprimento da correia, que é simbolizado por ρ. Algumas vezes é denominada densidade linear. Portanto,

FC = S me r2 ω2 = ρ r2 ω2 = ρ v2 #C.1#.

Onde ρ = S me conforme mencionado e v é a velocidade tangencial ( = ω r conforme relação básica do movimento circular uniforme).

Exemplo de cálculo: seja uma transmissão comum de correia plana, com a polia menor na condição motora conforme Figura 01 abaixo. O material da correia tem massa específica 1500 kg/m3 e a seção transversal da mesma é 500 mm2. Portanto, a densidade linear é ρ = 500 10−6 1500 = 0,75 kg/m.

Polia menor de uma transmissão comum
Fig 01
A polia tem diâmetro 10 cm e gira com 1800 rpm. Portanto,

D = 0,1 m e raio r = D/2 = 0,05 m.

ω = 1800 π / 30 ≈ 188,5 rad/s.

Velocidade tangencial v = ω r ≈ 188,5 0,05 = 9,425 m/s.

Com esses dados, a força centrífuga pode ser calculada FC = 0,75 9,4252 ≈ 66,6 N.

Supõe-se que o ângulo de contato é φ = 165º = 165 π / 180 ≈ 2,88 rad e que o coeficiente de atrito entre os materiais da polia e da correia é μ = 0,35. Considera-se também que a força máxima de tração admissível na correia é Fb = 600 N. É possível então determinar a potência máxima que pode ser transmitida conforme #B.1#:

P = (188,5 0,1/2) (600 − 66,6) (1 − e−0,35 2,88) = 9,425 533,4 0,635 ≈ 3,19 kW.

Da igualdade #A.1#, (600 − 66,6) / (Fa − 66,6) = e0,35 2,88 ≈ 2,74. Assim, Fa ≈ 194,67 + 66,6 ≈ 261 N.

E a força para a tensão inicial da correia pode ser dada pela igualdade #B.1# do tópico Relações básicas:

Fa + Fb = 2 F. Ou F = (Fa + Fb) / 2 = (261 + 600) / 2 = 430,5 N.



Potência versus velocidade

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Na igualdade #B.1# do tópico anterior, a expressão (ω D / 2) é a velocidade tangencial v = ω r. E a força FC é dada por ρ v2 conforme visto no mesmo tópico.

Potência transmitida versus velocidade tangencial de uma correia
Fig 01
Pode-se então escrever a relação entre potência transmitida e velocidade tangencial:

P = v (Fb − ρ v2) (1 − e−μφ) #A.1#.

Considerando os demais parâmetros constantes, pode-se traçar um gráfico da potência transmitida em relação à velocidade. A Figura 01 dá a curva para os valores do exemplo do tópico anterior.

Acima de uma determinada velocidade, o efeito da força centrífuga é predominante e a potência transmitida diminui.

Matematicamente, a velocidade vpmax correspondente à máxima potência transmitida é dada pela derivada nula da potência. Reagrupando a igualdade anterior, P = (v Fb − ρ v3) (1 − e−μφ). Assim, dP/dv = (Fb − 3 ρ v2) (1 − e−μφ) = 0.

Desde que (1 − e−μφ) não é nulo, deve-se ter (Fb − 3 ρ v2) = 0. Portanto, vpmax = √ [ Fb / (3ρ) ] #B.1#.

Dessa igualdade, Fb = 3 ρ vpmax2. Substituindo em #A.1#, o resultado é a fórmula da potência máxima

Pmax = 2 ρ vpmax3 (1 − e−μφ) #C.1#.

Exemplo de cálculo: para o exemplo do tópico anterior, temos

vpmax = √ (600 / (3 0,75) ) ≈ 16,3 m/s e Pmax = 2 0,75 16,33 0,635 ≈ 4,1 kW.



Atrito para correia de seção trapezoidal

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A correia de seção trapezoidal (ou simplesmente correia em V) é provavelmente o tipo mais usado na prática. A Figura 01 abaixo dá o esquema da ação das forças de atrito para uma seção de ângulo 2β entre faces (β entre uma face e a vertical).

Atrito para correia de seção trapezoidal
Fig 01
Na determinação das relações de atrito vista na página anterior, consideram-se, entre outras, a ação de uma força normal FN sobre uma porção elementar da correia.

Desde que, na correia trapezoidal, o atrito ocorre na lateral, conclui-se, por relação trigonométrica simples, que a força normal atuante em cada lateral é

FN / (2 sen β). E, para as duas faces, FN / sen β.

No desenvolvimento das Relações básicas de atrito (#C.2#) substituiu-se FN por esse valor: dF = μ FN / sen β. Sem considerar a ação da força centrífuga, chega-se a

Fb / Fa = e(μ/sen β)φ #A.1#.

Comparando com a fórmula para correia plana sem considerar força centrífuga, Fb / Fa = eμφ, pode-se concluir que, para efeitos de atrito e considerando os mesmos materiais, a correia trapezoidal equivale à correia plana com coeficiente de atrito dado por

μ' = (μ / sen β) #B.1#.

Desde que sen β é menor que um, μ' > μ e isso justifica a preferência por correia trapezoidal na maioria das aplicações práticas.



Aspectos geométricos

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A Figura 01 abaixo mostra o esquema comum de uma transmissão com duas polias de raios r1 e r2 e distantes C entre centros. Naturalmente, os diâmetros são D1 = 2 r1 e D2 = 2 r2.

Esquema comum de uma transmissão por correia
Fig 01
O ângulo γ é dado por

sen γ = (r1 − r2) / C #A.1#.

O comprimento exato L da correia é calculado por

L = π D1 + 2 r1 γ + 2 C cos γ + π D2 − 2 r2 γ.

L = π (D1 + D2) + 2 (r1 − r2) γ + 2 C cos γ.

Substituindo (r1 − r2) por C sen γ conforme #A.1#,

L = π (D1 + D2) + 2 C (γ sen γ + cos γ) #B.1#.

Essa equação permite a determinação do comprimento da correia em função dos diâmetros das polias e distância entre centros. Se se deseja saber C para determinados diâmetros e comprimento L, deve-se usar um processo iterativo.

Lado tenso e lado frouxo de correias
Fig 02
Uma fórmula aproximada também pode ser usada:

C ≈ { √ [ a2 − 2( D1 − D2 )2 ] + a } / 4 #C.1#.

Onde a = L − π (D1 + D2) / 2 #C.2#.

E os ângulos de contato são dados por φ1 = π + 2 γ e φ2 = π − 2 γ #D.1#.

Em tópicos anteriores, foi dado que a potência transmitida é função do ângulo de contato. Portanto, no conjunto, ela fica limitada pelo ângulo da polia menor (φ2).

Uma recomendação prática para correias é operar, sempre que possível, com o lado mais tenso na parte inferior conforme (a) da Figura 02. Com o uso, o comprimento tende a aumentar e, na posição contrária como em (b) da figura, o ângulo de contato é reduzido, o que favorece o deslizamento.

A distância C entre centros da polia é em geral definida pelo projeto do equipamento. Mas, se for possível, deve ser mantida próxima de 2D2 √ (D1/D2 + 1). Valores menores que D1 devem ser evitados. Outro critério encontrado em literatura é:

(D1 + D2)/2 + D2 para (D1/D2) < 3 e D1 para (D1/D2) ≥ 3.

Última atualização ou revisão: Nov/2007 Índice do grupo | Página anterior | Próxima página |
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