Do tópico
Relações básicas, a igualdade para a potência é P = (ω D / 2) (F
b − F
a).
Do tópico
Relações básicas de atrito, (F
b − S m
e r
2 ω
2) / (F
a − S m
e r
2 ω
2) = e
μφ. Para simplificar, pode-se considerar o termo
S m
e r
2 ω
2 igual à parcela de força centrífuga F
C. Assim,
(F
b - F
C) / (F
a − F
C) = e
μφ #A.1#.
Na primeira igualdade, somando e subtraindo F
C,
P = (ω D / 2) [ (F
b − F
C) − (F
a - F
C) ] = (ω D / 2) (F
b − F
C) [1 - (F
a − F
C)/(F
b − F
C)]. Combinando com a anterior,
P = (ω D / 2) (Fb − FC) (1 − e−μφ) onde
FC = S me r2 ω2 #B.1#.
A tabela a seguir dá um resumo dos parâmetros, lembrando que a fórmula é válida para correias de seção retangular (também denominadas
correias planas).
| ω: velocidade angular da polia |
D: diâmetro da polia |
| Fb: tração no lado mais tenso da correia |
μ: coeficiente de atrito entre polia e correia |
| φ: ângulo de contato da correia com a polia |
S: área da seção transversal da correia |
| me: massa específica do material da correia |
r: raio da polia (= D/2) |
Notar que o produto S m
e na fórmula da força centrífuga equivale à massa por unidade de comprimento da correia, que é simbolizado por ρ. Algumas vezes é denominada
densidade linear. Portanto,
F
C = S m
e r
2 ω
2 = ρ r
2 ω
2 = ρ v
2 #C.1#.
Onde ρ = S m
e conforme mencionado e v é a velocidade tangencial ( = ω r conforme relação básica do movimento circular uniforme).
Exemplo de cálculo: seja uma transmissão comum de correia plana, com a polia menor na condição motora conforme Figura 01 abaixo. O material da correia tem massa específica 1500 kg/m
3 e a seção transversal da mesma é 500 mm
2. Portanto, a densidade linear é ρ = 500 10
−6 1500 = 0,75 kg/m.
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| Fig 01 |
A polia tem diâmetro 10 cm e gira com 1800 rpm. Portanto,
D = 0,1 m e raio r = D/2 = 0,05 m.
ω = 1800 π / 30 ≈ 188,5 rad/s.
Velocidade tangencial v = ω r ≈ 188,5 0,05 = 9,425 m/s.
Com esses dados, a força centrífuga pode ser calculada F
C = 0,75 9,425
2 ≈ 66,6 N.
Supõe-se que o ângulo de contato é φ = 165º = 165 π / 180 ≈ 2,88 rad e que o coeficiente de atrito entre os materiais da polia e da correia é μ = 0,35. Considera-se também que a força máxima de tração admissível na correia é F
b = 600 N. É possível então determinar a potência máxima que pode ser transmitida conforme #B.1#:
P = (188,5 0,1/2) (600 − 66,6) (1 − e
−0,35 2,88) = 9,425 533,4 0,635 ≈ 3,19 kW.
Da igualdade #A.1#, (600 − 66,6) / (F
a − 66,6) = e
0,35 2,88 ≈ 2,74. Assim, F
a ≈ 194,67 + 66,6 ≈ 261 N.
E a força para a tensão inicial da correia pode ser dada pela igualdade #B.1# do tópico
Relações básicas:
F
a + F
b = 2 F. Ou F = (F
a + F
b) / 2 = (261 + 600) / 2 = 430,5 N.
Potência versus velocidade |
Topo | Fim |
Na igualdade #B.1# do tópico anterior, a expressão (ω D / 2) é a velocidade tangencial v = ω r. E a força F
C é dada por ρ v
2 conforme visto no mesmo tópico.
 |
| Fig 01 |
Pode-se então escrever a relação entre potência transmitida e velocidade tangencial:
P = v (F
b − ρ v
2) (1 − e
−μφ)
#A.1#.
Considerando os demais parâmetros constantes, pode-se traçar um gráfico da potência transmitida em relação à velocidade. A Figura 01 dá a curva para os valores do exemplo do tópico anterior.
Acima de uma determinada velocidade, o efeito da força centrífuga é predominante e a potência transmitida diminui.
Matematicamente, a velocidade v
pmax correspondente à máxima potência transmitida é dada pela derivada nula da potência. Reagrupando a igualdade anterior, P = (v F
b − ρ v
3) (1 − e
−μφ). Assim, dP/dv = (F
b − 3 ρ v
2) (1 − e
−μφ) = 0.
Desde que (1 − e
−μφ) não é nulo, deve-se ter (F
b − 3 ρ v
2) = 0. Portanto, v
pmax = √ [ F
b / (3ρ) ]
#B.1#.
Dessa igualdade, F
b = 3 ρ v
pmax2. Substituindo em #A.1#, o resultado é a fórmula da potência máxima
Pmax = 2 ρ vpmax3 (1 − e−μφ) #C.1#.
Exemplo de cálculo: para o exemplo do tópico anterior, temos
v
pmax = √ (600 / (3 0,75) ) ≈ 16,3 m/s e P
max = 2 0,75 16,3
3 0,635 ≈ 4,1 kW.
Atrito para correia de seção trapezoidal |
Topo | Fim |
A correia de seção trapezoidal (ou simplesmente correia em V) é provavelmente o tipo mais usado na prática. A Figura 01 abaixo dá o esquema da ação das forças de atrito para uma seção de ângulo 2β entre faces (β entre uma face e a vertical).
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| Fig 01 |
Na determinação das relações de atrito vista na página anterior, consideram-se, entre outras, a ação de uma força normal F
N sobre uma porção elementar da correia.
Desde que, na correia trapezoidal, o atrito ocorre na lateral, conclui-se, por relação trigonométrica simples, que a força normal atuante em cada lateral é
F
N / (2 sen β). E, para as duas faces, F
N / sen β.
No desenvolvimento das
Relações básicas de atrito (#C.2#) substituiu-se F
N por esse valor: dF = μ F
N / sen β. Sem considerar a ação da força centrífuga, chega-se a
Fb / Fa = e(μ/sen β)φ #A.1#.
Comparando com a fórmula para correia plana sem considerar força centrífuga, F
b / F
a = e
μφ, pode-se concluir que, para efeitos de atrito e considerando os mesmos materiais, a correia trapezoidal equivale à correia plana com coeficiente de atrito dado por
μ' = (μ / sen β)
#B.1#.
Desde que sen β é menor que um, μ' > μ e isso justifica a preferência por correia trapezoidal na maioria das aplicações práticas.
A Figura 01 abaixo mostra o esquema comum de uma transmissão com duas polias de raios r
1 e r
2 e distantes C entre centros. Naturalmente, os diâmetros são D
1 = 2 r
1 e D
2 = 2 r
2.
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| Fig 01 |
O ângulo γ é dado por
sen γ = (r
1 − r
2) / C
#A.1#.
O comprimento exato L da correia é calculado por
L = π D
1 + 2 r
1 γ + 2 C cos γ + π D
2 − 2 r
2 γ.
L = π (D
1 + D
2) + 2 (r
1 − r
2) γ + 2 C cos γ.
Substituindo (r
1 − r
2) por C sen γ conforme #A.1#,
L = π (D
1 + D
2) + 2 C (γ sen γ + cos γ)
#B.1#.
Essa equação permite a determinação do comprimento da correia em função dos diâmetros das polias e distância entre centros. Se se deseja saber C para determinados diâmetros e comprimento L, deve-se usar um processo iterativo.
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| Fig 02 |
Uma fórmula aproximada também pode ser usada:
C ≈ { √ [ a
2 − 2( D
1 − D
2 )
2 ] + a } / 4
#C.1#.
Onde a = L − π (D
1 + D
2) / 2
#C.2#.
E os ângulos de contato são dados por φ
1 = π + 2 γ e φ
2 = π − 2 γ
#D.1#.
Em tópicos anteriores, foi dado que a potência transmitida é função do ângulo de contato. Portanto, no conjunto, ela fica limitada pelo ângulo da polia menor (φ
2).
Uma recomendação prática para correias é operar, sempre que possível, com o lado mais tenso na parte inferior conforme (a) da Figura 02. Com o uso, o comprimento tende a aumentar e, na posição contrária como em (b) da figura, o ângulo de contato é reduzido, o que favorece o deslizamento.
A distância C entre centros da polia é em geral definida pelo projeto do equipamento. Mas, se for possível, deve ser mantida próxima de 2D
2 √ (D
1/D
2 + 1). Valores menores que D
1 devem ser evitados. Outro critério encontrado em literatura é:
(D
1 + D
2)/2 + D
2 para (D
1/D
2) < 3 e D
1 para (D
1/D
2) ≥ 3.