Ressonância
| Topo pág | Fim pág |
No sistema massa-mola, a velocidade angular do vetor girante, conforme equação #C.1# do
tópico correspondente, é dada por:
| ω2 = |
k |
ou |
ω = √( |
k |
) |
#A.1#. |
No circuito elétrico, |
ω2 = |
1 |
ou |
ω = |
1 |
|
#A.2#. |
| m |
m |
LC |
√(LC) |
E a freqüência, que equivale a
ω/(2 π), é dada por:
| f = |
√(k/m) |
#B.1# para o sistema mecânico. |
f = |
1 |
#B.2# para o circuito elétrico. |
| 2 π |
2 π √(LC) |
Essas fórmulas demonstram que a freqüência depende unicamente de parâmetros do sistema (
k e
m para o mecânico e
L e
C para o elétrico). Assim, mantidos esses parâmetros constantes, os sistemas oscilarão sempre nas freqüências dadas pelas fórmulas anteriores, independente das condições iniciais (deslocamento, velocidade inicial ou carga, corrente inicial).
As fórmulas acima indicam, portanto, a
freqüência natural de oscilação, normalmente denominada
freqüência de ressonância.
Oscilações amortecidas
| Topo pág | Fim pág |
As equações para os conjuntos mecânico e elétrico vistas até aqui pressupõem condições ideais, isto é, o sistema mecânico está sob vácuo para evitar ação do ar e não há atrito interno no material da mola. No circuito LC, não há fugas de corrente nem resistência elétrica nos condutores.
Nas condições ideais, as vibrações, uma vez iniciadas, mantém-se indefinidamente. Na prática isso não ocorre e pode ser bem observado num conjunto massa e mola, que pára de oscilar depois de algum tempo. Num circuito elétrico LC, o comportamento só pode ser observado com instrumentos, mas é o mesmo. Isso significa que sempre há um
agente de amortecimento presente. No conjunto mecânico, o atrito com ar e, principalmente, o atrito interno do material da mola. No circuito elétrico, resistências dos condutores e fugas de corrente.
Na realidade, em vários casos práticos, um elemento de amortecimento é propositalmente inserido. Em particular, o
amortecedor hidráulico é o mais comum, amplamente usado, por exemplo, em suspensões de automóveis. E, neste tópico, considera-se apenas amortecedor desse tipo.
|
| Figura 01 |
Um amortecedor hidráulico típico é formado por um cilindro com óleo e um êmbolo com furos, de forma que o escoamento do fluido exerce uma força contrária ao deslocamento. E essa força é proporcional à velocidade.
A Figura 01 (a) representa o conjunto na posição de equilíbrio e (b) indica uma posição genérica do movimento oscilatório. Assim, além das forças F e P, atua sobre o corpo a força D tal que
D = c v #A.1#. Onde:
c:
coeficiente de amortecimento.
v: velocidade.
E a igualdade #A.5# do tópico
Conjunto massa-mola pode ser escrita:
| R = m a = m |
d2x |
= − kx − c |
dx |
#A.2#. Rearranjando, |
| dt2 |
dt |
| m |
d2x |
+ c |
dx |
+ kx = 0 |
#B.1#. Essa equação diferencial tem solução na forma: |
| dt2 |
dt |
x = ert #C.1#.
Considerando que
d(ert) / dt = r ert, se substituído x da igualdade #B.1# e eliminado o fator comum
ert,
m r2 + c r + k = 0 #D.1#.
Essa é uma equação simples de segundo grau, que tem as soluções:
r = −c/(2m) ± [ (c/2m)2 − k/m ]1/2 #E.1#.
Considera-se c
0 o valor de c que faz nula a segunda parcela dessa igualdade, isto é,
(c0/2m)2 − k/m = 0. Reagrupando,
c0 = 2 m (k/m)1/2.
Usando a definição
ω2 = k / m, vista no tópico
Conjunto massa-mola,
c0 = 2 m ω #F.1#.
E a solução de #B.1# depende do valor de c em relação a c
0, com três possibilidades distintas:
|
| Figura 02 |
a)
Se c > c0, #E.1# tem duas soluções, r
1 e r
2, reais e diferentes e a solução de #B.1# é dada por
x = C1 er1t + C2 er2t #G.1#.
O movimento não é oscilante, com uma curva parecida com a Figura 02 (a) e o sistema é dito
superamortecido.
b)
Se c = c0, #E.1# tem uma única solução:
r = −c0/(2m) = −ω, e a solução de #B.1# é dada por:
x = (C1 + C2t) e−ωt #H.1#.
O movimento também não é oscilante, mas chega ao ponto de equilíbrio no menor tempo possível sem oscilar. Curva aproximada na Figura 02 (b). Essa situação é denominada
amortecimento crítico.
c)
Se c < c0, #E.1# tem soluções complexas:
Onde
β = [ (k/m) − (c/2m)2 ]1/2 e j é a unidade imaginária (
√−1).
Consideram-se as igualdades já vistas,
ω2 = k/m (
Conjunto massa-mola)
2m = c0/ω (#F.1# deste tópico).
| Assim, o valor de β pode ser dado por: |
β = ω [1 − ( |
c |
)2 ]1/2 |
#I.1#. |
| c0 |
Então, a solução de #B.1# é:
x = e−(c/2m)t (C1 cos βt + C2 sen βt).
A soma de co-seno e seno pode ser simplificada de maneira análoga a #E.2# do tópico
Conjunto massa-mola:
x = A e−(c/2m)t sen (βt + φ) #J.1#.
Por essa equação, pode-se concluir que o sistema oscila, mas a amplitude decresce exponencialmente com o tempo. Curva aproximada na Figura 02 (c). Nessa condição, o sistema é dito
subamortecido.
Notar que a velocidade angular é β e não ω e que β < ω. Portanto, a freqüência da oscilação (
β/2π) é menor que a freqüência natural do conjunto (
ω/2π).
A relação
c/c0 da igualdade #I.1# é denominada
fator de amortecimento. Notar que, para um sistema não amortecido, c = 0 e, portanto, β = ω.
|
| Figura 03 |
Na analogia elétrica, o conjunto massa, mola e amortecedor hidráulico equivale ao circuito LC do tópico
Analogia elétrica: circuito LC acrescido de uma
resistência elétrica R, conforme Figura 03.
Observar que
R é o fator de proporcionalidade entre corrente e tensão, similar ao
c, que é a proporcionalidade entre força e velocidade.
| Sistema mecânico |
Circuito elétrico |
| x deslocamento |
Q carga elétrica |
| m massa |
L indutância |
| k constante da mola |
1/C inverso de capacitância |
| v velocidade |
i corrente elétrica |
| F força |
V tensão elétrica |
| c coef de amortecimento |
R resistência elétrica |
A solução para a equação diferencial é idêntica, bastando substituir os parâmetros e variáveis por seus equivalentes elétricos. E, naturalmente, ocorrem as mesmas condições de amortecimento da Figura 02.
A tabela acima é a correspondência já vista entre grandezas mecânicas e elétricas, com a inclusão dos parâmetros coeficiente de amortecimento e resistência elétrica.
Topo |
Índice do grupo |
Página anterior |
Próxima página |
Última revisão ou atualização: Mai/2008