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Vibrações mecânicas I-20



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Molas em paralelo e em série

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A Figura 01 deste tópico apresenta as duas situações de um corpo de peso P atuando sobre duas molas de constantes k1 e k2, em paralelo (A) e em série (B). Deseja-se saber as constantes equivalentes (isto é, as constantes de molas únicas que atuariam da mesma forma) para cada caso.

A) Molas em paralelo:

Para essa situação, é suposto que o corpo desliza entre guias conforme desenho, para evitar inclinação e atuação de forças diferentes em cada mola.

Molas em paralelo e em série
Figura 01
Portanto, na situação de equilíbrio, cada mola sofre a mesma deformação e, com forças iguais a P/2. Assim,

P = k1 e + k2 e = (k1 + k2) e = k e, onde

k = k1 + k2 #A.1#.

E a fórmula pode ser estendida para um número qualquer de molas em paralelo.

B) Molas em série:

Supõe-se uma mola equivalente de constante k, com uma deformação e. Assim P = k e. Mas a deformação e é igual à soma das deformações de cada mola e1 e e2. Ou seja,

P = k (e1 + e2). De outra forma,

P/k = e1 + e2. Mas cada mola está sob ação da mesma força P. Portanto, vale:

P = k1 e1 = k2 e2. Separando as variáveis,

e1 = P/k1.
e2 = P/k2. Substituindo na igualdade anterior, P/k = P/k1 + P/k2. Simplificando,

1  =  1  +  1  #B.1#.
k k1 k2

De forma similar à anterior, pode ser ampliada para um número qualquer de molas em série.



Analogia elétrica: circuito LC

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O conjunto massa e mola tratado anteriormente tem analogia com um circuito elétrico LC paralelo conforme Figura 01 deste tópico: supondo que, inicialmente, o capacitor tem uma certa carga elétrica, ela é descarregada através do indutor. Este último, por sua vez, gera uma corrente em sentido contrário que carrega o capacitor e o ciclo se repete.

O desenvolvimento matemático a seguir supõe que sejam conhecidos alguns conceitos e fórmulas básicas. Ver parte Eletricidade e eletromagnetismo deste site.

Aplicando a segunda lei de Kirchhoff ao circuito, VL + VC = 0. Usando as identidades elétricas,

− L  di  −  Q  = 0. Substituindo i por dQ/dt,
dt C

d2Q  +  Q  = 0. Reagrupando,  d2Q  +  1  Q = 0.
dt2 C dt2 LC

Fazendo  ω2 1  ou  ω =  1  #A.1#, a equação anterior fica
LC √(LC)

Circuito LC
Figura 01
d2Q  + ω2 Q = 0  #B.1#.
dt2

Notar que essa é a mesma equação diferencial do conjunto massa-mola (#D.1# do tópico Conjunto massa-mola), mudando apenas o nome da variável de x para Q.

Portanto, a oscilação do circuito elétrico LC é matematicamente similar à oscilação do sistema massa e mola. E a solução da equação diferencial é a mesma dada para este último:

Q = Qmax sen (ωt + φ)  #B.1#.

Onde Qmax é o valor absoluto da máxima carga no capacitor, equivalente à amplitude (deslocamento máximo) do sistema mecânico.

Sistema mecânico Circuito elétrico
x deslocamento Q carga elétrica
m massa L indutância
k constante da mola 1/C inverso de capacitância
v velocidade i corrente elétrica
F força V tensão elétrica
A corrente pode ser obtida com o uso da relação i = dQ/dt.

Assim,

i = Qmax ω cos (ωt + φ).


De outra forma, i = ip cos (ωt + φ) #C.1# (em eletricidade é comum o uso da notação ip, corrente de pico, no lugar de corrente máxima).

A tensão no capacitor é VC = Q / C, de acordo com relações da eletricidade. Dividindo ambos os lados de #B.1# por C,

V = Vp sen (ωt + φ)  #D.1#.

A fórmula acima usa a notação Vp, tensão de pico = Qmax / C, no lugar de tensão máxima, de forma similar à anterior.

A tabela acima dá as correspondências entre grandezas mecânicas e elétricas dos sistemas vistos até agora. A dedução é simples, bastando observar as similaridades entre as equações deste tópico e as do tópico Conjunto massa-mola. Talvez a menos visível seja a relação entre força e tensão elétrica:

Considera-se a igualdade #A.1# do referido tópico:

P = k e (no lugar de P, pode ser o símbolo F).

Mas k corresponde a 1/C do elétrico e e (= x, deslocamento), a Q (carga elétrica). Assim F corresponde a Q/C, que é tensão elétrica segundo relação da eletricidade.

De forma idêntica, as variações de carga elétrica e de outras grandezas (corrente, tensão) podem ser representadas pela projeção de um vetor girante de velocidade angular ω e gráfico senoidal conforme já visto para o conjunto mecânico.

A velocidade angular ω, o período P e a freqüência f têm as mesmas relações do movimento mecânico.


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