Molas em paralelo e em série
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A Figura 01 deste tópico apresenta as duas situações de um corpo de peso P atuando sobre duas molas de constantes k
1 e k
2, em paralelo (A) e em série (B). Deseja-se saber as constantes equivalentes (isto é, as constantes de molas únicas que atuariam da mesma forma) para cada caso.
A)
Molas em paralelo:
Para essa situação, é suposto que o corpo desliza entre guias conforme desenho, para evitar inclinação e atuação de forças diferentes em cada mola.
|
| Figura 01 |
Portanto, na situação de equilíbrio, cada mola sofre a mesma deformação
e, com forças iguais a P/2. Assim,
P = k1 e + k2 e = (k1 + k2) e = k e, onde
k = k1 + k2 #A.1#.
E a fórmula pode ser estendida para um número qualquer de molas em paralelo.
B)
Molas em série:
Supõe-se uma mola equivalente de constante
k, com uma deformação
e. Assim
P = k e. Mas a deformação
e é igual à soma das deformações de cada mola e
1 e e
2. Ou seja,
P = k (e1 + e2). De outra forma,
P/k = e1 + e2. Mas cada mola está sob ação da mesma força P. Portanto, vale:
P = k1 e1 = k2 e2. Separando as variáveis,
e1 = P/k1.
e2 = P/k2. Substituindo na igualdade anterior,
P/k = P/k1 + P/k2. Simplificando,
De forma similar à anterior, pode ser ampliada para um número qualquer de molas em série.
Analogia elétrica: circuito LC
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O conjunto massa e mola tratado anteriormente tem analogia com um circuito elétrico LC paralelo conforme Figura 01 deste tópico: supondo que, inicialmente, o capacitor tem uma certa carga elétrica, ela é descarregada através do indutor. Este último, por sua vez, gera uma corrente em sentido contrário que carrega o capacitor e o ciclo se repete.
O desenvolvimento matemático a seguir supõe que sejam conhecidos alguns conceitos e fórmulas básicas. Ver parte
Eletricidade e eletromagnetismo deste site.
Aplicando a segunda lei de Kirchhoff ao circuito,
VL + VC = 0. Usando as identidades elétricas,
| − L |
di |
− |
Q |
= 0. |
Substituindo i por dQ/dt, |
| dt |
C |
| L |
d2Q |
+ |
Q |
= 0. |
Reagrupando, |
d2Q |
+ |
1 |
Q = 0. |
| dt2 |
C |
dt2 |
LC |
| Fazendo |
ω2 = |
1 |
ou |
ω = |
1 |
#A.1#, |
a equação anterior fica |
| LC |
√(LC) |
|
| Figura 01 |
| d2Q |
+ ω2 Q = 0 |
#B.1#. |
| dt2 |
Notar que essa é a mesma equação diferencial do conjunto massa-mola (#D.1# do tópico
Conjunto massa-mola), mudando apenas o nome da variável de x para Q.
Portanto, a oscilação do circuito elétrico LC é matematicamente similar à oscilação do sistema massa e mola. E a solução da equação diferencial é a mesma dada para este último:
Q = Qmax sen (ωt + φ) #B.1#.
Onde Q
max é o valor absoluto da máxima carga no capacitor, equivalente à amplitude (deslocamento máximo) do sistema mecânico.
| Sistema mecânico |
Circuito elétrico |
| x deslocamento |
Q carga elétrica |
| m massa |
L indutância |
| k constante da mola |
1/C inverso de capacitância |
| v velocidade |
i corrente elétrica |
| F força |
V tensão elétrica |
A corrente pode ser obtida com o uso da relação i = dQ/dt.
Assim,
i = Qmax ω cos (ωt + φ).
De outra forma,
i = ip cos (ωt + φ) #C.1# (em eletricidade é comum o uso da notação i
p, corrente de pico, no lugar de corrente máxima).
A tensão no capacitor é
VC = Q / C, de acordo com relações da eletricidade. Dividindo ambos os lados de #B.1# por C,
V = Vp sen (ωt + φ) #D.1#.
A fórmula acima usa a notação V
p, tensão de pico = Q
max / C, no lugar de tensão máxima, de forma similar à anterior.
A tabela acima dá as correspondências entre grandezas mecânicas e elétricas dos sistemas vistos até agora. A dedução é simples, bastando observar as similaridades entre as equações deste tópico e as do tópico
Conjunto massa-mola. Talvez a menos visível seja a relação entre força e tensão elétrica:
Considera-se a igualdade #A.1# do referido tópico:
P = k e (no lugar de P, pode ser o símbolo F).
Mas
k corresponde a
1/C do elétrico e
e (= x, deslocamento), a
Q (carga elétrica). Assim
F corresponde a
Q/C, que é tensão elétrica segundo relação da eletricidade.
De forma idêntica, as variações de carga elétrica e de outras grandezas (corrente, tensão) podem ser representadas pela projeção de um vetor girante de velocidade angular ω e gráfico senoidal conforme já visto para o conjunto mecânico.
A velocidade angular
ω, o período
P e a freqüência
f têm as mesmas relações do movimento mecânico.
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Última revisão ou atualização: Mai/2008