Teorema do virial para uma partícula |
Topo | Fim |
Seja, conforme Figura 01, uma partícula de massa m sujeita à ação de uma força
F, com velocidade
v e posição dada pelo vetor
r. Define-se uma grandeza X tal que X = m
v ·
r, ou seja, o produto da massa pelo produto escalar dos vetores
v e
r.
Considerando a propriedade da diferencial de um produto, a derivação em relação ao tempo é:
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| Fig 01 |
dX/dt = m (d
v/dt) ·
r + m
v · (d
r/dt).
Mas (d
v/dt) =
a (aceleração) e (d
r/dt) =
v (velocidade).
dX/dt = m
a ·
r + m v
2. Mas m
a =
F (força) e m v
2 = 2 E
c (energia cinética).
dX/dt =
F ·
r + 2 E
c. Se considerados valores médios, essa igualdade pode ser escrita na forma:
(dX/dt)
av = (
F ·
r)
av + 2 (E
c)
av #A.1#.
O valor médio, no intervalo 0 a T, de uma função genérica f(t) é dado por (1/T) ∫
0,T f(t) dt. Portanto, para a derivada da grandeza X,
(dX/dt)
av = (1/T) ∫
0,T (dX/dt) dt = (1/T) ∫
0,T dX = [ X(T) − X(0) ] / T.
Considera-se agora que o movimento da partícula é limitado pela região S indicada na figura. Então os valores de
v e
r serão também limitados e, para um intervalo T suficientemente grande, deve-se ter [ X(T) − X(0) ] / T quase nulo. Assim, pode-se dizer que, na condição t → ∞, o valor de (dX/dt)
av é zero. Considerando isso na igualdade #A.1#,
(Ec)av = − (1/2) (F · r)av #B.1#. A expressão do lado direito é denominada
virial da partícula.
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| Fig 02 |
Supõe-se que a partícula está sujeita apenas à ação de uma força central e conservativa, conforme
F da Figura 02.
Na página
Dinâmica I-30 foi dado que, para esse caso, deve-se ter:
F = − dE
p / dr, onde E
p é a energia potencial.
Em termos vetoriais, pode-se escrever
F = − (dE
p / dr)
ur.
Onde
ur é um vetor unitário na direção de
r porque
F e
r estão na mesma linha. Substituindo na igualdade anterior e lembrando que
ur ·
r = r, o resultado é:
(Ec)av = (1/2) [ r dEp/dr ]av #C.1#.
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| Fig 03 |
Seja um exemplo prático: um sistema massa-mola que oscila em relação à posição de equilíbrio conforme Figura 03.
Na página
Vibrações mecânicas I-10, foi dada a equação diferencial do deslocamento x em relação ao tempo:
m d
2x/dt
2 = − kx, onde k é a constante da mola. A solução é
x = A sen (ωt + φ).
Onde A é a amplitude da oscilação, ω = √(k/m) é a velocidade angular e φ, o ângulo inicial do deslocamento.
Supondo por simplicidade φ = 0, a igualdade se reduz a x = A sen ωt.
Na página
Dinâmica I-30, foi visto que a energia potencial de uma mola deformada de x é E
p = (1/2) k x
2. Substituindo x pelo valor da igualdade anterior, E
p = (1/2) k A
2 sen
2ωt.
Da mesma igualdade pode-se ter a velocidade v = dx/dt = A ω cos ωt. E a energia cinética é calculada por:
E
c = (1/2) m v
2 = (1/2) m A
2 ω
2 cos
2ωt = (1/2) m A
2 [√(k/m)]
2 cos
2 ωt = (1/2) k A
2 cos
2ωt.
Para este exemplo, r da igualdade #C.1# equivale à distância x (a força atuante é central porque passa sempre por um mesmo ponto - qualquer ponto - na linha ao longo do eixo da mola). Portanto,
(E
c)
av = (1/2) [ x dEp/dx ]
av.
Mas dE
p/dx = d [ (1/2) k x
2 ]/dx = k x. Substituindo, (E
c)
av = (1/2) [ k x
2 ]
av = (1/2) [ k A
2 sen
2ωt ]
av. Este último valor é igual à energia potencial já calculada anteriormente.
Portanto, neste caso ocorre (E
c)
av = (E
p)
av. Notar que o resultado é coerente com os valores encontrados para a energia cinética e para a energia potencial:
E
c = (1/2) k A
2 cos
2ωt.
E
p = (1/2) k A
2 sen
2ωt.
Para um tempo t longo, os valores médios de cos
2ωt e de sen
2ωt são idênticos, o que confirma a igualdade anterior.
Teorema do virial para um sistema de partículas |
Topo | Fim |
O conceito de virial pode ser estendido para um sistema de várias partículas. Por simplicidade, considera-se inicialmente um conjunto de duas partículas de massas m
1 e m
2 conforme indicado na Figura 01 abaixo. Então, a grandeza X do tópico anterior é definida de forma similar:
X = m
1 v1 ·
r1 + m
2 v2 ·
r2.
dX/dt = m
1 (d
v1/dt) ·
r1 + m
1 v1 · (d
r1/dt) + m
2 (d
v2/dt) ·
r2 + m
2 v2 · (d
r2/dt).
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| Fig 01 |
Considerando as relações
a = d
v/dt e
v = d
r/dt,
dX/dt = m
1 a1 ·
r1 + m
2 a2 ·
r2 + m
1 v
12 + m
2 v
22.
As duas últimas parcelas correspondem ao dobro da energia cinética do conjunto, de forma similar à do tópico anterior.
dX/dt = m
1 a1 ·
r1 + m
2 a2 ·
r2 + 2 E
c.
Em cada partícula, ocorre a ação de uma força externa e de forças de interação entre partículas (
F1 e
F12 para a partícula 1 por exemplo).
Então, o produto massa x aceleração de cada partícula deve ser igual à resultante dessas forças:
m
1 a1 =
F1 +
F12 e m
2 a2 =
F2 +
F21. Mas
F21 = −
F12. Assim, m
2 a2 =
F2 −
F12.
m
1 a1 ·
r1 + m
2 a2 ·
r2 = (
F1 +
F12) ·
r1 + (
F2 −
F12) ·
r2 =
F1 ·
r1 +
F2 ·
r2 +
F12 · (
r1 −
r2). Mas (
r1 −
r2) =
r12.
m
1 a1 ·
r1 + m
2 a2 ·
r2 =
F1 ·
r1 +
F2 ·
r2 +
F12 ·
r12. Substituindo na igualdade anterior,
dX/dt = (
F1 ·
r1 +
F2 ·
r2 +
F12 ·
r12) + 2 E
c.
Supondo que o movimento das partículas é limitado pelo espaço S, usa-se o mesmo raciocínio do tópico anterior para concluir que o valor médio de dX/dt deve ser nulo. Portanto,
(Ec)av = − (1/2) (F1 · r1 + F2 · r2 + F12 · r12)av #A.1#.
Essa igualdade permite uma analogia para um número qualquer de partículas:
(Ec)av = − (1/2) ( ∑(cada) Fi · ri + ∑(pares) Fjk · rjk)av #B.1#. A expressão do lado direito é denominada
virial do sistema de partículas.