Energia interna de um sistema de partículas |
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Na página anterior, foi dada a relação entre a variação de energia cinética (Δ E
c) com o trabalho de forças externas (W
ext) e o de forças internas (W
int):
ΔE
c = W
ext + W
int. E a expressão de W
int é dada por W
int = ∫
F12 d
r12.
Pode-se escrever Δ E
c − ∫
F12 d
r12 = W
ext. Notar que a expressão da integral é dependente apenas da força entre as partículas e da distância entre as mesmas. Por analogia, isso sugere uma variação de energia potencial e pode-se então definir:
U
prop = E
c + E
p e escrever
ΔU = Wext #A.1#.
A grandeza U é denominada
energia própria do sistema e a igualdade é o princípio da conservação da energia aplicado ao sistema de partículas, ou seja, o trabalho executado por forças externas é igual à variação de energia própria do sistema.
A parcela de energia potencial não depende da origem das coordenadas porque é dada em função da distância entre partículas. A energia cinética é dependente da velocidade e, portanto, pode variar de acordo com o sistema de coordenadas. Se o centro de massa é escolhido como origem,
Uint = Ec(cm) + Ep #B.1#.
Assim definido, U é denominado
energia interna do sistema. Em geral, quando se refere a energia de um sistema, supõe-se sua energia interna.
Para um sistema isolado, W
ext = 0 e, portanto, a energia interna e a energia própria são constantes.
De forma similar às relações vistas na página anterior para o momento angular, pode-se estabelecer a relação entre energia própria e interna:
Uprop = Uint + (1/2) M vcm2 #C.1#. Onde M é a massa total do sistema e v
cm a velocidade do centro de massa. A demonstração matemática é simples e aqui não é dada.
Choque (elástico / inelástico) de partículas |
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Considera-se choque a interação entre partículas, que resulta em troca de momento, massa ou energia. Nesse conceito, o contato físico não é essencial. Pode ocorrer ou não. Exemplo: uma partícula pode sofre ação elétrica, magnética ou gravitacional de outra sem toque mútuo. Em geral, o choque sem contato é chamado de
desvio.
A Figura 01 dá a representação gráfica de um choque genérico entre duas partículas. Considerando um sistema formado por essas partículas, nota-se que não há ação de forças externas e, portanto, momento e energia são constantes. As massas não são necessariamente as mesmas depois do choque. Pode haver troca de massa entre as partículas. Isso é mais usual no caso de partículas atômicas.
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| Fig 01 |
Da conservação dos momentos:
b1 +
b2 =
b1' +
b2'
#A.1#.
Pela conservação da energia: E
c + E
p = E
c' + E
p'.
Ou E
c' − E
c = E
p − E
p' = E.
Ou seja, a grandeza E é a variação de energia cinética, que deve ser igual à variação de energia potencial.
Representando a energia cinética em termos de massa e velocidade,
E = (1/2) m1 v1'2 + (1/2) m2 v2'2 − (1/2) m1 v12 − (1/2) m2 v22 #B.1#.
Se E = 0, não há variação de energia cinética e o processo é denominado
choque elástico.
Se E ≠ 0, ocorre o
choque inelástico, podendo haver um decréscimo (E < 0) ou um acréscimo da energia cinética (E > 0). Em ambos os casos, a variação é compensada pela variação da energia potencial interna para obedecer ao princípio da conservação da energia.
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| Fig 02 |
Considera-se agora o caso particular de m
2 em repouso conforme (a) da Figura 02. Após o choque, há uma situação como em (b).
Da conservação do momento linear,
b1' +
b2' =
b1 ou
b2' =
b1 −
b1'.
Por definição, b = m v. Assim, v
2 = b
2/m
2. Substituindo os respectivos valores na igualdade anterior para a conservação de energia (#B.1#),
E = b
1'
2 / (2 m
1') + b
2'
2 / (2 m
2') − b
12 / (2 m
1).
Se o
choque é elástico (E = 0) e as massas são iguais e se mantém, isto é, m
1 = m
2 = m
1' = m
2',
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| Fig 03 |
b
12 = b
1'
2 + b
2'
2.
Da conservação de momentos,
b1 =
b1' +
b2'.
Na página
Vetores I-10 pode ser visto que essa soma é:
b
12 = b
1'
2 + b
2'
2 + 2
b1' .
b2'.
Com a relação anterior (b
12 = b
1'
2 + b
2'
2), pode-se concluir que o produto escalar
b1' .
b2' deve ser nulo.
Produto escalar nulo significa que os vetores
b1' e
b2' fazem ângulo de 90º. E um exemplo prático para isso é a trajetória após o choque de duas bolas em uma mesa de bilhar (Figura 03).
Notar que a suposição de m
2 em repouso, apesar de ser um caso particular, pode ser estendida para qualquer caso. Basta considerar o sistema de coordenadas fixo em m
2 e ajustar os demais parâmetros para essa condição.
Alguns exemplos de choque elástico |
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As figuras deste tópico dão exemplos de choques elásticos
frontais, isto é, a geometria do choque é tal que os movimentos estão no mesmo alinhamento. Assim, é possível usar apenas valores escalares nas expressões. Supõe-se também que as massas de cada partícula permanecem inalteradas após o choque (m
1 = m
1' e m
2 = m
2').
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| Fig 01 |
Conservação de momento: m
1 v
1 = m
1 v
1' + m
2 v
2'.
Conservação de energia: (1/2) m
1 v
12 = (1/2) m
1 v
1'
2 + (1/2) m
2' v
2'
2.
Considerando a igualdade matemática a
2 − b
2 = (a + b) (a − b), tem-se:
m
1 (v
1 − v
1') (v
1 + v
1') = m
2 v
2'
2.
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| Fig 02 |
Da anterior (momento), m
1 (v
1 − v
1') = m
2 v
2'.
Substituindo,
v
1 + v
1' = v
2'.
Substituindo na anterior,
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| Fig 03 |
v
1' = [ (m
1 − m
2) / (m
1 + m
2) ] v
1.
v
2' = [ 2 m
1 / (m
1 + m
2) ] v
1.
E essas duas igualdades permitem deduzir resultados para diferentes relações entre m
1 e m
2 conforme Figuras 01, 02 e 03.
Exemplo de choque inelástico: pêndulo balístico |
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Já visto que, no choque elástico, a energia cinética total se mantém constante. É claro que, nos processos reais, isso não ocorre rigorosamente, Há sempre uma variação. Mas, em vários casos, ela é tão pequena que pode ser desprezada.
Considera-se agora do choque inelástico. Naturalmente, a lei da conservação da energia continua válida, mas a parcela de energia cinética não é mais constante. Há transformação em outras formas de energia, como calor, ondas de choque, etc. Mas isso, em geral, não pode ser facilmente quantificado e pouco ajuda a determinação dos parâmetros após o choque.
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| Fig 01 |
Um caso extremo de choque inelástico é aquele em que as duas massas permanecem unidas após o choque como se fossem um corpo único. E o cálculo é possível através da lei da conservação dos momentos.
O pêndulo balístico é um arranjo simples, usado basicamente para medição da velocidade de projéteis disparados por armas de fogo.
Na Figura 01 (a), um projétil de massa m
1 e velocidade v
1 é disparado contra um pêndulo em repouso de massa m
2. Logo após o choque - (b) da figura - o projétil penetra no pêndulo, mas não o atravessa, formando um corpo único com velocidade v'.
A energia cinética não se conserva porque uma parte é transformada em calor pelo atrito do projétil com o material do pêndulo. Mas pode-se usar a lei da conservação do momento para determinar a relação entre v
1 e v':
m
1 v
1 + m
2 v
2 = m' v'. Ou m
1 v
1 + m
2 0 = (m
1 + m
2) v'. Assim, v
1 = v' (m
1 + m
2) / m
1.
Entre (b) e (c), há uma massa única sob ação de força conservativa (gravidade). Assim, a conservação da energia é expressa pela simples soma da energia cinética com a energia potencial:
(1/2) m' v'
2 + 0 = 0 + m' g h ou v' = √ (2 g h). Substituindo na anterior,
v
1 = [ √ (2 g h) ] (m
1 + m
2) / m
1. Ou seja, a velocidade do projétil é determinada em função de parâmetros medidos ou supostamente conhecidos:
g: aceleração da gravidade.
h: altura máxima alcançada pelo pêndulo.
m
1: massa do projétil.
m
2: massa do pêndulo.