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Dinâmica III-20


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Energia interna de um sistema de partículas |
Choque (elástico / inelástico) de partículas |
Alguns exemplos de choque elástico |
Exemplo de choque inelástico: pêndulo balístico |
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Energia interna de um sistema de partículas

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Na página anterior, foi dada a relação entre a variação de energia cinética (Δ Ec) com o trabalho de forças externas (Wext) e o de forças internas (Wint):

ΔEc = Wext + Wint. E a expressão de Wint é dada por Wint = ∫ F12 dr12.

Pode-se escrever Δ Ec − ∫ F12 dr12 = Wext. Notar que a expressão da integral é dependente apenas da força entre as partículas e da distância entre as mesmas. Por analogia, isso sugere uma variação de energia potencial e pode-se então definir:

Uprop = Ec + Ep e escrever ΔU = Wext #A.1#.

A grandeza U é denominada energia própria do sistema e a igualdade é o princípio da conservação da energia aplicado ao sistema de partículas, ou seja, o trabalho executado por forças externas é igual à variação de energia própria do sistema.

A parcela de energia potencial não depende da origem das coordenadas porque é dada em função da distância entre partículas. A energia cinética é dependente da velocidade e, portanto, pode variar de acordo com o sistema de coordenadas. Se o centro de massa é escolhido como origem,

Uint = Ec(cm) + Ep #B.1#.

Assim definido, U é denominado energia interna do sistema. Em geral, quando se refere a energia de um sistema, supõe-se sua energia interna.

Para um sistema isolado, Wext = 0 e, portanto, a energia interna e a energia própria são constantes.

De forma similar às relações vistas na página anterior para o momento angular, pode-se estabelecer a relação entre energia própria e interna:

Uprop = Uint + (1/2) M vcm2 #C.1#. Onde M é a massa total do sistema e vcm a velocidade do centro de massa. A demonstração matemática é simples e aqui não é dada.



Choque (elástico / inelástico) de partículas

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Considera-se choque a interação entre partículas, que resulta em troca de momento, massa ou energia. Nesse conceito, o contato físico não é essencial. Pode ocorrer ou não. Exemplo: uma partícula pode sofre ação elétrica, magnética ou gravitacional de outra sem toque mútuo. Em geral, o choque sem contato é chamado de desvio.

A Figura 01 dá a representação gráfica de um choque genérico entre duas partículas. Considerando um sistema formado por essas partículas, nota-se que não há ação de forças externas e, portanto, momento e energia são constantes. As massas não são necessariamente as mesmas depois do choque. Pode haver troca de massa entre as partículas. Isso é mais usual no caso de partículas atômicas.

Choque genérico entre duas partículas
Fig 01
Da conservação dos momentos: b1 + b2 = b1' + b2' #A.1#.

Pela conservação da energia: Ec + Ep = Ec' + Ep'.

Ou Ec' − Ec = Ep − Ep' = E.

Ou seja, a grandeza E é a variação de energia cinética, que deve ser igual à variação de energia potencial.


Representando a energia cinética em termos de massa e velocidade,

E = (1/2) m1 v1'2 + (1/2) m2 v2'2 − (1/2) m1 v12 − (1/2) m2 v22 #B.1#.

Se E = 0, não há variação de energia cinética e o processo é denominado choque elástico.

Se E ≠ 0, ocorre o choque inelástico, podendo haver um decréscimo (E < 0) ou um acréscimo da energia cinética (E > 0). Em ambos os casos, a variação é compensada pela variação da energia potencial interna para obedecer ao princípio da conservação da energia.

Choque com uma das massas em repouso
Fig 02
Considera-se agora o caso particular de m2 em repouso conforme (a) da Figura 02. Após o choque, há uma situação como em (b).

Da conservação do momento linear, b1' + b2' = b1 ou b2' = b1b1'.

Por definição, b = m v. Assim, v2 = b2/m2. Substituindo os respectivos valores na igualdade anterior para a conservação de energia (#B.1#),

E = b1'2 / (2 m1') + b2'2 / (2 m2') − b12 / (2 m1).

Se o choque é elástico (E = 0) e as massas são iguais e se mantém, isto é, m1 = m2 = m1' = m2',

Exemplo de choque elástico de duas massas iguais com uma delas em repouso
Fig 03
b12 = b1'2 + b2'2.

Da conservação de momentos, b1 = b1' + b2'.

Na página Vetores I-10 pode ser visto que essa soma é:

b12 = b1'2 + b2'2 + 2 b1' . b2'.

Com a relação anterior (b12 = b1'2 + b2'2), pode-se concluir que o produto escalar b1' . b2' deve ser nulo.

Produto escalar nulo significa que os vetores b1' e b2' fazem ângulo de 90º. E um exemplo prático para isso é a trajetória após o choque de duas bolas em uma mesa de bilhar (Figura 03).

Notar que a suposição de m2 em repouso, apesar de ser um caso particular, pode ser estendida para qualquer caso. Basta considerar o sistema de coordenadas fixo em m2 e ajustar os demais parâmetros para essa condição.



Alguns exemplos de choque elástico

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As figuras deste tópico dão exemplos de choques elásticos frontais, isto é, a geometria do choque é tal que os movimentos estão no mesmo alinhamento. Assim, é possível usar apenas valores escalares nas expressões. Supõe-se também que as massas de cada partícula permanecem inalteradas após o choque (m1 = m1' e m2 = m2').

Choque elástico de duas massas iguais com uma delas em repouso
Fig 01
Conservação de momento: m1 v1 = m1 v1' + m2 v2'.

Conservação de energia: (1/2) m1 v12 = (1/2) m1 v1'2 + (1/2) m2' v2'2.

Considerando a igualdade matemática a2 − b2 = (a + b) (a − b), tem-se:

m1 (v1 − v1') (v1 + v1') = m2 v2'2.

Choque elástico de duas massas diferentes com a menor em repouso
Fig 02
Da anterior (momento), m1 (v1 − v1') = m2 v2'.

Substituindo,

v1 + v1' = v2'.

Substituindo na anterior,

Choque elástico de duas massas diferentes com a maior em repouso
Fig 03
v1' = [ (m1 − m2) / (m1 + m2) ] v1.

v2' = [ 2 m1 / (m1 + m2) ] v1.

E essas duas igualdades permitem deduzir resultados para diferentes relações entre m1 e m2 conforme Figuras 01, 02 e 03.




Exemplo de choque inelástico: pêndulo balístico

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Já visto que, no choque elástico, a energia cinética total se mantém constante. É claro que, nos processos reais, isso não ocorre rigorosamente, Há sempre uma variação. Mas, em vários casos, ela é tão pequena que pode ser desprezada.

Considera-se agora do choque inelástico. Naturalmente, a lei da conservação da energia continua válida, mas a parcela de energia cinética não é mais constante. Há transformação em outras formas de energia, como calor, ondas de choque, etc. Mas isso, em geral, não pode ser facilmente quantificado e pouco ajuda a determinação dos parâmetros após o choque.

Pêndulo balístico
Fig 01
Um caso extremo de choque inelástico é aquele em que as duas massas permanecem unidas após o choque como se fossem um corpo único. E o cálculo é possível através da lei da conservação dos momentos.

O pêndulo balístico é um arranjo simples, usado basicamente para medição da velocidade de projéteis disparados por armas de fogo.

Na Figura 01 (a), um projétil de massa m1 e velocidade v1 é disparado contra um pêndulo em repouso de massa m2. Logo após o choque - (b) da figura - o projétil penetra no pêndulo, mas não o atravessa, formando um corpo único com velocidade v'.

A energia cinética não se conserva porque uma parte é transformada em calor pelo atrito do projétil com o material do pêndulo. Mas pode-se usar a lei da conservação do momento para determinar a relação entre v1 e v':

m1 v1 + m2 v2 = m' v'. Ou m1 v1 + m2 0 = (m1 + m2) v'. Assim, v1 = v' (m1 + m2) / m1.

Entre (b) e (c), há uma massa única sob ação de força conservativa (gravidade). Assim, a conservação da energia é expressa pela simples soma da energia cinética com a energia potencial:

(1/2) m' v'2 + 0 = 0 + m' g h ou v' = √ (2 g h). Substituindo na anterior,

v1 = [ √ (2 g h) ] (m1 + m2) / m1. Ou seja, a velocidade do projétil é determinada em função de parâmetros medidos ou supostamente conhecidos:

g: aceleração da gravidade.
h: altura máxima alcançada pelo pêndulo.
m1: massa do projétil.
m2: massa do pêndulo.


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