Na maioria dos casos práticos, há sempre a presença de alguma força não conservativa, mesmo que seja desprezível ou não predominante. Exemplos: um corpo em queda livre sofre ação da gravidade (conservativa) e também do atrito com o ar (não conservativa). Um corpo que rola ou desliza sobre uma superfície sofre ação do atrito. E muitos outros casos.
Esta página traz algumas considerações teóricas básicas sobre forças de atrito e suas relações com a conservação da energia.
Energia e forças não conservativas |
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Se uma partícula está sob ação de forças conservativas, a lei da conservação da energia é dada pela fórmula já vista:
E
c + E
p = constante.
Onde E
c e E
p são as parcelas de energia cinética e potencial respectivamente. Para um trajeto entre dois pontos quaisquer 1 e 2, pode-se estão escrever:
Ec2 + Ep2 = Ec1 + Ep1 #A.1#.
Entretanto, se também ocorre ação de forças não conservativas (atritos), a equação anterior deve tomar a forma:
Ec2 + Ep2 = Ec1 + Ep1 + Wnc #B.1#.
Onde W
nc é o trabalho das forças não conservativas. Notar que ele é normalmente negativo porque atritos se opõem às direções dos movimentos.
Exemplo: a queda livre de um corpo de massa m, partindo da imobilidade (ponto 1, altura h) até o solo (ponto 2, altura 0). Se não há resistência do ar, ocorre apenas força conservativa (gravidade). Então,
E
c1 = 0. E
p1 = m g h. E
c2 = (1/2) m v
22. E
p2 = 0.
m v
22 + 0 = 0 + m g h
#C.1#. E a velocidade final v
2 pode ser facilmente calculada.
Se agora for considerada a resistência do ar, deve-se ter:
m v
22 + 0 = 0 + m g h + W
nc #D.1#. Desde que W
nc é um número negativo, a velocidade final deverá ser menor que a calculada pela igualdade anterior, fato que está em perfeita harmonia com a intuição prática.
Nos próximos tópicos, são dados alguns conceitos teóricos sobre forças de atrito em sólidos e em fluidos.
Seja um corpo de massa m que desliza sobre uma superfície plana conforme Figura 01 abaixo. No sentido vertical, a força peso
P ( = mg) é contrabalançada pela reação normal da superfície
N = −
P. Se uma força horizontal
F é aplicada para arrastar o corpo, a observação prática mostra que haverá uma força contrária
Fa, ou seja, uma força de atrito.
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| Fig 01 |
Teoricamente, a magnitude da força de atrito é proporcional à força normal:
Fa = μ N #A.1#.
O fator de proporcionalidade (μ) é denominado
coeficiente de atrito.
Para as mesmas superfícies e nas mesmas condições, o coeficiente de atrito apresenta dois valores distintos:
a) se o corpo está parado e F é a menor força que inicia o movimento, ocorre o
coeficiente de atrito estático (μ
e).
b) se o corpo se move em relação à superfície, ocorre o
coeficiente de atrito de deslizamento (μ
d).
Em qualquer caso, pode-se observar que μ
e > μ
d. Isso significa que a força mínima para iniciar o movimento é maior que a força mínima para manter o movimento.
Considerando o corpo em movimento, pode-se aplicar a lei de Newton para a força resultante:
m a = F − μd N #B.1#.
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| Fig 02 |
Um exemplo clássico do estudo de atrito é o plano inclinado conforme Figura 02.
O peso é P = mg e a força normal N = P cos α = m g cos α.
Supondo o corpo em movimento, este é o balanço das forças paralelas ao plano:
R = m a = F − P sen α − F
a = F − m g sen α − μ
d m g cos α.
F = m [ a + g (sen α + μd cos α) ] #C.1#.
Com essa equação, pode-se determinar facilmente a força necessária para movimentar o corpo para cima sob determinada aceleração a (se o movimento é uniforme, a = 0).
Na direção contrária (movimento para baixo), igualdade similar pode ser deduzida:
F = m [ a − g (sen α − μd cos α) ] #D.1#.
Outros casos de atrito entre sólidos e tabelas de coeficientes podem ser vistos nas páginas
Forças de atrito I-10 e
Forças de atrito I-20.
Quanto ao trabalho executado pela força de atrito, não há maiores dificuldades de cálculo. Desde que só depende da força normal, ela é constante em muitos casos, como neste exemplo do plano inclinado. Portanto, nessa condição, seria o simples produto matemático da força pelo deslocamento.
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| Fig 03 |
Se a questão é saber, para um determinado corpo e coeficiente de atrito, o maior ângulo α que o plano pode ter sem movimentar (Figura 03), usa-se o coeficiente estático.
F
a = μ
e N = μ
e m g cos α = m g sen α.
Simplificando a igualdade acima,
μe = sen α / cos α = tan α #E.1#.
Portanto, o maior ângulo que o plano pode ter sem movimentar o corpo é tal que sua tangente trigonométrica é igual ao coeficiente de atrito estático entre as superfícies em contato.
Atrito entre sólidos e fluidos |
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Se um corpo se move, em baixa velocidade, através de um fluido, a magnitude da força de atrito exercida pelo fluido é dada por:
Fa = K η v #A.1#. Onde:
K: coeficiente que depende da forma do corpo.
η: viscosidade dinâmica do fluido.
v: velocidade do deslocamento.
Para uma esfera de raio R, o valor de K é 6 π R. Substituindo na anterior,
Fa = 6 π R η v #B.1#. Essa igualdade é denominada equação ou lei de Stokes.
O conceito de viscosidade dinâmica pode ser visto na página
Fluidos I-10. A tabela abaixo dá valores de viscosidade dinâmica para alguns fluidos.
| Fluido |
η (10−1 Pa s) |
Fluido |
η (10−1 Pa s) |
| Acetona |
0,0032 |
Hélio (g) |
0,00019 |
| Água |
0,01 |
Óleo leve |
1,1 |
| Álcool etílico |
0,012 |
Óleo pesado |
6,6 |
| Amônia (g) |
0,000097 |
Mercúrio |
0,016 |
| Ar (g) |
0,00018 |
Metano (g) |
0,00020 |
| Dióxido de carbono (g) |
0,00015 |
Nitrogênio (g) |
0,00018 |
| Gasolina |
0,006 |
Oxigênio (g) |
0,00020 |
| Glicerina |
14,9 |
Vapor d'água 100 ºC (g) |
0,00013 |
| Hidrogênio (g) |
0,000093 |
- |
- |
1) No estado líquido se não indicado ou no estado gasoso se indicado por (g). Temperatura 20ºC.
2) A unidade 10−1 Pa s equivale a 1 Poise.