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Dinâmica I-40 Forças não conservativas


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Na maioria dos casos práticos, há sempre a presença de alguma força não conservativa, mesmo que seja desprezível ou não predominante. Exemplos: um corpo em queda livre sofre ação da gravidade (conservativa) e também do atrito com o ar (não conservativa). Um corpo que rola ou desliza sobre uma superfície sofre ação do atrito. E muitos outros casos.

Esta página traz algumas considerações teóricas básicas sobre forças de atrito e suas relações com a conservação da energia.


Energia e forças não conservativas

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Se uma partícula está sob ação de forças conservativas, a lei da conservação da energia é dada pela fórmula já vista:

Ec + Ep = constante.

Onde Ec e Ep são as parcelas de energia cinética e potencial respectivamente. Para um trajeto entre dois pontos quaisquer 1 e 2, pode-se estão escrever:

Ec2 + Ep2 = Ec1 + Ep1 #A.1#.

Entretanto, se também ocorre ação de forças não conservativas (atritos), a equação anterior deve tomar a forma:

Ec2 + Ep2 = Ec1 + Ep1 + Wnc #B.1#.

Onde Wnc é o trabalho das forças não conservativas. Notar que ele é normalmente negativo porque atritos se opõem às direções dos movimentos.

Exemplo: a queda livre de um corpo de massa m, partindo da imobilidade (ponto 1, altura h) até o solo (ponto 2, altura 0). Se não há resistência do ar, ocorre apenas força conservativa (gravidade). Então,

Ec1 = 0. Ep1 = m g h. Ec2 = (1/2) m v22. Ep2 = 0.

m v22 + 0 = 0 + m g h #C.1#. E a velocidade final v2 pode ser facilmente calculada.

Se agora for considerada a resistência do ar, deve-se ter:

m v22 + 0 = 0 + m g h + Wnc #D.1#. Desde que Wnc é um número negativo, a velocidade final deverá ser menor que a calculada pela igualdade anterior, fato que está em perfeita harmonia com a intuição prática.

Nos próximos tópicos, são dados alguns conceitos teóricos sobre forças de atrito em sólidos e em fluidos.



Atrito entre sólidos

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Seja um corpo de massa m que desliza sobre uma superfície plana conforme Figura 01 abaixo. No sentido vertical, a força peso P ( = mg) é contrabalançada pela reação normal da superfície N = − P. Se uma força horizontal F é aplicada para arrastar o corpo, a observação prática mostra que haverá uma força contrária Fa, ou seja, uma força de atrito.

Atrito entre sólidos
Fig 01
Teoricamente, a magnitude da força de atrito é proporcional à força normal:

Fa = μ N #A.1#.

O fator de proporcionalidade (μ) é denominado coeficiente de atrito.

Para as mesmas superfícies e nas mesmas condições, o coeficiente de atrito apresenta dois valores distintos:

a) se o corpo está parado e F é a menor força que inicia o movimento, ocorre o coeficiente de atrito estáticoe).

b) se o corpo se move em relação à superfície, ocorre o coeficiente de atrito de deslizamentod).

Em qualquer caso, pode-se observar que μe > μd. Isso significa que a força mínima para iniciar o movimento é maior que a força mínima para manter o movimento.

Considerando o corpo em movimento, pode-se aplicar a lei de Newton para a força resultante:

m a = F − μd N #B.1#.

Plano inclinado
Fig 02
Um exemplo clássico do estudo de atrito é o plano inclinado conforme Figura 02.

O peso é P = mg e a força normal N = P cos α = m g cos α.

Supondo o corpo em movimento, este é o balanço das forças paralelas ao plano:

R = m a = F − P sen α − Fa = F − m g sen α − μd m g cos α.

F = m [ a + g (sen α + μd cos α) ] #C.1#.

Com essa equação, pode-se determinar facilmente a força necessária para movimentar o corpo para cima sob determinada aceleração a (se o movimento é uniforme, a = 0).

Na direção contrária (movimento para baixo), igualdade similar pode ser deduzida:

F = m [ a − g (sen α − μd cos α) ] #D.1#.

Outros casos de atrito entre sólidos e tabelas de coeficientes podem ser vistos nas páginas Forças de atrito I-10 e Forças de atrito I-20.

Quanto ao trabalho executado pela força de atrito, não há maiores dificuldades de cálculo. Desde que só depende da força normal, ela é constante em muitos casos, como neste exemplo do plano inclinado. Portanto, nessa condição, seria o simples produto matemático da força pelo deslocamento.

Plano inclinado: ângulo máximo de repouso
Fig 03
Se a questão é saber, para um determinado corpo e coeficiente de atrito, o maior ângulo α que o plano pode ter sem movimentar (Figura 03), usa-se o coeficiente estático.

Fa = μe N = μe m g cos α = m g sen α.

Simplificando a igualdade acima,

μe = sen α / cos α = tan α #E.1#.

Portanto, o maior ângulo que o plano pode ter sem movimentar o corpo é tal que sua tangente trigonométrica é igual ao coeficiente de atrito estático entre as superfícies em contato.



Atrito entre sólidos e fluidos

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Se um corpo se move, em baixa velocidade, através de um fluido, a magnitude da força de atrito exercida pelo fluido é dada por:

Fa = K η v #A.1#. Onde:

K: coeficiente que depende da forma do corpo.
η: viscosidade dinâmica do fluido.
v: velocidade do deslocamento.

Para uma esfera de raio R, o valor de K é 6 π R. Substituindo na anterior,

Fa = 6 π R η v #B.1#. Essa igualdade é denominada equação ou lei de Stokes.

O conceito de viscosidade dinâmica pode ser visto na página Fluidos I-10. A tabela abaixo dá valores de viscosidade dinâmica para alguns fluidos.

Fluido η (10−1 Pa s) Fluido η (10−1 Pa s)
Acetona 0,0032 Hélio (g) 0,00019
Água 0,01 Óleo leve 1,1
Álcool etílico 0,012 Óleo pesado 6,6
Amônia (g) 0,000097 Mercúrio 0,016
Ar (g) 0,00018 Metano (g) 0,00020
Dióxido de carbono (g) 0,00015 Nitrogênio (g) 0,00018
Gasolina 0,006 Oxigênio (g) 0,00020
Glicerina 14,9 Vapor d'água 100 ºC (g) 0,00013
Hidrogênio (g) 0,000093 - -

1) No estado líquido se não indicado ou no estado gasoso se indicado por (g). Temperatura 20ºC.
2) A unidade 10−1 Pa s equivale a 1 Poise.


Última atualização ou revisão: Dez/2007 Índice do grupo | Página anterior | Próxima página |
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