Introdução - Forças conservativas |
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De acordo com conceitos já vistos, o trabalho infinitesimal de uma força
F cujo ponto de aplicação se desloca em uma trajetória genérica C, conforme Figura 01 (a), é dado por:
dW =
F · d
r #A.1#. É, portanto, o produto escalar do vetor força
F pelo vetor deslocamento infinitesimal d
r na trajetória.
Entre dois pontos quaisquer A e B, conforme (b) da mesma figura, o trabalho é dado pela integração W
A,B = ∫
A,B F · d
r #B.1#.
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| Fig 01 |
Por essa relação, pode-se dizer que, por via de regra, o trabalho entre dois pontos é dependente do trajeto que a força percorre entre esses pontos. Assim, o trabalho entre A e B dependeria do caminho considerado (C, C', C'', C'', etc)
Mas há situações em que o trabalho é independente do caminho, relacionando-se apenas com a posição física (coordenadas) dos pontos A e B. Nesses casos, diz-se que a força
F pertence à classe das
forças conservativas.
Pode-se então expressar, de forma genérica, a igualdade anterior para forças conservativas:
WA,B = ∫A,B F · dr = Ep(A) − Ep(B) #C.1#.
Nessa igualdade, Ep é uma função que depende apenas da posição do ponto. Em Ep(A), por exemplo,
A significa as coordenadas do ponto A, equivalente a Ep(A
x, A
y) ou Ep(A
x, A
y, A
z) se for em três dimensões.
Essa função Ep, cuja diferença entre dois pontos é o trabalho de uma força conservativa entre eles, é denominada
energia potencial. Como se trata de diferença entre dois valores, um deles é arbitrário. Em geral, costuma-se adotar uma posição de referência com energia potencial zero.
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| Fig 02 |
A Figura 02 dá dois exemplos de forças conservativas.
Em (a), há o caso da ação gravitacional, já vista em página anterior. Considera-se o nível do solo A como referência e, portanto, Ep(A) = 0.
Se um corpo de peso P é levado de A até B, situado a uma altura h, a energia potencial em B é dada por
Ep(B) = P h = m g h #D.1#.
Essa igualdade simples ocorre porque a força peso é constante em direção e em magnitude (aproximação válida para alturas relativamente pequenas). Assim, o trabalho é o produto matemático da força pelo deslocamento.
No caso de uma
mola ideal como em (b) da figura, a magnitude da força não é constante porque, conforme lei de Hooke, F = k x, onde k é a constante da mola. Assim, para um deslocamento x, é preciso fazer a integração.
W = ∫
0,x k x dx = (1/2) k x
2. Portanto, a energia potencial em B (supondo nula em A) é
Ep(B) = (1/2) k x2 #E.1#.
Notar que uma característica importante das forças conservativas é a
reversibilidade do processo. No caso da mola, por exemplo, o trabalho gasto para estender de A até B é recuperado quando ela se contrai de B até A. Coisa similar ocorre quando o peso P é levado de A até B e retorna de B para A. Forças não conservativas não apresentam essa propriedade. O trabalho executado por uma força não conservativa é dissipado na forma de calor. Forças de atrito são os exemplos mais comuns de forças não conservativas.
Formulação genérica da energia potencial |
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A equação #C.1# do tópico anterior permite escrever:
F · d
r = − dEp
#A.1#. Pela definição de produto escalar e de acordo com (a) da Figura 01 do tópico anterior,
F . d
r = − F dr cos φ
#A.2#. Mas a diferença infinitesimal dr pode ser vista como um caminho dC correspondente na curva. Assim,
F cos φ = F
T = − dEp / dC
#B.1#.
Isso significa que o componente da força, F
T, na "direção" da curva é dado pela derivação da energia potencial em relação à mesma. Por analogia pode-se então supor que, num sistema de coordenadas, os componentes das forças são dados pela derivação da energia potencial em relação a cada eixo. Generalizando para um sistema tridimensional,
| Fx = − ∂ Ep / ∂ x |
Fy = − ∂ Ep / ∂ y |
Fz = − ∂ Ep / ∂ z |
#C.1# |
Usando vetores unitários, pode-se representar o vetor
F em função dos componentes dados acima:
F = − (∂ Ep / ∂ x) i − (∂ Ep / ∂ y) j − (∂ Ep / ∂ z) k #D.1#.
Onde
i,
j,
k são os vetores unitários nos eixos x, y, z respectivamente. Mas, de acordo com a definição do operador vetorial, essa igualdade equivale a
F = − grad Ep #E.1#. Ou seja, a força é igual ao negativo do
gradiente da energia potencial.
Uma
força central é que se dirige sempre para o mesmo ponto, independente do seu ponto de ação. Na Figura 01 (a) deste tópico, supõe-se que
F é uma força central dirigida para a origem O do sistema de coordenadas.
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| Fig 01 |
Se o deslocamento d
r é decomposto em componentes ao longo de
F (dr) e perpendicular à mesma (r dα), pode-se determinar os componentes da força em função da energia potencial de forma similar à do tópico anterior.
Mas o componente perpendicular é nulo porque a força é central. Assim,
F = − dEp / dr #A.1#.
Essa igualdade significa que, para uma força central, a energia potencial só depende da distância em relação ao centro de aplicação da força.
Outro aspecto, intuitivo e importante, é dado em (b) da mesma figura: se uma força conservativa percorre um caminho fechado, o trabalho realizado é nulo porque os pontos inicial e final (A e B) coincidem e, portanto, Ep(A) = Ep(B).
∫O F · dr = 0 #B.1#. Onde o índice
O significa a integral ao longo de um caminho fechado. Notar que isso não é verdadeiro para forças não conservativas (atrito).
Exemplo 01: na Figura 01 (a), um corpo de massa m está a uma altura h da extremidade superior de uma mola vertical de constante k.
Se o corpo é deixado cair, ele atinge a mola depois de algum tempo como em (b) da figura. Depois, a mola sofre uma deformação máxima d, como em (c) da figura.
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| Fig 01 |
Deseja-se saber essa deformação máxima em função dos parâmetros supostamente conhecidos m, h e k. É suposta uma situação ideal, isto é, sem atritos e aceleração da gravidade constante e igual a g.
Considera-se o nível A como referência, isto é, energia potencial nula Ep(A) = 0.
Em B o corpo está em repouso. Portanto, energia cinética nula e energia potencial m g h. Ao chegar em A, a energia potencial será nula.
Segundo o princípio da conservação da energia,
E
total = Ec(A) + Ep(A) = Ec(B) + Ep(B)
E
total = 0 + m g h = (1/2) m v
B2 + 0.
Na deformação máxima da mola (C da figura), a velocidade é nula e, portanto, a energia cinética também é. E a energia total deve ser igual à energia potencial do corpo mais a energia potencial de deformação da mola. Esta última, conforme #E.1# de
Introdução - Forças conservativas é dada por (1/2) k d
2. Assim,
E
total = − m g d + (1/2) k d
2. Igualando com a anterior, − m g d + (1/2) k d
2 = m g h.
(1/2) k d
2 − m g d − m g h = 0. E a deformação máxima d é uma das soluções dessa equação do segundo grau.
Exemplo 02: em (a) da Figura 02, uma mola livre de constante k. Em (b) um disco de massa m
1 é colocado sobre a mola e a condição de equilíbrio é alcançada, contraindo a mola de uma distância d
1. Um corpo de massa m
2 está a uma altura h desse disco. O corpo é liberado e, em (c), há o impacto com o disco, que é suposto perfeitamente plástico. Devido ao impacto, a deformação da mola aumenta até um acréscimo máximo d
2, indicado em (d) da figura. Deseja-se saber os valores d
1 e d
2 sob as seguintes premissas:
Constante da mola k = 17.500 N/m | Massa m
1 = 12 kg | Massa m
2 = 24 kg | Altura h = 1,8 m | Aceleração da gravidade g = 9,81 m/s
2 | Condições ideais, sem atritos |
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| Fig 02 |
A deformação d
1 é estática e, portanto, é calculada pelo simples equilíbrio entre o peso da massa m
1 e a força da mola: m
1 g = k d
1.
d
1 = 12 9,81 / 17.500 ≈ 0,0067 m.
No choque perfeitamente plástico, as duas massas se juntam após a colisão, como se fossem um único corpo. Então, a velocidade comum v pode ser determinada pela conservação do momento linear no choque:
m
1 v
1 + m
2 v
2 = (m
1 + m
2) v.
A velocidade inicial da massa m
1 é nula, v
1 = 0. O valor de v
2 é dado pela queda livre de m
2 na altura h.
v
22 = 2 g h = 2 9,81 1,8 ≈ 35,3. Ou v
2 ≈ 5,94 m/s. Portanto, 12 0 + 24 5,94 = (12 + 24) v ou v = 142,56 / 36 ≈ 3,96 m/s.
Considerando o nível C referência para a energia potencial gravitacional, a energia total em C deve ser igual a
E
total = 0 + (1/2) k d
12 + (1/2) (m
1 + m
2) v
2 = 0 + 0,5 17500 0,0067
2 + 0,5 (12 + 24) 3,96
2 ≈ 282,66 J.
Desde que a velocidade em D é nula, a energia total é igual à soma da energia potencial das duas massas com a energia potencial de deformação da mola:
E
total = − (m
1 + m
2) g d
2 + (1/2) k (d
1 + d
2)
2. Fazendo d = d
1 + d
2, tem-se d
2 = d − 0,0067. Substituindo,
E
total = − (12 + 24) 9,81 (d − 0,0067) + 0,5 17500 d
2. Igualando com o valor anterior,
− (12 + 24) 9,81 (d − 0,0067) + 0,5 17500 d
2 = 282,66. Ou, de forma aproximada,
8750 d
2 − 353 d − 280 = 0. A solução viável é d ≈ 0,20 m. Portanto, d
2 ≈ 0,20 − 0,0067 ≈ 0,19 m.