Momento linear e leis de Newton |
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Momento linear p (ou
quantidade de movimento) de um corpo é uma grandeza vetorial dada pelo produto da massa pela velocidade:
p = m v #A.1#.
O conceito de momento linear se encaixa de forma bastante clara na prática. Exemplo: um veículo carregado é mais difícil de ser parado que o mesmo veículo vazio, porque a quantidade de movimento do primeiro é maior.
A
lei da conservação do momento estabelece que o momento linear total é constante para um conjunto ou sistema de partículas isolado, isto é, que só interagem entre si:
p = p1 + p2 + … = constante #B.1#.
Notar que isso não significa que o momento de cada é invariável. Apenas a soma é. Assim, se o momento de uma diminui, o de outra ou de outras terão de aumentar para compensar a variação.
Exemplo: uma arma, ao ser disparada, produz um retrocesso. Antes do disparo, os momentos da arma e do projétil eram nulos e, portanto, o momento total também. Após o disparo, o projétil adquiriu um momento não nulo. E o corpo da arma deverá adquirir um momento não nulo e oposto ao do projétil para manter o total zero.
Primeira lei de Newton
Um corpo que não sofre ação de outros (ou seja, é livre) está em repouso ou em movimento retilíneo uniforme. Em termos de momento linear, essa lei pode ser escrita:
O momento linear de um corpo livre é constante.
Segunda lei de Newton
A força que age sobre uma partícula é igual à variação do momento linear com o tempo.
F = dp / dt #C.1#.
Da definição acima e da primeira lei, conclui-se que é nula a força atuante sobre um corpo em repouso ou em movimento retilíneo uniforme.
Considerando a definição de momento (#A.1#),
F = d(m
v) / dt. Se a massa é constante,
F = m d(v) / dt = m a #D.1#. Onde
a = aceleração.
Portanto,
se a massa é constante, a força é igual ao produto da massa pela aceleração.
No Sistema Internacional, a unidade de força é o Newton (N), equivalente a 1 kg m/s
2. Outras unidades podem ser vistas na página
Conversão de unidades de força.
Um corpo próximo da superfície terrestre é submetido a uma força devido ao campo gravitacional da Terra. Essa é denominada
peso P e, para este caso específico, a igualdade anterior é normalmente escrita:
P = m g #D.2#. Onde
g é a
aceleração da gravidade (≈ 9,81 m/s
2).
Terceira lei de Newton
Quando duas partículas interagem somente entre si, as forças que uma exerce na outra são iguais e opostas.
Esse princípio, também denominado lei da ação e reação, é conseqüência da lei da conservação do momento linear. Seja #B.1# para duas partículas:
p1 +
p2 = constante. Derivando em relação ao tempo, d
p1 / dt + d
p2 / dt = 0. Considerando a relação #C.1#,
F1 +
F2 = 0 ou
F1 = −
F2.
Forças atuantes sobre uma partícula em movimento |
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A Figura 01 deste tópico representa uma partícula em um movimento genérico, com velocidade
v e aceleração
a. Segundo página
Cinemática I-10, a aceleração pode ser dada pela soma vetorial dos componentes tangencial e normal.
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| Fig 01 |
Considerando a definição dada no tópico anterior (
F = m
a), o vetor força é alinhado com o vetor aceleração, conforme indicado na figura.
A decomposição nas direções tangencial e normal resulta em:
Ft = m
at #A.1#.
Fn = m
an #A.2#.
A força normal F
n está sempre voltada para o centro de curvatura da trajetória da partícula. Por isso, é denominada
força centrípeta,
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| Fig 02 |
No caso particular do movimento circular uniforme (Figura 02), a aceleração tangencial é nula, existindo apenas o componente normal. Ver página
Cinemática II-10.
E a aceleração normal é dada por:
a
n = ω
2 R
#B.1#.
Onde ω é a velocidade angular.
Portanto, a única força atuante sobre uma partícula em movimento circular uniforme é a força centrípeta (F da figura), que é dada por:
F = m ω2 R #B.2#.
Diante dessa evidência, o conceito de
força centrífuga pode provocar alguma confusão, pois não há outra força atuando sobre a partícula. Mas isso ocorre devido à mudança do sistema de referência.
Seja o caso prático de um automóvel que executa um movimento circular uniforme (pode ser uma curva qualquer, mas outras forças estarão envolvidas porque haverá também o componente tangencial da aceleração. Supõe-se circular uniforme por simplicidade). Neste caso, os passageiros sentem uma força para fora da curva, na direção oposta à da força centrípeta. Mas isso é observado porque o sistema de referência é o automóvel executando a curva, não é um sistema inercial (em repouso ou em movimento retilíneo uniforme).
Portanto, pode-se dizer que, na referência do automóvel, há uma
força centrífuga que empurra os passageiros para fora da curva. Naturalmente, deve ter mesma intensidade e sinal oposto ao da centrípeta ( − m ω
2 R).
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| Fig 03 |
Exemplo
Na Figura 03, uma pequena esfera de material rígido pode rolar sem deslizamento sobre uma superfície plana e horizontal.
São desprezadas quaisquer forças de atrito, seja com o ar, seja com o material da superfície.
Se a esfera é amarrada a um fio preso a um ponto O conforme (a) da Figura 01 e posta a girar, pode-se dizer que a única força nela atuante é a força centrípeta, uma vez que o seu peso é contrabalançado pela reação da superfície.
Portanto, num determinado ponto A da trajetória, ela tem velocidade v
A. Se, nesse ponto A, o fio se parte como em (b) da figura, o total das forças atuantes na esfera passa a zero. Assim, conforme primeira lei de Newton, ela terá um movimento retilíneo uniforme com velocidade v
A, ou seja, o movimento será nessa velocidade, na direção da tangente à circunferência no ponto A.