Em (a) da Figura 01 há um movimento ao longo da circunferência C. Os pontos A e B correspondem a um arco infinitesimal de ângulo dφ. Pela definição de ângulo, esse arco é igual a R dφ. Considerando agora a definição de velocidade, em termos escalares,
v = d (R dφ) / dt. Mas, para a circunferência, R é constante. Assim,
v = R dφ / dt #A.1#.
O termo
ω = dφ / dt #B.1# é denominado
velocidade angular correspondente ao movimento circular. Ela indica a variação do deslocamento angular em relação ao tempo.
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| Fig 01 |
Pode-se então escrever
v = ω R #C.1#.
No aspecto vetorial, supõe-se uma situação genérica como em (b) da mesma figura. O vetor
r de posição é dado em relação a uma origem qualquer 0 na vertical que passa pelo centro do círculo.
Então o raio R é dado por
R = r sen β. Substituindo na anterior,
v = ω r sen β.
Essa igualdade sugere um produto vetorial. Portanto, pode-se definir velocidade angular como um vetor
ω tal que
v = ω × r #D.1#.
Pelo produto vetorial, conclui-se que o vetor
ω deve ser perpendicular ao círculo. E a simetria da questão indica que ele deve passar pelo centro. Naturalmente, a definição só é válida para movimento circular, r e β constantes conforme (b) da figura.
A unidade básica de velocidade angular no Sistema Internacional (SI) é o
radiano por segundo (rad/s). Na prática, é disseminado o uso de
rotação por minuto (rpm), equivalente a (2 π / 60) ou (π / 30) rad/s (no caso de rpm, é comum o símbolo
n no lugar de
ω).
Movimento circular uniforme |
Topo | Fim |
Um movimento circular é dito uniforme se a velocidade angular é constante. Considerando as igualdades do tópico anterior, pode-se deduzir que isso implica módulo da velocidade constante. O vetor
v em si não é constante porque sua direção varia continuamente. Apenas a intensidade é constante.
Com ω invariável, pode-se dispensar relações infinitesimais e usar intervalos finitos, ω = Δφ / Δt. Supondo valores iniciais nulos para ângulo e tempo, estas são as igualdades comuns:
Se considerado um valor inicial não nulo para o ângulo, o resultado é uma fórmula similar à do deslocamento no movimento retilíneo uniforme:
φ = φ0 + ω t #B.1#.
Existem ainda dois importantes parâmetros para esse tipo de movimento, cujas relações podem ser facilmente deduzidas a partir das igualdades anteriores:
| Nome e símbolo usual |
Definição |
Relação com ω |
Relação com o outro |
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| Período (P) |
Tempo de uma rotação completa |
P = 2 π / ω |
P = 1 / f |
#C.1# |
| Freqüência (f) |
Rotações por unidade de tempo |
f = ω / (2 π) |
f = 1 / P |
#D.1# |
Por ser um intervalo de tempo, a unidade do período é, naturalmente, o segundo (s) no Sistema Internacional. Sendo o inverso do período, a unidade da freqüência deve ser 1/s ou s
-1, que é denominado Hertz (Hz) no Sistema Internacional.
Aceleração no movimento circular |
Topo | Fim |
Em página anterior foi visto que, de forma genérica, o vetor aceleração não tem necessariamente a mesma direção do vetor velocidade. Também visto que, numa análise mais abrangente, o vetor aceleração é decomposto nas parcelas tangencial (mesma linha da velocidade) e normal (perpendicular à velocidade). A Figura 01 (a) representa isso para um movimento circular.
E as fórmulas dessa página podem ser usadas para este caso particular (considerando valores escalares):
a
T = dv / dt = d(ωR) / dt = R dω / dt
#A.1#.
a
N = v
2 / R = (ωR)
2 / R = ω
2 R
#B.1#.
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| Fig 01 |
Se o movimento é circular uniforme, ω = constante. E, conforme igualdade anterior #A.1#, a aceleração tangencial a
T deve ser nula porque dω/dt = 0 nesse caso.
Portanto, no movimento circular uniforme só há o componente normal da aceleração, ou seja, a = a
N, conforme indicado em (b) da mesma figura.
O componente normal da aceleração é também denominado
aceleração centrípeta, que, obviamente, é a única aceleração do movimento circular uniforme.
De outra forma, a aceleração no movimento circular uniforme pode ser deduzida a partir do produto vetorial
v =
ω x
r. Por definição
a = d
v / dt. Sendo
ω constante, ocorre
a =
ω x d
r / dt =
ω x
v. Em (b) da figura pode-se notar que esse produto vetorial deve ser um vetor normal ao vetor da velocidade.
A
aceleração angular α é definida de forma similar à da aceleração convencional:
α = dω / dt #C.1#.
No Sistema Internacional, a unidade básica de aceleração angular é o radiano por segundo por segundo (rad/s
2).
Um movimento circular é dito
uniformemente acelerado se
α é constante. E as relações de velocidade angular e deslocamento angular são dadas pelas igualdades abaixo, que podem ser facilmente deduzidas por meios semelhantes aos do movimento retilíneo uniformemente acelerado:
| ω = ω0 + α t #D.1# |
φ = φ0 + ω0 t + (1/2) α t2 #E.1# |
No conceito prático de tempo, a Terra dá uma revolução completa em um dia ou 24 x 60 x 60 = 86.400 segundos. Em princípio, pode-se imaginar que este seja o período de rotação da Terra e calcular sua velocidade angular de acordo com a igualdade #C.1# do tópico
Movimento circular uniforme (P = 2 π / ω).
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| Fig 01 |
Entretanto, o período real é ligeiramente menor. A Figura 01 deste tópico procura esclarecer o fato (não há nenhuma escala. As proporções estão exageradas por questão de clareza).
O dia prático, também denominado
dia solar médio, representa o intervalo entre sucessivas observações do Sol na mesma direção. Mas a Terra não é estática em relação ao Sol. Ela descreve uma órbita em torno dele.
Supõe-se que, em um determinado instante, a Terra está na posição O e um observador vê o Sol na direção OA.
Depois de uma revolução completa em torno do seu eixo, a Terra terá se deslocado para uma posição O' na sua órbita. Desde que o giro foi de 360º, a direção de observação O'A' é paralela à anterior OA. Mas isso significa que o Sol não será mais visto na mesma direção. Assim, para observar o Sol na mesma direção aparente (O'A''), a Terra deverá girar um pouco além do seu período real de rotação.
O período real de rotação da Terra, denominado
dia sideral, é aproximadamente P ≈ 86.164 segundos. Usando a fórmula mencionada (P = 2 π / ω ou ω = 2 π / P), o resultado é ω
Terra ≈ 7,292 10
−5 rad/s.
Neste exemplo, deseja-se calcular a velocidade e a aceleração de um ponto qualquer da superfície terrestre.
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| Fig 01 |
É usado o valor anterior da velocidade angular, isto é,
ω
Terra ≈ 7,292 10
-5 rad/s.
A Terra é considerada esférica e raio R
Terra ≈ 6,372 10
6 m.
Para um ponto A na linha do equador, o raio é
OA = R
Terra. Para uma latitude genérica β (ponto B), o raio é
O'B = R
Terra cos β.
Conforme #C.1# do tópico
Velocidade angular, a velocidade tangencial para um ponto genérico é:
v = ω R = ω
Terra R
Terra cos β ≈ 465 cos β.
Desde que o movimento é uniforme, há apenas aceleração normal, dada pela igualdade #B.1# do tópico
Aceleração no movimento circular:
a
N = ω
Terra2 R
Terra cos β ≈ 3,39 10
-2 cos β.
A conclusão óbvia é que velocidade e aceleração variam com a latitude. Valores máximos estão na linha do equador (v
A na figura) e diminuem gradativamente (v
B) com o aumento da latitude β, chegando a valores nulos nos pólos.