Movimento com aceleração constante |
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Se não levada em conta a resistência do ar, a única força que atua em um corpo que se move próximo da superfície terrestre é o seu peso. Supõe-se também, é claro, que o corpo não possui nenhum meio próprio de propulsão.
Conforme segunda lei de Newton, a força atuante (peso) é dada por
P = m
g, onde m é a massa do corpo e
g a aceleração da gravidade.
A Terra tem um formato aproximadamente esférico e, em teoria, as forças dos pesos devem convergir para o centro. E a ação da gravidade deve variar com a altitude. Entretanto, considerando o tamanho do planeta, em muitos casos práticos podemos desprezar as variações. Nessas hipóteses, uma porção da superfície terrestre é suposta plana e a aceleração da gravidade, invariável, ou seja, o corpo se move com aceleração constante.
Nessas condições, pode-se obter aproximações simples para diversos casos práticos, como a queda livre de um corpo, o arremesso de um corpo por uma pessoa, um projétil disparado por uma arma e outros similares.
A Figura 01 mostra os conceitos básicos de velocidade vetorial que serão aqui empregados.
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| Fig 01 |
Um corpo segue uma trajetória genérica dada pela curva indicada. Em um determinado instante, ele está na posição P(x,y). O vetor correspondente a essa posição é
r. Os componentes de
r são as coordenadas de P.
r
x = x e r
y = y
#A.1#.
A
velocidade v é um vetor tangente à trajetória e é dada por
v = d
r / dt
#B.1#, onde t é o tempo.
A
aceleração é o vetor
a dado por
a = d
v / dt
#C.1#. Não tem necessariamente o mesmo alinhamento da velocidade.
A Figura 02 dá um diagrama típico de posições. O nível do solo é suposto coincidente com o eixo X e o corpo é lançado da posição inicial A (altura y
0) com velocidade
v0 e ângulo α com a horizontal.
Desde que o corpo está sujeito apenas à gravidade e esta é supostamente constante, usa-se, em vez de
a, o símbolo
g (aceleração da gravidade). E
g é um vetor constante em qualquer posição do corpo conforme figura.
De #C.1#, d
v =
g dt. Integrando, ∫ d
v =
g ∫ dt porque
g é constante. A solução das integrais requer um intervalo. Seja o tempo de 0 a t e a velocidade de v
0 a v. Assim,
v −
v0 =
g t ou
v = v0 + g t #D.1#.
De #B.1#, d
r =
v dt. Integrando e substituindo o valor de
v anterior, ∫ d
r = ∫ (
v0 +
g t) dt. Resolvendo,
r = r0 + v0 t + (1/2) g t2 #E.1#.
Essa é a equação genérica da posição do corpo (vetor
r) em relação ao tempo, que corresponde a uma trajetória parabólica conforme indicado na figura. Notar que, sendo
g constante, o caminho depende apenas da velocidade inicial
v0 e da posição inicial
r0 (ponto A da figura).
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| Fig 02 |
Voltando à igualdade #D.1#, pode-se separar os componentes horizontais e verticais dos vetores:
vx +
vy =
v0x +
v0y +
gx t +
gy t.
Mas a aceleração da gravidade é vertical. Portanto,
gx = 0 e
g =
gy.
vx +
vy =
v0x +
v0y +
gy t. Separando,
vx = v0x #F.1#.
vy = v0y + g t #G.1#.
Essas igualdades mostram que a velocidade horizontal é constante e igual a
v0 e a velocidade vertical varia linearmente com o tempo (a primeira conclusão é resultado de
g não ter componente horizontal).
Procedimento similar é usado para a posição (equação #B.1#):
rx +
ry =
r0x +
r0y +
v0x t +
v0y t + (1/2)
g t
2. Mas
r0x = 0 e
g é vertical, similar ao anterior.
rx =
v0x t
#H.1#.
ry =
r0y +
v0y t + (1/2)
g t
2 #I.1#.
As relações acima estão em sintonia com as anteriores: o movimento horizontal é uniforme e o vertical, uniformemente acelerado.
As igualdades anteriores (de #F.1# a #I.1#) permitem trabalhar com escalares porque são componentes no mesmo alinhamento. Deverá ser adotado sinal negativo para
g porque o vetor é dirigido para baixo.
Considerando as relações:
| v0x = v0 cos α |
v0y = v0 sen α |
r0y = y0 |
rx = x |
ry = y |
#J.1# |
Obtém-se as igualdades:
| vx = v0 cos α |
vy = v0 sen α − g t |
x = v0 (cos α) t |
y = y0 + v0 (sen α) t − (1/2) g t2 |
#K.1# |
Em B, o corpo atinge a máxima altitude. Nesse ponto v
y = 0. E, com a segunda igualdade de #K.1#, o tempo pode ser determinado: t
B = v
0 sen α / g. Substituindo na quarta igualdade,
Altura máxima = y
B = y
0 + v
0 sen α v
0 sen α / g − (1/2) g v
02 sen
2 α / g
2 . Ou
yB = y0 + v02 sen2 α / (2 g) #L.1#.
Na terceira igualdade de #K.1#, pode-se fazer t = x / (v
0 cos α). Substituindo na quarta igualdade,
y = y
0 + v
0 (sen α) x / (v
0 cos α) − (1/2) g x
2 / (v
02 cos
2 α).
y = y0 + (tan α ) x − [ g / (2 v02 cos2 α) ] x2 #M.1#.
Essa é a trajetória (parábola) do corpo. Se, por exemplo, se deseja saber a distância x
E, basta resolver a equação para y = − y
0.
A simetria da curva permite concluir que o tempo para atingir o ponto D é o dobro do tempo (já visto) de B:
t
D = 2 t
B = 2 v
0 sen α / g. Substituindo na terceira igualdade de #K.1#,
x
D = v
0 (cos α) 2 v
0 sen α / g = 2 v
02 (sen α cos α) / g = v
02 (sen 2α) / g
#N.1#.
Isso demonstra que o
máximo alcance é obtido com α = 45º. Mas essas considerações são para y
0 = 0. Se y
0 > 0, deve ser estudada a distância x
E.
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| Fig 03 |
Alguns exemplos
A Figura 03 mostra alguns casos particulares em relação ao diagrama genérico anterior.
Em (a), o corpo é lançado na horizontal.
Em (b), com v
0x = v
0y = 0 ou v
0 = 0, há a queda livre de um corpo.
Em (c), o corpo é lançado verticalmente para cima.
Em (d) ocorre a situação do tópico anterior, com y
0 = 0, ou seja, o corpo é lançado ao nível do solo.
Um exemplo numérico para a última hipótese: seja um projétil disparado por uma arma, com ângulo α = 35º. Pode-se estimar v
0 = 250 m/s.
Conforme #N.1#, o alcance é x
D = 250
2 sen (2 35) / 9,81 ≈ 5897 m.
A altura máxima, segundo #L.1#, é y
B = 0 + 250
2 sen
2 35 / (2 9,81) ≈ 1048 m.
Deve-se levar em conta que a velocidade é alta e, portanto, o efeito do atrito com o ar é significativo. Resultados práticos devem ser inferiores.