Em página anterior, foi dado que o vetor velocidade é sempre tangente à curva do caminho percorrido pelo corpo. Se a curva é uma reta, um segmento tangente coincide com a mesma. Portanto, o vetor velocidade está sobre essa reta.
Também visto que o componente normal da aceleração é igual a
aN = (v
2/R
C)
N, onde R
C é o raio de curvatura do caminho. Se ele é reto, R
C = ∞. Isso significa que o componente normal é nulo, restando apenas o tangencial. Assim, o vetor aceleração também é coincidente com a reta.
Se o caminho coincide com um eixo do sistema de coordenadas, por exemplo X, o vetor posição r está também sobre esse eixo. Com todos os vetores na mesma linha, pode-se dispensar a notação vetorial e trabalhar apenas com escalares no caso de movimento retilíneo. Assim, são usados x em vez de
r, v em vez de
v e a no lugar de
a.
| v = dx / dt #A.1# |
a = dv / dt #B.1# |
Se v > 0, o movimento tem sentido da esquerda para a direita e o contrário se v < 0. Se a e v têm o mesmo sinal, o valor absoluto da velocidade aumenta com o tempo e vice-versa.
Pode-se perfeitamente usar o eixo Y no lugar do X. Isso é apenas uma questão de conveniência para cada caso.
Movimento retilíneo uniforme |
Topo | Fim |
No movimento retilíneo uniforme, a velocidade v é constante e diferente de zero. Assim, de acordo com #B.1# do tópico anterior, a aceleração é a = 0 (notar que este tipo é o único que tem rigorosamente velocidade constante. Se o caminho não é reto, mesmo que a intensidade da velocidade seja constante, a direção do vetor velocidade varia e, portanto, a aceleração será sempre diferente de zero).
De #A.1# do tópico anterior, dx = v dt. Fazendo a integração,
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| Fig 01 |
∫ dx = v ∫ dt (porque v é constante).
Para resolver as integrais, é preciso definir intervalos.
Para a posição, o intervalo é de
x0 até
x (x
0 não coincide necessariamente com a origem 0 do eixo X).
Para o tempo, consideram-se
t = 0 em
x0 e
t = t em
x.
A solução da integral anterior é x = v t. Aplicando os intervalos,
x − x
0 = v (t − 0). Reagrupando,
x = x0 + vt #A.1#.
Em (b) e (c) da Figura 01 são dados, respectivamente, os gráficos em relação ao tempo da velocidade v (constante) e distância percorrida x conforme equação anterior.
Movimento retilíneo uniformemente acelerado |
Topo | Fim |
Para esse tipo, a aceleração
a é constante e diferente de zero. De forma similar à do tópico anterior, considera-se, conforme (a) da Figura 01, o intervalo de
x0 a
x. Os demais intervalos são, respectivamente, de
t = 0 a
t = t para o tempo e de
v = v0 a
v = v para a velocidade, porque ela não é constante.
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| Fig 01 |
De #B.1# do tópico
Movimento retilíneo, dv = a dt. Fazendo a integração,
∫ dv = a ∫ dt (porque
a é constante). A solução é
v = a t.
Aplicando os intervalos,
v − v
0 = a (t − 0) ou
v = v0 + a t #A.1#.
De #A.1# do tópico
Movimento retilíneo, dx = v dt. Fazendo a integração, ∫ dx = ∫ v dt.
Essa igualdade não pode ser mais simplificada porque v não é constante neste caso. Deve-se substituir pelo valor dado por #A.1# anterior:
∫ dx = ∫ (v
0 + at) dt = ∫ v
0 dt + ∫ a t dt. A solução é x = v
0 t + (1/2) a t
2. Usando os intervalos,
x = x0 + v0 t + (1/2) a t2 #B.1#.
Em (b) e (c) da Figura 01 são dados os gráficos, em relação ao tempo, da velocidade (equação de uma reta) e da posição x (equação de uma parábola).
Nas proximidades da superfície terrestre, pode-se considerar a aceleração da gravidade invariável. Se desprezada a resistência do ar, a queda livre de um corpo é o exemplo mais comum de movimento retilíneo uniformemente acelerado.
Na Figura 01 deste tópico, ABC é o trajeto de um projétil que é disparado verticalmente do ponto A com velocidade 100 m/s, na altura de 50 m acima do solo. Naturalmente, as linhas AB e BC são coincidentes. No desenho estão separadas por questão de clareza.
Deseja-se saber a altura máxima alcançada (ponto B) e a velocidade com que o projétil atinge o solo (ponto C). A resistência do ar é desprezada.
Após o disparo, a única força atuante no projétil é o seu próprio peso. Portanto, a sua aceleração é constante e igual à aceleração da gravidade, significando um movimento retilíneo uniformemente acelerado com a = g ≈ − 9,81 m/s
2.
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| Fig 01 |
Desde que o movimento se dá ao longo do eixo Y, substitui-se o símbolo na igualdade #B.1# do tópico
Movimento retilíneo uniformemente acelerado:
y = y
0 + v
0 t + (1/2) a t
2. Onde:
y
0 = y
A = 50 m.
v
0 = v
A = 100 m/s.
a = g ≈ − 9,81 m/s
2 (sinal negativo porque é para baixo).
Assim, y = 50 + 100 t − 4,9 t
2.
Da equação #A.1# do tópico
Movimento retilíneo uniformemente acelerado, v = 100 − 9,81 t. Na altura máxima, a velocidade do projétil é nula ou v
B = 0. Assim, o tempo é dado por
0 = 100 − 9,81 t
B. Ou t
B ≈ 10,2 s. Substituindo o valor na igualdade anterior,
y
B = 50 + 100 10,2 − 4,9 10,2
2 = 50 + 1020 − 509,8 ≈ 560,2 m. Esse valor é a altura máxima, a partir do solo, alcançada pelo projétil.
Ao atingir o solo, y
C = 0. Assim: 0 = 50 + 100 t
C − 4,9 t
C2. Isso é uma equação do segundo grau e, portanto, há duas soluções. Uma delas tem valor negativo, o que significaria um tempo anterior ao lançamento e não teria sentido no caso. A outra solução é t
C ≈ 20,9 s. Substituindo na equação da velocidade,
v
C = 100 − 9,81 20,9 ≈ − 105 m/s. O sinal negativo está de acordo com o sentido para baixo do movimento.