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Resistência dos materiais IX-10


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Critérios de falha - Introdução |
Critério da máxima tensão normal |
Critério da máxima deformação |
 

Critérios de falha - Introdução

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De forma genérica, pode-se dizer que os materiais estruturais são submetidos a uma combinação espacial de esforços, ou melhor, a um estado triaxial de tensões, graficamente representado pelas tensões principais em (a) da Figura 01.

Tensão equivalente
Fig 01
As teorias (ou critérios) de falha (ou resistência) procuram em geral estabelecer uma tensão equivalente (ou tensão de comparação), como em (b) da mesma figura, de forma a possibilitar a comparação com os resultados de esforços uniaxiais obtidos por ensaios comuns de tração ou de compressão.

Há uma razoável variedade de critérios para a questão. Aqui são tratados apenas dos mais comuns.

Os materiais são supostamente isotrópicos, isto é, apresentam as mesmas propriedades em todas as direções.

O tipo de critério a empregar depende em geral da natureza do material (frágil ou dúctil). Normalmente, um critério é adequado para apenas um tipo, não para ambos.

Os critérios se referem sempre a tensões principais. Portanto, se uma direção genérica for dada, ele deverá ser transformada em direções principais.

Notar que esses critérios não são necessariamente os únicos a obedecer. Outros fatores como vibrações, fadiga, rigidez, etc podem ser até mesmo predominantes. Exemplo: uma plataforma para trânsito de pessoas deve, em princípio, suportar a carga das mesmas. Entretanto, se algum deslocamento ou deformação for sentido ou observado, mesmo que dentro dos limites de segurança, ela será questionada e dificilmente será aceita.


Critério da máxima tensão normal

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Por esse critério, a falha ocorre quando a maior tensão normal principal alcança a tensão de ruptura de tração σt ou de compressão σc, ambas obtidas em ensaios de resistência uniaxiais.

Critério da máxima tensão normal
Fig 01
Tem-se então a relação no caso de tensões planas

σc < (σ1, σ2) < σt #A.1#.

Observar que σc deve ter sinal negativo por ser tensão de compressão.

Graficamente, as tensões principais devem estar dentro de um quadrado conforme Figura 01 ao lado.

O critério só pode ser aplicado no caso de materiais frágeis.

Exemplo: sejam σc = − 300 MPa, σt = 300 MPa, σ1 = 60 MPa e σ2 = 30 MPa. Os valores estão conforme #A.1# e, desde que só há tração, os fatores de segurança são σt / σ1 = 300 / 60 = 5 e σt / σ2 = 300 / 30 = 10. Naturalmente, é considerado o menor (5).


Critério da máxima deformação

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Considera-se agora material dúctil com tensões máximas de tração σt e de compressão σc iguais, em módulo, à tensão de escoamento σe obtida em ensaio simples de tração, ou seja, | σt | = | σc | = σe. O critério consiste em estabelecer, para o material, deformações menores que as deformações produzidas, em estado uniaxial, por essas tensões (σt e σc).

Segundo a forma generalizada da lei de Hooke, as deformações para as tensões principais são:

ε1 = (1 / E) [ σ1 − ν (σ2 + σ3) ] ε2 = (1 / E) [ σ2 − ν (σ1 + σ3) ] ε3 = (1 / E) [ σ3 − ν (σ1 + σ2) ]

Onde E é módulo de elasticidade e ν é módulo de Poisson.

Por simplicidade, consideram-se tensões no plano (σ3 = 0). Assim, as igualdades acima ficam simplificadas:

ε1 = (1 / E) [ σ1 − ν σ2 ] ε2 = (1 / E) [ σ2 − ν σ1 ] ε3 = (1 / E) [ − ν (σ1 + σ2) ]

Critério da máxima deformação
Fig 01
Considerando que as tensões de limite são σt = σe e σc = − σe (compressão), as respectivas deformações são σe / E e − σe / E.

Então os limites para as deformações anteriores são:

− σe / E < (1 / E) [ σ1 − ν σ2 ] < σe / E.

− σe / E < (1 / E) [ σ2 − ν σ1 ] < σe / E.

− σe / E < (1 / E) [ − ν (σ1 + σ2) ] < σe / E.


Simplificando as desigualdades, os resultados são

− σe < [ σ1 − ν σ2 ] < σe − σe < [ σ2 − ν σ1 ] < σe − σe < [ − ν (σ1 + σ2) ] < σe #A.1#

Dessas relações, pode-se deduzir que as tensões principais σ1 e σ2 devem estar no interior de um quadrilátero conforme Figura 01 acima, com vértices dados por

A{ σe / (1 − ν), σe / (1 − ν) } B{ − σe / (1 + ν), σe / (1 + ν) } C{ − σe / (1 − ν), − σe / (1 − ν) }
D{ σe / (1 + ν), − σe / (1 + ν) } #B.1#

Onde, conforme já visto, σe é a tensão de escoamento do material e ν é o seu módulo de Poisson.

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