Critérios de falha - Introdução |
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De forma genérica, pode-se dizer que os materiais estruturais são submetidos a uma combinação espacial de esforços, ou melhor, a um estado triaxial de tensões, graficamente representado pelas tensões principais em (a) da Figura 01.
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| Fig 01 |
As teorias (ou critérios) de falha (ou resistência) procuram em geral estabelecer uma
tensão equivalente (ou
tensão de comparação), como em (b) da mesma figura, de forma a possibilitar a comparação com os resultados de esforços uniaxiais obtidos por ensaios comuns de tração ou de compressão.
Há uma razoável variedade de critérios para a questão. Aqui são tratados apenas dos mais comuns.
Os materiais são supostamente isotrópicos, isto é, apresentam as mesmas propriedades em todas as direções.
O tipo de critério a empregar depende em geral da natureza do material (frágil ou dúctil). Normalmente, um critério é adequado para apenas um tipo, não para ambos.
Os critérios se referem sempre a tensões principais. Portanto, se uma direção genérica for dada, ele deverá ser transformada em direções principais.
Notar que esses critérios não são necessariamente os únicos a obedecer. Outros fatores como vibrações, fadiga, rigidez, etc podem ser até mesmo predominantes. Exemplo: uma plataforma para trânsito de pessoas deve, em princípio, suportar a carga das mesmas. Entretanto, se algum deslocamento ou deformação for sentido ou observado, mesmo que dentro dos limites de segurança, ela será questionada e dificilmente será aceita.
Critério da máxima tensão normal |
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Por esse critério, a falha ocorre quando a maior tensão normal principal alcança a tensão de ruptura de tração σ
t ou de compressão σ
c, ambas obtidas em ensaios de resistência uniaxiais.
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| Fig 01 |
Tem-se então a relação no caso de tensões planas
σc < (σ1, σ2) < σt #A.1#.
Observar que σ
c deve ter sinal negativo por ser tensão de compressão.
Graficamente, as tensões principais devem estar dentro de um quadrado conforme Figura 01 ao lado.
O critério só pode ser aplicado no caso de materiais frágeis.
Exemplo: sejam σ
c = − 300 MPa, σ
t = 300 MPa, σ
1 = 60 MPa e σ
2 = 30 MPa. Os valores estão conforme #A.1# e, desde que só há tração, os fatores de segurança são σ
t / σ
1 = 300 / 60 = 5 e σ
t / σ
2 = 300 / 30 = 10. Naturalmente, é considerado o menor (5).
Critério da máxima deformação |
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Considera-se agora material dúctil com tensões máximas de tração σ
t e de compressão σ
c iguais, em módulo, à tensão de escoamento σ
e obtida em ensaio simples de tração, ou seja, | σ
t | = | σ
c | = σ
e. O critério consiste em estabelecer, para o material, deformações menores que as deformações produzidas, em estado uniaxial, por essas tensões (σ
t e σ
c).
Segundo a forma generalizada da lei de Hooke, as deformações para as tensões principais são:
| ε1 = (1 / E) [ σ1 − ν (σ2 + σ3) ] |
ε2 = (1 / E) [ σ2 − ν (σ1 + σ3) ] |
ε3 = (1 / E) [ σ3 − ν (σ1 + σ2) ] |
Onde E é módulo de elasticidade e ν é módulo de Poisson.
Por simplicidade, consideram-se tensões no plano (σ
3 = 0). Assim, as igualdades acima ficam simplificadas:
| ε1 = (1 / E) [ σ1 − ν σ2 ] |
ε2 = (1 / E) [ σ2 − ν σ1 ] |
ε3 = (1 / E) [ − ν (σ1 + σ2) ] |
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| Fig 01 |
Considerando que as tensões de limite são σ
t = σ
e e σ
c = − σ
e (compressão), as respectivas deformações são σ
e / E e − σ
e / E.
Então os limites para as deformações anteriores são:
− σ
e / E < (1 / E) [ σ
1 − ν σ
2 ] < σ
e / E.
− σ
e / E < (1 / E) [ σ
2 − ν σ
1 ] < σ
e / E.
− σ
e / E < (1 / E) [ − ν (σ
1 + σ
2) ] < σ
e / E.
Simplificando as desigualdades, os resultados são
| − σe < [ σ1 − ν σ2 ] < σe |
− σe < [ σ2 − ν σ1 ] < σe |
− σe < [ − ν (σ1 + σ2) ] < σe |
#A.1# |
Dessas relações, pode-se deduzir que as tensões principais σ
1 e σ
2 devem estar no interior de um quadrilátero conforme Figura 01 acima, com vértices dados por
| A{ σe / (1 − ν), σe / (1 − ν) } |
B{ − σe / (1 + ν), σe / (1 + ν) } |
C{ − σe / (1 − ν), − σe / (1 − ν) } |
| D{ σe / (1 + ν), − σe / (1 + ν) } |
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#B.1# |
Onde, conforme já visto, σ
e é a tensão de escoamento do material e ν é o seu módulo de Poisson.