Comprimento de flambagem |
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O desenvolvimento matemático do tópico anterior (
Equação básica da flambagem elástica) pressupõe que as extremidades da barra são articuladas e só podem mover-se na direção do seu eixo. Essa é a situação padrão, indicada em (d) da Figura 01.
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| Fig 01 |
Obs: na figura mencionada, as retas tracejadas verticais indicam a barra no estado inicial e as curvas contínuas indicam aproximações das deformações por flambagem
Para outras fixações, como (a), (b), (c), (e) e (f) da mesma figura, usam-se
comprimentos de flambagem específicos.
A tabela abaixo dá os valores teóricos e práticos para cada uma das situações mencionadas.
Desde que os cálculos são baseados na força de Euler conforme tópico anterior, outras fixações devem ter seus comprimentos convertidos.
| Tipo |
(a) |
(b) |
(c) |
(d) |
(e) |
(f) |
| Lfl teórico |
0,5 L |
0,7 L |
1,0 L |
1,0 L |
2,0 L |
2,0 L |
| Lfl prático |
0,65 L |
0,8 L |
1,2 L |
1,0 L |
2,1 L |
2,0 L |
Exemplo: uma coluna de 3 metros de altura está fixada como em (f) da figura.
Então, ela é equivalente a uma coluna do tipo padrão (d), com comprimento 2,0 x 3 = 6 metros.
É importante lembrar que, em casos práticos (estruturas, máquinas), extremidades de colunas ou de barras comprimidas podem ter liberdade de movimento em determinadas direções e não ter em outras. Portanto, todas as hipóteses devem ser analisadas, dimensionando-se pela mais desfavorável.
Considerando-se o conceito de comprimento de flambagem, pode-se reescrever a igualdade da força de flambagem de Euler K, dado em #C.1# do tópico
Equação básica da flambagem elástica:
K = π
2 E J / L
fl2 #A.1#.
Se se deseja a tensão limite, os valores são divididos pela área da seção S
σ
fl = K/S = π
2 E J / S L
fl2 = π
2 E / [L
fl / √ (J/S)]
2.
O valor L
fl / √ (J/S) é denominado
coeficiente de esbeltez da barra. É comum o uso da letra grega lambda minúsculo para simbolizá-lo. Assim,
λ = Lfl / √ (J/S) #B.1#.
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| Fig 01 |
A expressão √ (J/S) é o
raio de giração ou
raio de inércia (i) da seção. E, assim, o coeficiente de esbeltez pode ser dado por
λ = Lfl / i #B.2#.
Desde que i depende do momento de inércia J e que esse varia com a orientação do eixo de referência, deve-se usar, em geral, o menor valor de J, isto é, J
2 (eixo principal com menor valor).
E a fórmula anterior da tensão pode ser escrita
σfl = π2 E /λ2 #C.1#.
Essa fórmula mostra que a tensão de flambagem depende apenas do módulo de elasticidade E (característica do material) e do coeficiente de esbeltez λ (característica geométrica da barra).
Para um mesmo material, E é constante e pode-se ter a tensão em função de λ. Por exemplo: para o aço, E = 206 GPa. Assim,
σ
fl (MPa) = π
2 206 10
3 / λ
2. Essa curva está representada na Figura 01. É denominada
hipérbole de Euler para o material (aço, no caso).
Notar, entretanto, que a curva é limitada pela região de proporcionalidade (elástica) do material (hipótese assumida no desenvolvimento da equação básica).
Nesse caso do aço, para a tensão limite de proporcionalidade, σ
p = 226 MPa, há o coeficiente de esbeltez correspondente, λ
p ≈ 96. Esses valores estão indicados na figura. Para coeficientes de esbeltez menores, a fórmula não é válida, pois não há mais proporcionalidade entre tensão e deformação e/ou há deformações residuais decorrentes da plasticidade.
Exemplo simples de cálculo |
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Uma plataforma metálica usa colunas de perfil comercial de aço tipo I 6", 18,5 kg/m. A altura das colunas é 3,30 m e a montagem é conforme (c) da Figura 01 do tópico
Comprimento de flambagem. Verificar a carga máxima que cada coluna pode suportar sem flambar.
Características do perfil I 6" 18,5 kg/m: área S = 23,6 cm
2 e raio de giração r = 1,79 cm (mínimo).
Conforme tabela do mesmo tópico, a montagem (c) tem comprimento de flambagem L
fl = 1,2 L = 1,2 3,30. Portanto, L
fl = 3,96 m. E, de acordo com #B.2# do tópico
Coeficiente de esbeltez,
λ = 3,96 / 1,79 10
−2 = 221.
A tensão de flambagem é dada por #C.1# do mesmo tópico (considerando-se E = 206000 MPa):
σ
fl = π
2 206000 / 221
2 ≈ 42 MPa. Portanto F = σ
fl S = 42 10
3 kPa 23,6 10
−4 m
2 ≈ 99 kN.
O cálculo dessa carga não inclui os coeficientes de segurança, que devem ser introduzidos de acordo com as condições de utilização, conforme visto nas primeiras páginas desta série.
Esse é um cálculo simples, sem os critérios - em geral conservadores e a favor da segurança - previstos em normas. Por exemplo: o coeficiente de esbeltez está alto. A maioria das normas fixa um limite de 200 para prédios e 120 para pontes.
Outro exemplo de cálculo |
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Uma coluna de madeira, de seção retangular 5 x 10 cm, tem altura livre de 2,5 m. A madeira tem as propriedades σ
e = 45 MPa e E = 13,1 GPa. A fixação das extremidades é conforme (d) da Figura 01 do tópico
Comprimento de flambagem. Determinar os parâmetros para a flambagem elástica dessa coluna.
Para a seção retangular, área S = ab (= 5 10 = 50 10
−4 m
2), onde a e b são os lados.
O momento de inércia é J = ab
3/12.
Visto que o raio de giração é r = √ (J/S) = √ [(ab
3/12)/ab] = √ (b
2/12). Desde que se deseja saber a condição mais crítica, deve-se usar o menor raio de giração. Assim, o lado de 5 cm deve ser considerado b.
r = √ (25 10
−4 m
2 / 12) ≈ 0,0144 m.
O coeficiente de esbeltez é λ = 2,5 / 0,0144 ≈ 174, segundo #B.2# do tópico
Coeficiente de esbeltez.
A tensão de flambagem conforme Euler é dada pela igualdade #C.1# do mesmo tópico:
σ
fl = π
2 E / λ
2 = π
2 13,1 10
3 MPa / 174
2 = 4,27 MPa.
Notar que a tensão de flambagem é apenas uma pequena fração da tensão de escoamento considerada para o material. Outras observações conforme exemplo anterior.