Introdução - Falha por flambagem |
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Alguns tipos de esforços tendem a provocar instabilidades físicas nos elementos que os suportam. A Figura 01 (a) deste tópico indica uma barra reta, sem esforços externos atuantes.
Na realidade, o "reto" geométrico não existe na prática e pode-se considerar a barra ligeiramente curva, conforme representação, de forma exagerada, em (b) da mesma figura.
Se um esforço de tração é aplicado como em (c) da figura, a tendência é uma redução da curvatura, ou seja, uma aproximação com a reta ideal e, com o aumento da força, a falha ocorre devido ao escoamento (plastificação) ou à ruptura do material.
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| Fig 01 |
Se a barra é comprimida como em (d) da figura, as forças atuantes tendem a aumentar a curvatura original. Isso não significa que qualquer valor da força de compressão provoca esse aumento. A prática e a teoria demonstram que existe um limite acima do qual a essa falha, denominada flambagem, ocorre.
Esse limite depende do material e das características geométricas da barra.
Em outras palavras, pode-se dizer que a flambagem de uma barra comprimida é a sua perda de estabilidade pela aplicação de um esforço de compressão acima de um valor crítico. Essa instabilidade ocorre devido a pequenas curvaturas conforme acima e também a outros desvios, como assimetrias, excentricidades, desalinhamentos, etc.
É facilmente perceptível que a flambagem fica mais crítica com o aumento da esbeltez da barra, isto é, o aumento do seu comprimento em relação à área da seção transversal.
Em muitos casos as tensões que provocam a flambagem são inferiores às tensões máximas de compressão dos materiais. Assim, a sua análise é importante no caso de elementos esbeltos de máquinas e de estruturas. Para estas últimas, colunas são em geral as partes mais susceptíveis à flambagem.
Equação básica da flambagem elástica |
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Conforme Figura 01, uma barra de seção transversal constante está sob flambagem provocada por um esforço de compressão F. Supõe-se que as tensões estão dentro do limite de elasticidade do material.
Se a barra é seccionada em um ponto genérico P(x,y), o momento atuante nesse ponto é M = F y.
Conforme visto em página anterior, a equação diferencial da linha elástica para uma barra sob ação de um momento é
(d
2y/dx
2) = − M / (E J). Substituindo o valor de M,
(d
2y/dx
2) = a
2 y, onde a = √ (F / E J)
#A.1#.
Aqui não é dado o desenvolvimento da solução dessa equação diferencial. Apenas o resultado é informado.
y = A cos ax + B sen ax.
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| Fig 01 |
As constantes da solução (A e B, neste caso) devem ser obtidas a partir de condições de contorno.
Para x=0, tem-se y=0. Assim, A = 0.
Para x igual à corda OA (=M), y=0. Portanto,
B sen (a M) = 0. Para essa igualdade, conclui-se que B não pode ser nulo porque A já é nulo.
Assim, deve-se ter sen (a M) = 0. Portanto, (a M) = π ou (a M / 2) = π/2.
Para x = M/2, y é a flecha máxima f. Ou y = f = B sen a M / 2. Mas visto que (a M / 2) = π/2. Portanto, B = f e o resultado fica
y = f sen ax, onde f é a flecha máxima e a = √ (F / E J)
#B.1#.
Mas a solução ainda está incompleta, pois a flecha f não é previamente conhecida. A dimensão geométrica normalmente conhecida é o comprimento da barra L.
Para pequenas deformações pode-se usar a aproximação L/2 ≈ OB (ou AB). E, do triângulo retângulo OBC,
f
2 = OB
2 + (M/2)
2 ≈ (L/2)
2 + (M/2)
2.
Já visto que (a M / 2) = π/2 e a = √ (F / E J). Portanto, (M/2)
2 = π
2 E J / (4 F).
Substituindo, f
2 = L
2/4 − π
2 E J / (4 F). Rearranjando a igualdade,
f/L = (1/2) √ [1 − π
2 E J / (F L
2)]. Essa pode ser reescrita para
f/L = (1/2) √ (1 − K/F), onde
K = π2 E J / L2 #C.1#.
O fator K, que tem a dimensão de força, é denominado
força de flambagem de Euler. E pode-se comparar com a forca aplicada F:
• se F ≤ K, f/L é nulo ou imaginário, isto é, não há flambagem.
• se F > K, f/L é real, significando que a flambagem ocorre.
Portanto, K representa o limite para a flambagem elástica de uma barra comprimida.