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Resistência dos materiais V-70


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Distribuição de tensões em seções retangulares e circulares |
Energia da deformação por flexão simples |
 

Distribuição de tensões em seções retangulares e circulares

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O arranjo da Figura 01 (a) é similar ao do tópico anterior - tópico Distribuição de tensões transversais na flexão Figura 02 (b) - adaptado para uma barra de seção transversal retangular.

O momento estático da área da parte superior (que contém dS) em relação a Y (que coincide com a linha neutra da seção) é dado por:

Distribuição de tensões para uma barra retangular sob flexão
Fig 01
MY = ∫z,h/2 u b du = (b/2) |z,h/2 u2.

MY = (b/2) (h2/4 − z2) = (bh2/8) [1 − (2z/h)2].

O momento de inércia em relação a Y é

J = bh3/12, conforme propiedade da seção retangular, que pode ser vista em página anterior.

Pode-se calcular τx pela igualdade vista na página anterior, lembrando que o valor de y, neste caso, é igual a b/2.

τx = F MY / (2 J y) = F (bh2/8) [1 − (2z/h)2] / [2 (bh3/12) (b/2)].

τx = (3/2) (F / bh) [1 − (2z/h)2] #A.1#.

A expressão acima indica uma parábola. Notar que nos pontos extremos (z = h/2 e z = −h/2) o valor da tensão de cisalhamento é nulo. A Figura 01 (b) dá uma representação aproximada.

Neste caso, não cabe a verificação da tensão na borda conforme mencionado na página anterior porque a tangente é vertical (φ = 0 e cos φ = 1).

O valor máximo ocorre para z = 0. Portanto,

τx_max = (3/2) (F / bh) #A.2#.

Desde que bh é a área da seção, F / bh é a tensão média de cisalhamento. Assim, pode-se dizer que, para a seção retangular, vale

τmax = (3/2) τmed #A.3#.


A Figura 02 dá o esquema para seção transversal circular. Para determinar o momento estático da superfície superior (que contém dS), deve-se lembrar que dS = 2r cos α du. Assim,

MY = ∫u=z,u=r 2 r cos α u du.

Considerando que u = r sen α e du = r cos α dα, os valores em termos de α são (notar que para u = z, α = φ e para u = r, α = π/2):

Distribuição de tensões para uma barra circular sob flexão
Fig 02
MY = 2 r3α=φ,α=π/2 cos2α sen α dα.

MY = (2 r3 / 3) cos3 φ.

O momento de inércia em relação a Y é

J = π D4 / 64 (ou π r4 / 4) , conforme propriedade da seção circular.

Considerando a fórmula vista τx = F MY / (2 J y) e substituindo os valores (lembrar que y = r cos φ),

τx = [4 F / (3 π r2) ] cos2φ. Lembrando que sen φ = z/r e sen2φ + cos2φ = 1,

τx = [4 F / (3 π r2) ] [1 - (z/r)2] #B.1#.

A tensão na borda τB é dada pela fórmula também mencionada na página anterior, τB = τx / cos φ:

τB = [4 F / (3 ρ r2) ] [1 - (z/r)2]1/2 #B.2#.

A primeira curva (τx) é uma parábola e a segunda (τB), uma elipse. Representação na Figura 02 (b).

Desde que z ≤ r, o valor máximo ocorre em z = 0 e é o mesmo para ambas as igualdades:

τmax = 4 F / (3 π r2) #B.3#.

Como π r2 é a área da seção, F / (π r2) é a tensão média de cisalhamento. Portanto, para a seção circular, vale a relação

τmax = (4/3) τmed #B.4#.

Distribuição de tensões para alguns tipos de seção transversal
Fig 03
Distribuição para algumas outras seções (somente resultados)

Para tubos de parede fina, vale aproximadamente

τmax ≈ 2 F / S #C.1#.

Onde S é a área da seção transversal.

Para perfis comuns tipo Z, U, H, τmax ≈ F / (t h) #D.1#. A curva do lado direito da Figura 03 dá idéia da distribuição aproximada.



Energia da deformação por flexão simples

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Seja, conforme Figura 01 deste tópico, uma viga submetida a um esforço de flexão simples, não necessariamente uniforme, cujo momento é dado por M(x).

Considera-se um volume elementar, na posição genérica x, de espessura dx, isto é, ou seu volume é dado por

dV = S dx, onde S é a área da seção transversal.

Seja uma área elementar dS na face transversal desse volume. A tensão normal em dS, segundo relação básica já vista para a flexão, é

σ = M(x) z / Jy.

E a força normal é o seu produto pela área F = σ dS = M(x) z dS / Jy.

Energia da deformação por flexão simples
Fig 01
Considera-se agora a parte da barra de seção transversal dS e comprimento dx. Ela pode ser vista como uma barra sujeita a uma força F, de tração ou compressão, dependendo do sentido do momento e da posição acima ou abaixo da linha neutra. Pode-se usar a fórmula dada em página anterior para a energia de deformação

W = F2 L / (2 E S).

Deve-se levar em conta que essa fórmula é válida para tração e compressão. Observar também que o sinal da energia deve ser o mesmo em qualquer caso, pois, tanto na tração quanto na compressão, é fornecida energia para a deformação.

Adaptando a fórmula para este caso (W = dW, L = dx, S = dS), ocorre

dW = F2 dx / (2 E dS). Substituindo o valor de F,

dW = M2(x) z2 d2S dx / (2 E dS J2y) = M2(x) z2 dS dx / (2 E J2y). Fazendo a integração,

W(x) = ∫S dW = [ M2(x) dx / (2 E J2y) ] ∫S z2 dS.

Mas a parte ∫ z2 dS é o momento de inércia Jy em relação à linha neutra. Portanto,

W(x) = M2(x) dx / (2 Jy E) #A.1#.

Considerando o momento constante e integrando ao longo de um comprimento x = L, o resultado é

W = M2 L / (2 Jy E) #A.2#.

Notar a semelhança com as fórmulas para outros esforços:

Tração ou compressão: W = F2 L / (2 E S) Cisalhamento: W = F2 L / (2 G S) Torção: W = T2 L / (2 Jp G)


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