Alguns casos particulares de tensões no espaço |
Topo | Fim |
A Figura 01 dá exemplos do círculo de Mohr para tensões no espaço em alguns casos particulares.
Em (a), todas as tensões principais têm o mesmo valor, isto é, σ
1 = σ
2 = σ
3, e as tensões de cisalhamento são nulas, isto é, τ
1 = τ
2 = τ
3 = 0.
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| Fig 01 |
Essa situação só pode ocorrer com um fluido submetido a uma determinada pressão. Chamado, portanto, de
condição hidrostática.
Em (b) e em (c), duas das três tensões principais são iguais e ocorre uma
condição semi-hidrostática.
Em (d) e em (e), as duas tensões principais nulas, representando um
estado simples de tensão (tração ou compressão).
Em (f) tem-se σ
2 = 0 e σ
1 = − σ
3, representando um estado de cisalhamento simples, similar à condição vista para tensões planas.
Exemplo numérico para tensões no espaço |
Topo | Fim |
Seja um material sujeito às tensões nas direções das coordenadas de referência XYZ, com valores numéricos dados pela Figura 01. Deseja-se saber as tensões principais, normais e de cisalhamento.
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| Fig 01 |
Conforme convenções da página anterior, os valores com sinais são
σ
x = 120 MPa
σ
y = −20 MPa
σ
z = 70 MPa
τ
xy = τ
yx = −40 MPa
τ
yz = τ
zy = 50 MPa
τ
xz = τ
zx = 25 MPa
Segundo igualdade vista em página anterior, as tensões normais são as soluções da seguinte equação do terceiro grau
σ
3 − A σ
2 + B σ − C = 0. E as fórmulas para os coeficiente A, B e C são:
A = σ
x + σ
y + σ
z = 120 + (−20) + 70 = 170 MPa.
B = σ
x σ
y + σ
y σ
z + σ
x σ
z − τ
2xy − τ
2yz − τ
2xz.
B = 120 (−20) + (−20) 70 + 120 70 − (−40)
2 − 50
2 − 25
2.
B = −2400 − 1400 + 8400 − 1600 − 2500 − 625 = − 125 MPa
2.
C = σ
x σ
y σ
z + 2 τ
xy τ
yz τ
xz − σ
x τ
2yz − σ
y τ
2xz − σ
z τ
2xy.
C = 120 (−20) 70 + 2 (−40) 50 25 − 120 50
2 − (−20) 25
2 − 70 (−40)
2.
C = − 168000 + 100000 − 300000 + 12500 − 112000 = − 478750 MPa
3.
E a equação anterior fica σ
3 − 170 σ
2 − 125 σ + 478750 = 0.
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| Fig 02 |
As soluções para essa equação podem ser vistas graficamente na Figura 02 ao lado.
Em outras palavras, são os valores de σ que fazem a função
F(σ) = σ
3 − 170 σ
2 − 125 σ + 478750 ter valor igual a zero.
Para determinar os valores numéricos, pode-se empregar um método de aproximações sucessivas que encontre uma das soluções.
Aqui é usado o
método da bisseção (ou bissecção). É simples, embora a convergência não seja tão rápida porque é um processo linear. A Figura 03 abaixo dá o princípio para uma função genérica F(x).
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| Fig 03 |
Escolhem-se dois valores arbitrários x
1 e x
2 tais que F(x
1) F(x
2) < 0. Assim, pelo menos uma solução, F(x) = 0, está entre x
1 e x
2.
Se o produto F(x
1) F(x
m) é positivo, o próximo valor de x
1 é x
m e x
2 permanece. Caso contrário, o próximo valor de x
2 é x
m e x
1 permanece. Continuando o procedimento, os valores médios se aproximam da solução conforme indicado na figura (x
m, x
m', etc).
Para determinar o valor exato, precisar-se-ia da impossibilidade prática de infinitos passos. Num procedimento real, pode-se estabelecer um intervalo mínimo delta = x
2 − x
1, executando as iterações até esse valor. E um código em Visual Basic para o método com a equação dada para as tensões principais seria:
Function func_x(x)
func_x = x ^ 3 - 170 * x ^ 2 - 125 * x + 478750
End Function
Sub bissec()
Dim x1, x2, xm, delta
delta = 0.0001
x1 = -100
x2 = 50
Do While (x2 - x1) > delta
xm = (x2 + x1) / 2
If ((func_x(x1) * func_x(xm)) > 0) Then
x1 = xm
Else
x2 = xm
End If
Loop
Worksheets("Plan1").Cells(1, 1).Value = xm
End Sub
Esse código é, na realidade, uma macro em uma planilha Excel que considera: delta = 0.0001, x1 = −100, x2 = 50. O resultado é dado na célula A1 da planilha "Plan1": A1 ≈ −47,23 MPa. Supõe-se que esse é o valor de σ
3. Pode-se considerar σ
1 ou σ
2. Neste caso, precisa-se apenas permutar os valores finais de forma que σ
1 ≥ σ
2 ≥ σ
3, satisfazendo à convenção adotada.
Conforme relações da página anterior (substituindo o valor de σ
3 e das constantes),
σ
1 + σ
2 − 47,23 = 170.
σ
1 σ
2 + σ
2 (−47,23) + σ
1 (−47,23) = −125.
σ
1 σ
2 (−47,23) = − 478750.
Combinando a 1ª e a 2ª equação,
σ
1 + 478750/(47,23 σ
1) = 217,23. Ou 47,23 σ
12 + 478750 = 10259,8 σ
1.
Ou 47,23 σ
12 − 10259,8 σ
1 + 478750 = 0.
Essa é uma equação comum do segundo grau e as duas soluções devem ser entendidas como σ
1 e σ
2. Resolvendo e considerando a solução σ
3 anterior (≈ −47,2), chega-se aos resultados
σ
1 ≈ 149,4 MPa, σ
2 ≈ 67,9 MPa e σ
3 ≈ −47,2 MPa.