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Resistência dos materiais IV-60


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Alguns casos particulares de tensões no espaço |
Exemplo numérico para tensões no espaço |
 

Alguns casos particulares de tensões no espaço

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A Figura 01 dá exemplos do círculo de Mohr para tensões no espaço em alguns casos particulares.

Em (a), todas as tensões principais têm o mesmo valor, isto é, σ1 = σ2 = σ3, e as tensões de cisalhamento são nulas, isto é, τ1 = τ2 = τ3 = 0.

Casos particulares de tensões no espaço
Fig 01
Essa situação só pode ocorrer com um fluido submetido a uma determinada pressão. Chamado, portanto, de condição hidrostática.

Em (b) e em (c), duas das três tensões principais são iguais e ocorre uma condição semi-hidrostática.

Em (d) e em (e), as duas tensões principais nulas, representando um estado simples de tensão (tração ou compressão).

Em (f) tem-se σ2 = 0 e σ1 = − σ3, representando um estado de cisalhamento simples, similar à condição vista para tensões planas.



Exemplo numérico para tensões no espaço

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Seja um material sujeito às tensões nas direções das coordenadas de referência XYZ, com valores numéricos dados pela Figura 01. Deseja-se saber as tensões principais, normais e de cisalhamento.

Exemplo numérico para tensões no espaço
Fig 01
Conforme convenções da página anterior, os valores com sinais são

σx = 120 MPa
σy = −20 MPa
σz = 70 MPa

τxy = τyx = −40 MPa
τyz = τzy = 50 MPa
τxz = τzx = 25 MPa

Segundo igualdade vista em página anterior, as tensões normais são as soluções da seguinte equação do terceiro grau

σ3 − A σ2 + B σ − C = 0. E as fórmulas para os coeficiente A, B e C são:

A = σx + σy + σz = 120 + (−20) + 70 = 170 MPa.

B = σx σy + σy σz + σx σz − τ2xy − τ2yz − τ2xz.
B = 120 (−20) + (−20) 70 + 120 70 − (−40)2 − 502 − 252.
B = −2400 − 1400 + 8400 − 1600 − 2500 − 625 = − 125 MPa2.

C = σx σy σz + 2 τxy τyz τxz − σx τ2yz − σy τ2xz − σz τ2xy.
C = 120 (−20) 70 + 2 (−40) 50 25 − 120 502 − (−20) 252 − 70 (−40)2.
C = − 168000 + 100000 − 300000 + 12500 − 112000 = − 478750 MPa3.

E a equação anterior fica σ3 − 170 σ2 − 125 σ + 478750 = 0.

Solução gráfica para a equação do exemplo
Fig 02
As soluções para essa equação podem ser vistas graficamente na Figura 02 ao lado.

Em outras palavras, são os valores de σ que fazem a função

F(σ) =  σ3 − 170 σ2 − 125 σ + 478750 ter valor igual a zero.

Para determinar os valores numéricos, pode-se empregar um método de aproximações sucessivas que encontre uma das soluções.

Aqui é usado o método da bisseção (ou bissecção). É simples, embora a convergência não seja tão rápida porque é um processo linear. A Figura 03 abaixo dá o princípio para uma função genérica F(x).

Método da bisseção
Fig 03
Escolhem-se dois valores arbitrários x1 e x2 tais que F(x1) F(x2) < 0. Assim, pelo menos uma solução, F(x) = 0, está entre x1 e x2.

Se o produto F(x1) F(xm) é positivo, o próximo valor de x1 é xm e x2 permanece. Caso contrário, o próximo valor de x2 é xm e x1 permanece. Continuando o procedimento, os valores médios se aproximam da solução conforme indicado na figura (xm, xm', etc).

Para determinar o valor exato, precisar-se-ia da impossibilidade prática de infinitos passos. Num procedimento real, pode-se estabelecer um intervalo mínimo delta = x2 − x1, executando as iterações até esse valor. E um código em Visual Basic para o método com a equação dada para as tensões principais seria:
Function func_x(x)
    func_x = x ^ 3 - 170 * x ^ 2 - 125 * x + 478750
End Function

Sub bissec()
    Dim x1, x2, xm, delta
    delta = 0.0001
    x1 = -100
    x2 = 50
    Do While (x2 - x1) > delta
        xm = (x2 + x1) / 2
        If ((func_x(x1) * func_x(xm)) > 0) Then
            x1 = xm
        Else
            x2 = xm
        End If
    Loop
    Worksheets("Plan1").Cells(1, 1).Value = xm
End Sub
Esse código é, na realidade, uma macro em uma planilha Excel que considera: delta = 0.0001, x1 = −100, x2 = 50. O resultado é dado na célula A1 da planilha "Plan1": A1 ≈ −47,23 MPa. Supõe-se que esse é o valor de σ3. Pode-se considerar σ1 ou σ2. Neste caso, precisa-se apenas permutar os valores finais de forma que σ1 ≥ σ2 ≥ σ3, satisfazendo à convenção adotada.

Conforme relações da página anterior (substituindo o valor de σ3 e das constantes),

σ1 + σ2 − 47,23 = 170.

σ1 σ2 + σ2 (−47,23) + σ1 (−47,23) = −125.

σ1 σ2 (−47,23) = − 478750.

Combinando a 1ª e a 2ª equação,

σ1 + 478750/(47,23 σ1) = 217,23. Ou 47,23 σ12 + 478750 = 10259,8 σ1.

Ou 47,23 σ12 − 10259,8 σ1 + 478750 = 0.

Essa é uma equação comum do segundo grau e as duas soluções devem ser entendidas como σ1 e σ2. Resolvendo e considerando a solução σ3 anterior (≈ −47,2), chega-se aos resultados

σ1 ≈ 149,4 MPa, σ2 ≈ 67,9 MPa e σ3 ≈ −47,2 MPa.

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