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Resistência dos materiais IV-40


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Tensões no espaço

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Nas páginas anteriores foram dados os princípios básicos da análise de tensões em um plano. Na prática, os corpos são sempre tridimensionais, mas em vários casos as tensões mais importantes atuam em determinado plano (ou mesmo em determinado eixo) e as demais podem ser desprezadas. Mas pode haver situações em que as tensões nos três eixos são relevantes e não devem ser desconsideradas.

Para a análise, considera-se um volume em forma de paralelepípedo do corpo a estudar. Ver Figura 01 deste tópico. Conforme pode ser deduzido do estudo da página anterior, cada face é submetida a uma tensão normal e a uma tensão transversal.

Volume a estudar em forma de paralelepípedo
Fig 01
Uma superfície genérica (não paralela a nenhum eixo) pode ser dada pelo plano ABC que divide o paralelepípedo pela metade. Portanto, o objeto geométrico do estudo é o tetraedro OABC conforme Figura 02 (não está na mesma proporção da figura anterior).

Em cada face perpendicular a um eixo atuam as tensões normais e transversais indicadas. No centro de gravidade GABC do plano ABC atua uma tensão ρ (vetor. Usada a convenção negrito) cujos componentes são ρx, ρy e ρz conforme canto superior esquerdo da figura.


E pode-se escrever a soma vetorial ρ = ρx + ρy + ρz #A.1#.

Sejam ux, uy e uz os vetores unitários para os respectivos eixos de coordenadas. Assim,

ρ = ρx ux + ρy uy + ρz uz #A.2#.

Seja uN um vetor unitário normal à superfície ABC. Em termos de componentes

uN = uNx + uNy + uNz = cos αx ux + cos αy uy + cos αz uz #A.3#. Onde

αx, αy, αz são os ângulos da normal com os eixos de coordenadas.

Vale também observar que a condição de equilíbrio ∑M = 0 permite deduzir as igualdades em pares das tensões transversais:

Tensões em um volume em forma de tetraedro
Fig 02
τxy = τyx #B.1#.
τxz = τzx #B.2#.
τyz = τzy #B.3#.

O equilíbrio estático permite concluir:

ρx = − (σx uNx + τxy uNy + τxz uNz) #C.1#.
ρy = − (τyx uNx + σy uNy + τyz uNz) #C.2#.
ρz = − (τzx uNx + τzy uNy + σz uNz) #C.3#.

Em termos escalares, considerando as igualdades #C.1# a #C.3# e #A.3#, pode-se representar os componentes na forma de produto de matrizes. Ver Figura 03.

 
ρx
ρy
ρz
 
 = 
 
σx  τxy τxz
τyx σy  τyz
τzx τzy σz
 
 × 
 
cos αx
cos αy
cos αz
 
 #D.1#
Fig 03
A segunda matriz (central) é denominada matriz de tensões ou tensor dos esforços no espaço.

E o módulo da tensão σ, normal à superfície ABC, é dado pelo produto escalar

σ = ρ · uN #E.1#.

Para o componente transversal τ, o módulo é dado por

τ2 = ρ · ρ − σ2 #E.2#.

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