Comentários sobre dimensionamentos |
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Conforme visto em página anterior, a tensão máxima τ
max em um eixo submetido a um torque T é dada por
τmax = T / Wp #A.1#. Onde W
p é o momento de resistência polar, isto é,
Wp = Jp / R #A.2#. Onde J
p é o momento de inércia polar e R é o raio.
E o ângulo de torção de um eixo de comprimento L submetido a um torque T é φ = T L / (J
p G). Dividindo o valor por L, resulta no
ângulo de torção por unidade de comprimento:
φ / L = T / (Jp G) #B.1#.
É comum o uso de ambos os critérios, τ
max e φ/L, para dimensionamento de eixos.
Para tensão máxima, τ
max, que é uma tensão de cisalhamento, alguns critérios básicos podem ser vistos nas páginas
Resistência dos materiais I-40 e
Resistência dos materiais I-60.
Para o ângulo de torção por unidade de comprimento, φ/L, encontram-se exemplos em literatura do valor máximo de
0,25 graus por metro de comprimento, no caso de eixos de aço.
Lembrar que as fórmulas dadas usam ângulos em radianos e, portanto, esse limite corresponde a aproximadamente 0,004363 radianos por metro de comprimento.
Exemplo: barra biengastada |
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Na Figura 01, uma barra cilíndrica engastada em ambas as extremidades está sob ação de um torque T no local da variação de diâmetro. Deseja-se saber o ângulo de torção em B e a distribuição de torque ao longo da barra.
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| Fig 01 |
Para obedecer à condição de equilíbrio estático, um lado da barra deve estar sob ação de um torque T−T' e o outro lado, de T'. Assim, a soma de ambos se iguala ao torque externo T.
O diagrama de torque da figura não corresponde necessariamente ao real, pois os valores e sinais serão dados pelos cálculos.
O ponto de partida para resolver este problema é considerar a barra secionada em B, ou seja, como se fossem duas barras que, sob ação de T, apresentam o mesmo ângulo de torção. Assim, as duas seções se comportam como se fossem um corpo único.
E, desde que são engastadas, nas extremidades o ângulo é nulo.
Os ângulos de torção são os mesmos φ
AB = φ
BC = φ
B.
φAB = (T-T') LAB / (JpAB G) = φBC = T' LBC / (JpBC G) = φB #A.1#. Portanto,
T' L
BC / (J
pBC G) + T' L
AB / (J
pAB G) = T L
AB / (J
pAB G).
Dividindo tudo por L
AB / (J
pAB G),
T' L
BC (J
pAB G) / L
AB (J
pBC G) + T' = T.
T' = T / [ 1 + (LBC JpAB) / (LAB JpBC) ] #B.1#.
Desde que por hipótese são conhecidos T, L
AB, L
BC e os momentos polares J
pAB e J
pBC (funções dos respectivos raios), o valor de T' fica definido e o ângulo de giro φ
B pode ser calculado conforme igualdade anterior #A.1# (se conhecido, é claro, o valor do módulo de elasticidade transversal G, que depende do material da barra).
Esse é um exemplo de carregamento
estaticamente indeterminado ou
hiperestático de torção. As equações fundamentais da estática, ∑F = 0 e ∑M = 0, não são suficientes para definir todas as variáveis. Além delas, é necessário considerar o deslocamento.