Dilatação linear com dois materiais |
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Problema de dilatação já foi visto em página anterior desta série. Neste caso, há duas barras de materiais diferentes, que sofrem a mesma variação de temperatura Δt e são impedidas de dilatar conforme (a) da Figura 01. As seções transversais, consideradas circulares, também são diferentes.
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| Fig 01 |
Além das dimensões geométricas (L e D) indicadas na figura, supõe-se que são conhecidos os módulos de elasticidade (E
1 e E
2) e os coeficientes de dilatação linear (α
1 e α
2) de cada material.
A condição de equilíbrio estático permite concluir que as reações dos apoios são idênticas:
R
A = R
B = R. Portanto, ambas as partes estão sob o mesmo esforço de compressão R.
Considera-se agora a situação (b) da figura, isto é, o aquecimento livre.
Nessa condição e segundo fórmula já vista ( ΔL = L α Δt ), os comprimentos das partes seriam:
L
1' = L
1 + L
1 α
1 Δt
#A.1#.
L
2' = L
2 + L
2 α
2 Δt
#A.2#.
E as variações:
ΔL
1dilat = L
1 α
1 Δt
#B.1#.
ΔL
2dilat = L
2 α
2 Δt
#B.2#.
Com a aplicação das reações dos apoios R
A e R
B, as barras sofrem uma deformação por compressão elástica, de forma que a soma dos comprimentos finais L
1F + L
2F é igual à soma dos comprimentos iniciais L
1 + L
2.
Notar que os comprimentos finais L
1F e L
2F
não são necessariamente iguais aos seus comprimentos iniciais L
1
e L
2, como pode sugerir a figura. A igualdade está na
soma de ambos.
As áreas das seções transversais de cada parte são:
S
1 = π D
12/ 4
#C.1#.
S
2 = π D
22/ 4
#C.2#.
E as tensões em cada parte são:
σ
1 = R/S
1 = 4 R / (π D
12)
#D.1#.
σ
2 = R/S
2 = 4 R / (π D
22)
#D.2#.
Conforme lei de Hooke,
σ = E ε = E ΔL / L ou
ΔL = σ L / E. Assim,
ΔL
1compr = σ
1 L
1 / E
1 #E.1#.
ΔL
2compr = σ
2 L
2 / E
2 #E.2#.
Para impedir a dilatação livre, a soma das reduções de comprimento devido à compressão deve ser igual à soma dos aumentos devido à dilatação:
ΔL
1compr + ΔL
2compr = ΔL
1dilat + ΔL
2dilat.
σ
1 L
1 / E
1 + σ
2 L
2 / E
2 = ΔL
1dilat + ΔL
2dilat.
R L
1 / S
1 E
1 + R L
2 / S
2 E
2 = L
1 α
1 Δt + L
2 α
2 Δt.
R = [ L
1 α
1 Δt + L
2 α
2 Δt ] / [ L
1 / S
1 E
1 + L
2 / S
2 E
2].
R = [ ΔL1dilat + ΔL2dilat ] / [ 4 L1 / (π D12 E1) + 4 L2 / (π D22 E2) ] #F.1#.
Com essa igualdade a reação R fica determinada em função de parâmetros supostamente conhecidos e outros dados podem ser calculados em função da mesma. Considera-se agora o
exemplo numérico para Δt = 80ºC.
Seja alumínio o material da parte 1 e bronze o da parte 2. E os valores:
L
1 = 0,45 m | D
1 = 0,05 m | E
1 = 69 GPa | α
1 = 2,3 10
-5 /ºC.
L
2 = 0,50 m | D
2 = 0,045 m | E
2 = 98 GPa | α
2 = 1,9 10
-5 /ºC.
Conforme #B.1# e #B.2#,
ΔL
1dilat = 0,45 m 2,3 10
-5 /ºC 80 ºC = 0,828 mm ou 0,828 10
-3 m.
ΔL
2dilat = 0,50 m 1,9 10
-5 /ºC 80 ºC = 0,760 mm ou 0,760 10
-3 m.
Conforme #F.1#,
r = [8,28 10
-4 m + 7,6 10
-4 m] / [ 4 0,45 m / (π 0,05
2 m
2 69 10
9 N/m
2 + 4 0,50 m / (π 0,045
2 m
2 98 10
9 N/m
2 ].
r ≈ 15,88 10
-4 m / [ 3,32 10
-9 (m/N) + 3,21 10
-9 (m/N) ] ≈ 243,206 kN.
Calculam-se agora as tensões de compressão conforme #D.1# e #D.2#:
σ
1 = 4 243,206 10
3 / (π 0,05
2 m
2) ≈ 123,864 MPa.
α
2 = 4 243,206 10
3 / (π 0,045
2 m
2) ≈ 152,918 MPa.
E as variações devido à compressão conforme #E.1# e #E.2#:
ΔL
1compr = 123,864 MPa 0,45 m / 69 GPa ≈ 0,808 10
-3 m ou 0,808 mm.
ΔL
2compr = 152,918 MPa 0,50 m / 98 GPa ≈ 0,780 10
-3 m ou 0,780 mm.
Desde que a dilatação aumenta o comprimento e a compressão diminui, a variação líquida é igual à diferença das duas. Assim,
ΔL
1 = ΔL
1dilat − ΔL
1compr = 0,828 − 0,808 = 0,02 mm.
ΔL
2 = ΔL
2dilat − ΔL
2compr = 0,760 − 0,780 = −0,02 mm.
Os resultados positivo e negativo indicam que o alumínio é expandido e o bronze, comprimido. À primeira vista, isso pode parecer estranho. É mais visível supor ambas as partes comprimidas. Mas os diâmetros e comprimentos são diferentes, os materiais têm módulos de elasticidade e coeficientes de dilatação distintos. A combinação desses valores pode fazer resultados desse tipo.