Tração e compressão: generalidades |
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Considera-se, conforme Figura 01 deste tópico, uma barra redonda de diâmetro D e comprimento L, inicialmente na condição livre, isto é, sem aplicação de qualquer esforço.
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| Fig 01 |
Se aplicada uma força de tração F, as seguintes deformações são perceptíveis:
• o comprimento aumenta de L para L
1 = L + ΔL.
• o diâmetro diminui de D para D
1.
Alongamento (ou
deformação longitudinal) ε da barra é definido pela relação entre a variação de comprimento e o comprimento inicial
ε = ΔL / L #A.1#. É uma grandeza adimensional e também pode ser dada em termos percentuais
ε = 100 ΔL / L #A.2#.
Paralelamente ao aumento de comprimento, ocorre uma redução do diâmetro, denominada
contração transversal, que é dada por
εt = (D - D1) / D #B.1#.
As grandezas anteriores são, portanto, variações relativas do comprimento tracionado e da dimensão transversal a esse comprimento. O
coeficiente de Poisson (em geral, simbolizado por ν ou μ) é a relação entre essas variações
ν = εt / ε #C.1#. Valores típicos de ν para metais estão na faixa de 0,20 a 0,40.
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| Fig 02 |
Os ensaios de tração determinam graficamente a relação entre a tensão aplicada e o alongamento em uma amostra (corpo de prova) de um determinado material. Mais informações podem ser vistas nas páginas de
Ensaios de materiais I-10 deste site.
A Figura ao lado 02 (a) dá a curva aproximada para um aço estrutural típico
Existe um valor-limite de tensão até o qual a tensão aplicada (σ = F / S) é proporcional à deformação longitudinal ε
σ = E ε #C.1#.
Essa igualdade é conhecida como
lei de Hooke e indica, portanto, a região de proporcionalidade entre tensão aplicada e deformação no mesmo sentido dessa tensão.
O coeficiente E é denominado
módulo de elasticidade ou
módulo de Young (homenagem ao cientista inglês Thomas Young).
Desde que ε é uma grandeza adimensional, conclui-se que o módulo de elasticidade E tem a mesma unidade da tensão (pascal, Pa, no Sistema Internacional).
Obs: para compressão, pode-se supor a mesma lei, considerando a tensão com sinal contrário. Entretanto, alguns materiais exibem valores de E diferentes para tração e compressão. Nesses casos, podem-se usar as notações E
t e E
c para a distinção entre eles.
A tabela abaixo informa valores típicos de E e ν para alguns metais.
| - |
Aços |
Alumínio |
Bronze |
Cobre |
Ferro fundido |
Latão |
| E (GPa) |
206 |
68,6 |
98 |
118 |
98 |
64 |
| ν |
0,30 |
0,34 |
0,33 |
0,33 |
0,25 |
0,37 |
Voltando à Figura 02 (a), os pontos marcados têm as definições a seguir comentadas.
σ
p:
limite de proporcionalidade do material, isto é, tensão abaixo da qual o material se comporta segundo a lei de Hooke.
σ
e:
limite de escoamento (tensão a partir da qual as deformações são permanentes. Indica o início da
região plástica do material. A
região elástica do material está, portanto, à esquerda desse limite e abrange a região de proporcionalidade anterior).
σ
b:
tensão máxima de ensaio do material.
σ
r:
tensão de ruptura de ensaio do material.
Em materiais pouco dúcteis (frágeis) como ferro fundido, nem todos esses limites ocorrem e uma curva típica é parecida com a Figura 02 (b).
No caso de aços, o teor de carbono exerce significativa influência nas tensões máximas. Abaixo alguns valores típicos de tensões de escoamento e de ruptura para aços-carbono comerciais.
| Teor C % |
0,10 |
0,20 |
0,30 |
0,40 |
0,50 |
| σe (MPa) |
177 |
206 |
255 |
284 |
343 |
| σr (MPa) |
324 |
382 |
470 |
520 |
618 |
Em geral, para fins de dimensionamento no caso de materiais dúcteis, considera-se tensão admissível igual à tensão de escoamento dividida por um coeficiente de segurança. No caso de materiais frágeis, conforme visto, a tensão de escoamento não é definida e normalmente é usada a de ruptura dividida pelo coeficiente de segurança.