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Cilindro de parede espessa


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Relações básicas |
Casos específicos (reservatório com pressão interna ou externa, montagem mecânica com interferência) |
Alguns exemplos |
 

Relações básicas

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As fórmulas simples para cálculo de reservatórios cilíndricos de parede fina supõem tensões internas constantes, aproximação perfeitamente aceitável para o caso.

Cilindro de parede espessa
Fig 01
Se o cilindro tem parede espessa (em geral, assim considerado se espessura é maior que 1/10 do raio interno), as tensões internas variam significativamente e a aproximação anterior não é mais válida.

Consideramos um cilindro espesso conforme (a) da Figura 01, que, segundo o corte transversal em (b) da mesma figura, é submetido a uma pressão interna pi ou a uma pressão externa pe. Os raios interno e externo são ri e re respectivamente.

Supondo uma fatia de comprimento longitudinal unitário, a Figura 02 (a) representa uma porção elementar dessa fatia, limitada pelo ângulo dθ e pelos raios r e r + dr.

A simetria da questão permite concluir que as tensões transversais no elemento são nulas e que as tensões normais σr e σθ dependem apenas de r e não de θ.

Para equilíbrio das forças na direção radial, temos

σr r dθ + 2 σθ (dθ/2) dr = (σr + dσr) (r + dr) dθ.


σr r dθ + σθ dθ dr = σr r dθ + σr dr dθ + dσr r dθ + dσr dr dθ. Desprezando a parcela com três diferenciais e simplificando, chegamos a

(dσr / dr) + (σr − σθ) / r = 0 #A.1#.

A parte (b) da Figura 02 trata das deformações da porção elementar do cilindro. Lembrando novamente a simetria, concluímos que não há deslocamento angular, restando apenas o deslocamento radial u dado por aa' ou dd'.

O comprimento original no sentido radial é dado por ab ou dc, que equivale a dr. No deslocamento para a'b'c'd', esse comprimento aumenta de u + du − u. Portanto, a deformação radial do elemento é dada por

Porção elementar do cilindro de parede espessa
Fig 02
εr = (u + du − u) / dr = du / dr #B.1#.

O arco ad (r dθ) varia para a'd' ou (r + u) dθ. Temos então a deformação tangencial

εθ = [ (r + u) dθ − r dθ ] / (r dθ) = u / r #B.2#

Aplicamos agora a lei de Hooke para tensões no plano porque supomos, por enquanto, as extremidades do cilindro abertas, isto é, sem tensões ao longo do eixo z (ν = coeficiente de Poisson)

εr = (1 / E) (σr − ν σθ) = du / dr #B.3#.

εθ = (1 / E) (σθ − ν σr) = u / r #B.4#.


Resolvendo o sistema de equações anterior para as tensões, temos os resultados

σr = [ E / (1 − ν2) ] (du / dr + ν u / r) #B.5#.

σθ = [ E / (1 − ν2) ] (u / r + ν du / dr) #B.6#.

Temos σr − σθ = [ E / (1 − ν2) ] [ du / dr − ν du / dr + ν u / r − u / r ].

Também dσr / dr = [ E / (1 − ν2) ] [ d2u / dr2 + (ν / r) du / dr − ν u / r2 ]. Substituindo em #A.1# e simplificando, temos

d2u / dr2 + (1 / r) du / dr − u / r2 = 0 #C.1#. A solução da equação diferencial é u = K1 r + K2 / r #C.2#.

Substituindo e resolvendo em #B.5# e #B.6#,

σr = [ E / (1 − ν2) ] [ K1 (1 + ν) − K2 (1 − ν) / r2 ] #D.1#.

σθ = [ E / (1 − ν2) ] [ K1 (1 + ν) + K2 (1 − ν) / r2 ] #D.2#.

As constantes de integração K1 e K2 são determinadas pelas condições de contorno: para r = ri, σr = − pi e, para r = re, σr = − pe. Substituindo em #D.1# e resolvendo,

K1 = [ (1 − ν) / E ] [ (ri2 pi − re2 pe) / (re2 − ri2) ] #D.3#.

K2 = [ (1 − ν) / E ] [ ri2 re2 (pi − pe) / (re2 − ri2) ] #D.4#.

Substituindo esses valores em #D.1# e #D.2# e simplificando, temos as relações básicas para o cilindro aberto

σr = [ (ri2 pi − re2 pe) / (re2 − ri2) ] − [ ri2 re2 (pi − pe) / (re2 − ri2) r2 ] #E.1#.

σθ = [ (ri2 pi − re2 pe) / (re2 − ri2) ] + [ ri2 re2 (pi − pe) / (re2 − ri2) r2 ] #E.2#. Onde

σr: tensão radial em um ponto de raio r.
σθ: tensão tangencial em um ponto de raio r.
ri: raio interno do cilindro.
re: raio externo do cilindro.
pi: pressão interna atuante.
pe: pressão externa atuante.
r: raio correspondente às tensões anteriores.


Casos específicos

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A fórmula deduzida no tópico anterior vale para cilindro de extremidades abertas e livres, isto é, sem tensões no eixo z ou σz = 0. Aplicações típicas são montagens mecânicas com interferência. Para reservatórios, as extremidades são obviamente fechadas e devemos considerar tensões ao longo do eixo z.

Tensões em cilindro de parede espessa
Fig 01
A força numa extremidade devido à pressão externa é pe π re2. De forma análoga, para pressão interna, pi π ri2. A diferença entre essas forças atua na área π (re2 − ri2).

Portanto, a tensão ao longo do eixo z para o caso de extremidades fechadas é calculada por

σz = (ri2 pi − re2 pe) / (re2 − ri2) #A.1#.


Generalizando, podemos dizer que em um ponto de raio r, temos as tensões principais

σ1 = σθ σ2 = σr σ3 = σz #A.2#

Reservatório com apenas pressão interna:

Temos as fórmulas segundo #E.1# e #E.2# do tópico anterior e #A.1# deste tópico com pe = 0.

σr = (1 − re2 / r2) [ ri2 pi / (re2 − ri2) ] #B.1#.

σθ = (1 + re2 / r2) [ ri2 pi / (re2 − ri2) ] #B.2#.

σz = ri2 pi / (re2 − ri2) #B.3#.

A Figura 01 acima mostra curvas aproximadas da variação das tensões radial e tangencial com o raio para este caso.

Reservatório com apenas pressão externa:

Temos as fórmulas segundo #E.1# e #E.2# do tópico anterior e #A.1# deste tópico com pi = 0.

σr = (1 − ri2 / r2) [ − re2 pe / (re2 − ri2) ] #C.1#.

σθ = (1 + ri2 / r2) [ − re2 pe / (re2 − ri2) ] #C.2#.

σz = − re2 pe / (re2 − ri2) #C.3#.

Montagem mecânica com interferência

Sejam dois cilindros de mesmo comprimento tais que o raio externo de um é ligeiramente maior que o raio interno do outro. Se fazemos uma montagem mecânica forçada dos mesmos, haverá uma pressão p, interna para o cilindro maior e externa para o menor, que poderá ser usada para calcular as tensões nos cilindros de acordo com as fórmulas já vistas. A fórmula aproximada para essa pressão é
δr   b     (c2 + b2)           b     (b2 + a2)
-- = --- [ --------- + νc ] +  --- [ --------- − νa ] #D.1#
p    Ec    (c2 − b2)           Ea    (b2 − a2)
δr: interferência radial (deve ser pequena em relação a b).
p: pressão de interferência ou de contato.
a: raio interno do cilindro menor.
b: raio comum (externo do menor e interno do maior).
c: raio externo do cilindro maior.
Ea: módulo de elasticidade do material do cilindro menor.
Ec: módulo de elasticidade do material do cilindro maior.
νa: coeficiente de Poisson do material do cilindro menor.
νc: coeficiente de Poisson do material do cilindro maior.

Dispondo do comprimento L e do coeficiente de atrito μ (valores típicos de 0,12 a 0,20 para aços), o torque máximo que pode ser transmitido é

T = 2 π b2 L μ p #D.2#.


Alguns exemplos

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Exemplo 01: uma prensa hidráulica deve produzir uma força de 2000 kN com um êmbolo de Φ = 300 mm. Determinar a espessura da parede do cilindro para a tensão tangencial máxima igual a 80 MPa.

Temos ri = 0,15 m e área do êmbolo π 0,152 ≈ 0,07 m2. Portanto, pi = 2000 / 0,07 ≈ 29 MPa.

Segundo a fórmula já vista para a tensão tangencial de reservatório com pressão interna,

σθ = (1 + re2 / r2) [ ri2 pi / (re2 − ri2) ], ela deve ser máxima para r = ri. Fazemos então

80 = (1 + re2 / 0,152) [ 0,152 29 / (re2 − 0,152) ]. Resolvendo, re ≈ 219 mm e espessura ≈ 219 − 150 = 69 mm.

Notar que esse cálculo não é dimensionamento do cilindro!

Exemplo 02: um cilindro fechado de diâmetro interno 160 mm e diâmetro externo 320 mm suporta uma pressão interna de 150 MPa. Determinar as mínimas e máximas tensões radiais e tangenciais bem como a tensão longitudinal.

Temos os dados: ri = 0,16/2 = 0,08 m | re = 0,32/2 = 0,16 m | pi = 150 106 Pa. E as fórmulas já vistas:

σr = (1 − re2 / r2) [ ri2 pi / (re2 − ri2) ] σθ = (1 + re2 / r2) [ ri2 pi / (re2 − ri2) ] σz = ri2 pi / (re2 − ri2)

Calculamos o termo comum (re2 − ri2) = (0,162 − 0,082) = 0,0192.

Para r = ri podemos deduzir que σr = − pi = − 150 MPa. Para r = re temos σr = = 0.

Para r = ri temos σθ = (1 + 0,162 / 0,082) [ 0,082 150 / 0,0192 ] = 250 MPa. Para r = re temos a tensão σθ = (1 + 0,162 / 0,162) [ 0,162 150 / 0,0192 ] = 100 MPa.

Tensão longitudinal σz = 0,082 150 / 0,0192 = 50 MPa

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