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Probabilidades e estatística III-62
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Intervalos de confiança - Introdução |
Intervalo de confiança para média (desvio-padrão conhecido) |
Intervalo de confiança para média (desvio-padrão desconhecido) |
Intervalos de confiança - Introdução
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Em páginas anteriores foram dados alguns exemplos de métodos para estimar parâmetros de uma população a partir de informações de uma amostra. Seja um caso comum: a média X de uma amostra é um estimador não polarizado para a média μ da população. Entretanto, a simples estimativa não dá idéia da proximidade ou do afastamento do valor real μ, ou melhor, da precisão do resultado.
Um método usual de especificar a precisão é determinar um intervalo de confiança para o parâmetro da população. Exemplo: pode-se dizer que ℓ1 e ℓ2 são, respectivamente, os limites inferior e superior de um intervalo de confiança de 95% para a média μ.
Um engano conceitual comum é supor que, no exemplo citado, há 95% de probabilidade de a média estar entre os limites ℓ1 e ℓ2. Considerando a população estável, a média é fixa, ou seja, ela só pode estar dentro ou fora de um intervalo e, portanto, esse conceito não é válido. Desde que intervalos de confiança são calculados a partir de amostras, o correto é dizer que, na repetição de amostras dessa população, em 95% dos casos a média μ estará entre os valores calculados ℓ1 e ℓ2.
Intervalo de confiança para média (desvio-padrão conhecido)
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Seja uma determinada população com os dados:
μ: média (desconhecida).
σ: desvio-padrão (conhecido).
X1, X2 ... Xn: uma amostra genérica dessa população.
Considera-se uma variável X igual á soma dos elementos da amostra:
X = X1 + X2 + ... + Xn#1.1#
Segundo o teorema do limite central (ver Distribuição normal), X tem distribuição N(nμ, nσ2) se n tende para infinito (na prática, pode-se supor n ≥ 20 para razoável aproximação). Portanto,
E(X) = nμ
Var(X) = nσ2
Usam-se agora as propriedades da multiplicação da média e da variância por um escalar:
E(aX) = a E(X)
Var(aX) = a2 Var (X)
A média da amostra é
#2.1#
Aplicando essas propriedades à X,
#3.1#
#3.2#
Portanto, X tem distribuição
#A.1#
Usando método citado na página já mencionada, pode-se verificar que a variável Z abaixo tem distribuição normal padrão, N(0, 1):
#B.1#
De acordo com a função de densidade da distribuição normal padrão (Figura 01), pode-se ter dois valores simétricos −zα/2 e zα/2 tais que:
P(−zα/2 ≤ Z ≤ zα/2) = 1 − α#C.1#

Fig 01
Obs: dado α, o valor zα/2 pode ser obtido de tabelas da distribuição normal padrão. Na tabela desta página, deve-se procurar z para (0,5 − α/2) porque ela se refere à área entre o ponto zero e o valor z.
Substituindo Z em #C.1# pelo seu valor segundo #B.1#,
#C.2#
Reagrupando os termos, chega-se à fórmula para o intervalo de confiança da média μ da população:
#D.1#
Onde:
X: média dos valores da amostra.
zα/2: valor de z da distribuição normal padrão para área à direita α/2.
σ: desvio-padrão (supostamente conhecido) da população.
n: número de elementos da amostra.
μ: média da população (desconhecida e para a qual se deseja um intervalo de confiança).
ℓ1: limite inferior do intervalo de confiança:
#D.2#
ℓ2: limite superior do intervalo de confiança:
#D.3#
1 − α: coeficiente de confiança desejado (exemplo: um valor comum é 95% e, portanto, α = 0,05).
Exemplo 01: supõe-se que a variância do peso das pessoas adultas de sexo masculino de uma determinada região seja 144. Em uma amostra de 36 pessoas, foi encontrada uma média de 63,4 kg. Determinar o intervalo de confiança de 90% para a média dos pesos dessas pessoas.
Solução: os dados disponíveis são:
n = 36
σ² = 144. Portanto, σ = 12
X = 63,4
1 − α = 0,90 ou α = 0,10
Na tabela desta página para a distribuição normal, deve-se procurar, conforme dito anteriormente:
z para (0,5 − α/2) = 0,45
Esse valor não é exatamente encontrado na tabela mencionada. Ocorrem 0,4495 com z = 1,64 e 0,4505 com z = 1,65. Adota-se então uma interpolação simples com
zα/2 = 1,645
E os limites são:
ℓ1 = 63,4 − 1,645 × 12 / 6 = 60,11
ℓ2 = 63,4 + 1,645 × 12 / 6 = 66,69
Portanto, o resultado é
60,11 ≤ μ ≤ 66,69 para 90% de confiança.
Se a variância ou o desvio-padrão da população não for conhecido, é possível uma aproximação com o uso, no lugar de σ, do desvio-padrão s calculado para a amostra. Nesse caso, é regra prática usar amostra com tamanho mínimo 30 em vez de 20 conforme anteriormente mencionado.
Intervalo de confiança para média (desvio-padrão desconhecido)
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Se o desvio-padrão da população não é conhecido, em vez da aproximação citada no tópico anterior, deve-se considerar que a variável Z tem distribuição t-student com n − 1 graus de liberdade. Usando o símbolo T no lugar de Z,
#A.1#
Naturalmente, o desvio-padrão da população σ é substituído por s (desvio-padrão da amostra):
#B.1#
E a relação para o intervalo de confiança é conforme #D.1# do tópico anterior, com a substituição do desvio-padrão e a substituição de zα/2 por tα/2 n−1, cujo valor pode ser encontrado nas tabelas da distribuição.
#C.1#
Onde:
X: média dos valores da amostra.
tα/2 n−1: valor de distribuição t para área à direita α/2.
s: desvio-padrão da amostra.
n: número de elementos da amostra.
μ: média da população (desconhecida e para a qual se deseja um intervalo de confiança).
ℓ1: limite inferior do intervalo de confiança:
#C.2#
ℓ1: limite superior do intervalo de confiança:
#C.3#
1 − α: coeficiente de confiança desejado (exemplo: um valor comum é 95% e, portanto, α = 0,05).
Exemplo 01: seja uma amostra com os valores:
n = 25
X = 5
s = 0,5
Determinar o intervalo de confiança a 95% para a média μ da população.
Solução:
1 − α = 0,05 e, portanto, α/2 = 0,025
Também n − 1 = 24
Da tabela da distribuição t-student,
t0,025 24 = 2,064
Usando #C.2# e #C.3#,
ℓ1 = 5 − 2,064 0,5 / √25 = 4,7936
ℓ2 = 5 + 2,064 0,5 / √25 = 5,2064
Portanto 4,7936 ≤ μ ≤ 5,2064 para 95% de confiança.
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