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Probabilidades e estatística II-00




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Variável aleatória |
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Variável aleatória

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Seja S o conjunto que contém todos os eventos de um determinado experimento que se deseja estudar. Uma variável aleatória é uma função que atribui um número real a cada evento em S, segundo o critério que se deseja observar.


Exemplo 01: um dado é jogado e o critério a observar é o número da face voltada para cima. Então o conjunto S é dado por

S = {1, 2, 3, 4, 5, 6}

Uma variável aleatória X(w) para esse critério pode ter uma correspondência direta, isto é,

X(w) = w, onde w é um elemento de S.


Exemplo 02: se, no exemplo anterior, o critério é número par ou ímpar da face voltada para cima, o conjunto S é o mesmo e uma variável aleatória Y(w) pode ser definida como

Y(w) = 0 se w é par
Y(w) = 1 se w é ímpar

Pode-se usar a notação de transformação para a variável aleatória:

X:S → R

De forma abreviada, pode ser usada a notação:

X = x

Indicando o conjunto de todos os elementos w de S tais que X(w) = x. E a respectiva probabilidade pode ser escrita:

P(X = x)

Variáveis aleatórias podem ser unidimensionais ou ter mais de uma dimensão. Podem também ser discretas quando o número de valores que podem assumir é finito (ou infinito de forma enumerável) ou contínuas nos demais casos.



Função de distribuição

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Seja X uma variável aleatória unidimensional. A correspondente função de distribuição acumulada (ou simplesmente função de distribuição), simbolizada por FX (ou simplesmente F) é dada por:

F(x) = P( X ≤ x )#A.1#

Dependendo da faixa de variação dos valores da variável aleatória, a função de distribuição pode ser:

limitada ( exemplo: 0 < x < +∞ )

ilimitada ( −∞ < x < +∞ )

De acordo com o tipo de valores da variável aleatória, pode ser discreta ou contínua.

Algumas propriedades da função de distribuição (considerando a < b):

0 ≤ F(x) ≤ 1#B.1#
F(a) ≤ F(b)#B.2#
lim F(x) = 0 se x → −∞#B.3#
lim F(x) = 1 se x → +∞#B.4#
P( a < X ≤ b ) = F(b) − F(a)#B.5# P( a ≤ X < b ) = F(b) − F(a) + P( X = a ) − P( X = b )#B.6#
P( a ≤ X ≤ b ) = F(b) − F(a) + P( X = a )#B.7#
P( a < X < b ) = F(b) − F(a) − P( X = b )#B.8#


Exemplo (fonte: prova IRB 2004): Uma amostra de tamanho 200 com valores possíveis 0, 1, 2, 3 e 4 produziu a função de distribuição empírica seguinte:

F (x) = 0 se x < 0
        0,325 se 0 ≤ x < 1
        0,650 se 1 ≤ x < 2
        0,850 se 2 ≤ x < 3
        0,975 se 3 ≤ x < 4
        1 se 4 ≤ x 

Assinale a opção que dá o número de observações amostrais iguais a 3:

a) 195 b) 170 c) 130 d) 65 e) 25.

Solução: para valores iguais a 3, a probabilidade deve ser P( 2 < x ≤ 3) = 0,975 − 0,850 = 0,125 (de acordo com as propriedades acima). E o número de observações deve ser igual à essa probabilidade multiplicada pelo tamanho da amostra, isto é, 0,125 × 200 = 25. Resposta e.



Função de densidade

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Este conceito e o anterior de função de distribuição podem ser bem compreendidos com a ajuda do exemplo numérico a seguir.

Sejam dois dados jogados de uma só vez. A soma dos números das faces voltadas para cima é o elemento que se deseja estudar. Pode-se facilmente concluir que os valores dessa soma são números inteiros entre 2 e 12. Há, portanto, uma variável aleatória discreta X, que pode assumir 11 valores xi conforme tabela abaixo.

i 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11
xi 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12
P( X = xi ) = p(xi) 0,028 0,056 0,083 0,111 0,139 0,167 0,139 0,111 0,083 0,056 0,028
P( X = xi ) acum = F(xi) 0,028 0,083 0,167 0,278 0,417 0,583 0,722 0,833 0,917 0,972 1,000

As probabilidades de cada valor podem ser facilmente calculadas, uma vez que, em cada jogada, há 6 x 6 = 36 combinações possíveis (exemplo: o resultado 2 só pode ser 1 + 1. Assim, probabilidade 1/36 ≈ 0,028. O resultado 3 pode ser 1 + 2 ou 2 + 1, isto é, 2 combinações ou 2/36 ≈ 0,056. E de forma similar para os demais).

O gráfico da última linha da tabela, isto é, das probabilidades acumuladas, é dado em (a) da Figura 01. Nota-se que ele representa a própria função de distribuição segundo o tópico anterior: a soma das probabilidades até o índice i é igual à probabilidade de X ≤ xi.

Função de distribuição e função de densidade
Fig 01

Considera-se agora a hipótese de aumento do número de faces dos dados. Os limites superior e inferior do gráfico são mantidos porque probabilidade só pode variar de 0 a 1. Haverá então uma quantidade maior de valores entre esses extremos. Se o número de faces cresce indefinidamente, o resultado será uma curva contínua conforme indicado de forma aproximada pela linha tracejada do gráfico. Ou seja, será a função de distribuição para uma variável aleatória contínua.

O gráfico (b) da Figura 01 dá as probabilidades individuais, isto é, a terceira linha da tabela anterior. A função pode ser indicada por:

p(xi) = P( X = xi )#A.1#

Essa função tem as propriedades:

0 ≤ p(xi) ≤ 1 (porque é uma probabilidade)
Σ p(xi) = 1   (porque a probabilidade de todo o conjunto é sempre unitária)

A função p(xi) é denominada função de probabilidade da variável aleatória discreta X. A sua relação com a função de distribuição é:

#A.2#

A curva tracejada indica a tendência para uma variável aleatória contínua conforme já visto para a função de distribuição. Considera-se agora a função:

f(xi) = p(xi) / Δx

Ou, no caso contínuo,

f(x) = p(x) / dx

Além da propriedade f(x) ≥ 0 (porque a probabilidade é maior ou igual a zero), ocorre também:

∫ f(x) dx = 1

De forma análoga ao somatório do caso discreto. Pode-se também demonstrar facilmente que a relação com a função de distribuição é:

#B.1#

Essa função (f) é denominada função de densidade de probabilidade (ou simplesmente função de densidade) da variável aleatória contínua X.

Desde que fisicamente a integral pode ser interpretada pela área sob a curva, pode-se dizer que a área sob a curva da função de densidade entre dois pontos genéricos a e b indica a probabilidade de a variável aleatória estar entre esses dois valores. Se a e b são os extremos (−∞ e +∞), a probabilidade é de todo o conjunto, ou seja, 1. Assim, a área total sob a curva da função de densidade é unitária.


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