Números complexos
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A raiz quadrada de um número negativo não tem solução algébrica e é considerada um
número imaginário e a
unidade imaginária é indicada por:
j = √−1 #A.1#.
Exemplo:
√(−9) = 3 j. Da definição acima, deduz-se que
j2 = 1 #A.2#.
Obs: na praxe matemática, é usual representar a unidade imaginária por i e não j. Considerando que os números complexos são muito usados em eletricidade, no estudo de correntes alternadas, essa notação (j) é aqui usada para não confundir com o i que se refere à corrente elétrica.
Um
número complexo é formado por um número real e um número imaginário. De forma genérica,
a + jb #B.1#.
Graficamente, num sistema de coordenadas ortogonais, os números reais estão sobre o eixo horizontal e os imaginários, sobre o eixo vertical conforme Figura 01.
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| Figura 01 |
Assim, um ponto genérico z representa um número complexo dado por suas coordenadas:
z = a + jb #B.2#.
Desde que
a = r cos φ e
b = r sen φ, pode-se escrever a
forma trigonométrica de um número complexo:
z = r (cos φ + j sen φ) #B.3#.
Ou em
coordenadas polares:
z = (r, φ) #B.4#.
Do estudo de séries infinitas, pode ser visto que a igualdade trigonométrica equivale a uma
forma exponencial do número complexo:
z = r ejφ #B.5#.
A tabela seguinte dá o resumo das formas mencionadas e relações para conversão.
Tabela 01
| Normal |
Trigonométrica |
Polar |
Exponencial |
| a + jb |
r (cos φ + j sen φ) |
(r, φ) |
r ejφ |
a = r cos φ b = r sen φ |
r2 = a2 + b2 φ =
arc tan b/a |
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O comprimento r é denominado
módulo ou
valor absoluto do número complexo. Pode ser representado pelo símbolo do número entre barras verticais:
Se
z = a + j b, o seu módulo é
|z| = √ (a2 + b2) #D.1#.
Para analisar algumas propriedades e operações, consideram-se os números complexos genéricos:
z = a + jb = r (cos φ + j sen φ) = (r, φ) = r ejφ
z1 = a1 + jb1 = r1 (cos φ1 + j sen φ1) = (r1, φ1) = r1 ejφ1.
z2 = a2 + jb2 = r2 (cos φ2 + j sen φ2) = (r2, φ2) = r2 ejφ2.
Igualdade:
• Se
z1 = z2, então
a1 = a2 e
b1 = b2 #E.1#. Para outras formas,
r1 = r2 e
φ1 = φ2 #E.2#.
Adição e subtração (a forma normal é mais simples):
•
z1 + z2 = (a1 + a2) + j(b1 + b2) #F.1#.
•
z1 − z2 = (a1 − a2) + j(b1 − b2) #F.2#.
Multiplicação e divisão (as formas exponencial ou polar são mais adequadas):
•
z1 z2 = r1 r2 ej(φ1 + φ2) #G.1#.
•
z1/z2 = (r1/r2) ej(φ1 − φ2) #G.2#.
Potenciação (a forma exponencial é também melhor):
•
zn = rn ejnφ #H.1#.
•
1/z = (1/r) e−jφ #H.2# (inversão: caso particular com n = −1).
O
conjugado complexo de um número complexo é obtido pela troca de sinal da parte imaginária. Símbolos usuais são uma barra superior ou asterisco (*). Assim,
• Se
z = a + j b, o conjugado é
z* = z = a − j b #I.1#.
• Na forma exponencial, se
z = r ejφ, o conjugado é
z* = r e−jφ #I.2#.
Exemplos numéricos:
(4 − j 5)* = 4 + j 5. Se o número é real, o conjugado é o próprio:
6* = 6.
Graficamente o conjugado pode ser visto como um espelho em relação ao eixo x.
Algumas propriedades do conjugado complexo:
(u + z)* = u* + z* #J.1#
(u z)* = u* z* #J.2#
(u / z)* = u* / z* para z ≠ 0 #J.3#
z* = z se e somente se z é real #J.4#
|z*| = |z| #J.5#
|z|² = z z* #J.6#
1/z = z* / |z|² para z ≠ 0 #J.7#
Considerando as relações já vistas, r
2 = a
2 + b
2 e tan φ = b/a, pode-se deduzir:
z = √(a2+b2) e j arctan (b/a) #K.1#.
Voltando à Figura 01 deste tópico, pode-se também considerar que um número complexo é representado por um vetor de origem em 0 e coordenadas a e b. Esse conceito é usado, por exemplo, na análise de circuitos elétricos de correntes alternadas (fasores).
Calculando números complexos: a página
Calculadora complexa contém formulário para operações aritméticas elementares.
Curiosidade: da igualdade
r (cos φ + j sen φ) = r ejφ, se eliminado r, tem-se
(cos φ + j sen φ) = ej φ. Para
φ = π,
cos φ = −1 e também
sen φ = 0. Substituindo,
ejπ + 1 = 0 #L.1#. É uma interessante igualdade, que relaciona os números fundamentais
0, 1, e, j, π.
Funções complexas
De forma similar às funções de números reais, pode-se definir uma função complexa f(s), onde s é uma variável complexa ou s = a + j b.
Uma função real f(x) pode ser diretamente representada por uma curva num sistema de coordenadas xy.
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| Figura 02 |
Entretanto, uma função complexa f(s) não tem a mesma facilidade de representação porque os eixos são usados para indicar as partes real (Re) e imaginária (Im).
Pode-se supor então, conforme (a) da Figura 02, um conjunto de eixos Re Im para a variável s e outro conjunto para f(s) como em (b) da mesma figura.
Assim, a função define um mapeamento de cada valor s em (a) para o respectivo valor f(s) em (b).
Exemplo 01: seja
f(s) = s2. Desde que
s = a + jb, deduz-se facilmente que
f(s) = a2 − b2 + j2ab. Portanto,
Re[f(s)] = a2 − b2
Im[f(s)] = 2ab
Exemplo 02: seja
f(s) = 1 / (s + 1). Considerando
s = a + jb, o desenvolvimento aritmético (aqui não exibido) permite chegar ao resultado:
| f(s) = |
a + 1 |
+ j |
−b |
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| (a + 1)2 + b2 |
(a + 1)2 + b2 |
Exemplo 03: seja
f(s) = es. Desde que
s = a + jb,
f(s) = es = ea + jb = ea ejb.
De #B.5# e #B.3#,
z = r ejφ = r (cos φ + j sen φ). Portanto,
ejφ = cos φ + j sen φ.
E o resultado é
f(s) = ea cos b + j ea sen b.
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Última revisão ou atualização: Mar/2008
Referências:
BOUCHÉ, Ch; LEITNER, A; SASS, F. Dubbel - Manual da Construção de Máquinas. São Paulo: Hemus, 1979.
GIEK, Kurt. Manual de Fórmulas Técnicas. São Paulo: Hemus.
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Planetmath. http://planetmath.org/.
SIMMONS, H. A. College Algebra. New York: Macmillan.
VYGODSKY, M. Mathematical Handbook. Moscow: Mir Publishers, 1971.
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