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Fluidos 09-10



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Fluidos não newtonianos

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A Figura 01 mostra o esquema da ação de uma força sobre uma camada de fluido, conforme visto em página anterior. Considerando que a camada ao longo do eixo X tem velocidade c nula (parede de um conduto), uma força F aplicada a uma distância h produz uma tensão de cisalhamento τ na face superior.

Tensão em uma camada de fluido
Figura 01
A taxa de cisalhamento ou taxa de deformação é definida pela variação da deformação de cisalhamento em relação ao tempo:

#A.1#

Nos fluidos newtonianos, verifica-se que há uma proporcionalidade entre a tensão de cisalhamento e a taxa de deformação:

#A.2#

Onde o coeficiente de proporcionalidade η é a viscosidade dinâmica do fluido.

Há fluidos, denominados não newtonianos, cujo comportamento não é linear e pode ser genericamente dado pela relação:

#A.3#

A Figura 02 mostra curvas apenas ilustrativas dos tipos de fluidos de acordo com o comportamento da tensão de cisalhamento. Todos eles pertencem à classe dos independentes do tempo, isto é, as relações não variam com o tempo de aplicação das tensões.

Numa generalização da relação #A.2#, pode-se dizer que a viscosidade de um fluido genérico é a inclinação da reta tangente à curva no ponto considerado.

A seguir, descrições resumidas dos tipos indicados.

A: esse é o comportamento de um fluido ideal. Não há viscosidade e, portanto, a tensão de cisalhamento é nula em qualquer ponto. É o tipo considerado em modelos teóricos simples de escoamentos.

B: o tipo dilatante é característico de algumas soluções de açúcar e de amidos. A viscosidade aumenta com o aumento da taxa de cisalhamento.

Alguns tipos de fluidos
Figura 02
C: o tipo newtoniano já foi visto no início deste tópico e em outras páginas desta série. A esse grupo pertence a maioria dos fluidos práticos, como água e soluções aquosas, óleos, etc.

D: no grupo dos pseudo-plásticos, a viscosidade diminui com o aumento da taxa de cisalhamento. Exemplos: alguns produtos alimentícios, massas de cerâmica e de cimento.

Os próximos tipos têm comportamento de plástico e requerem uma tensão inicial τ0 para início do escoamento. Entretanto, ao contrário dos plásticos sólidos, podem não apresentar prévia elasticidade.

E: esse é um modelo de fluido plástico com características de aumento da viscosidade com aumento da taxa de cisalhamento.

F: o plástico de Bingham pode ser visto como um fluido newtoniano com uma tensão inicial maior que zero. É o comportamento aproximado de produtos alimentícios com alto teor de gordura (chocolate, manteiga, margarina).

G: o modelo de Casson mostra características plásticas, com redução da viscosidade no aumento da taxa de cisalhamento. Aplicável a fluidos como sangue e iogurtes.



Alguns modelos matemáticos

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O modelo mais simples usa a fórmula dada no tópico anterior:

#A.1#

Onde K é denominado coeficiente de consistência.


• Para um fluido newtoniano, τ0 = 0, n = 1. O coeficiente K é a própria viscosidade dinâmica η.

E a igualdade é reduzida à formulação correspondente:   #A.2#


• Para um plástico de Bingham, τ0 > 0, n = 1. O coeficiente K é também denominado viscosidade plástica ηp.

#A.3#


• Para um fluido dilatante: #A.4#. Onde n > 1.


• No caso de um pseudoplástico: #A.5#. Onde n < 1.


A viscosidade aparente ηap é a relação entre a tensão e a taxa de deformação:

#B.1#

A formulação acima tem imperfeições, como inconsistências em valores extremos e dependência da dimensão de K com o expoente n. Mas é usada em muitos casos práticos.


O modelo de Casson usa uma fórmula própria, diferente das anteriores:

#C.1#

Onde ηCA é a viscosidade plástica de Casson.


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