Escoamento isentrópico de um gás ideal (cont)
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Em página anterior foi vista a relação entre a pressão p em um determinado ponto e a pressão de estagnação p
T, que é invariável no escoamento isentrópico:
#A.1#
A expansão binomial dessa expressão resulta em:
pT / p = 1 + [ χ Ma2 / 2 ] [ 1 + Ma2 / 4 + Ma4 / 8 + ... ]
Para pequenos valores do número de Mach M
a, pode-se considerar:
pT / p ≈ 1 + χ Ma2 / 2. Fazendo
pT = p + Δp, tem-se
1 + Δp / p ≈ 1 + χ Ma2 / 2. Portanto,
Δp / p ≈ χ Ma2 / 2
Considera-se que:
Velocidade do som é
√(χ R T)
Número de Mach é a razão entre a velocidade do escoamento e a do som,
Ma = c / √(χ R T) ou
Ma2 = c2 / (χ R T). Substituindo na anterior,
Δp / p ≈ (1/2) c2 / (R T). Mas, para o gás ideal,
pv = RT ou p / ρ = RT. Substituindo, chega-se a
Δp ≈ (1/2) c2 ρ #B.1#
O resultado significa que,
para pequenas velocidades, há uma aproximação com o escoamento de líquidos (incompressível) calculado pela equação de Bernoulli.
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| Figura 01 |
Exemplo 01: conforme Figura 01, um tubo de Pitot é usado para medir um fluxo de ar (x = 1,4) a 20ºC, resultando em p
1 = 105 kPa e p
2 = 125 kPa. Determinar a velocidade c do escoamento.
Usa-se a fórmula #A.1# porque não se conhece o número de Mach. Tem-se p
T = p
2 e p = p
1.
125 / 105 = [ 1 + (1,4 − 1) Ma2 / 2 ]1,4 / (1,4 − 1). Resolvendo,
Ma ≈ 0,505
A temperatura absoluta é
T ≈ 273 + 20 = 293 K
Para o ar, a constante do gás é
R ≈ 287 J/(kg K)
Então a velocidade do som é
√(x R T) = √(1,4 287 293) ≈ 343 m/s
Portanto,
Ma = 0,505 = c / 343. Resolvendo,
c ≈ 173 m/s
Escoamento isentrópico em bocal
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Seja, de acordo com Figura 01 abaixo, um bocal convergente e divergente pelo qual escoa, de forma isentrópica, um gás ideal. Considera-se um volume de controle genérico de área transversal A sujeito a variações infinitesimais de condições físicas (temperatura, massa específica, etc) conforme indicado.
Já visto que a velocidade do som em um gás ideal é
cs = √(x R T) #A.1#, onde x é a relação c
p/c
v (calor específico com pressão constante e com volume constante), R é a constante do gás e T é a temperatura absoluta.
Considerando também o processo adiabático, segundo a Termodinâmica,
p vx = k (constante) #B.1#. Onde p é pressão, v é volume específico.
Desde que
v = 1 / ρ #B.2#, onde ρ é massa específica,
p = k ρx
Derivando em relação a ρ,
dp / dρ = k x ρx − 1 = x k ρx / ρ = x p / ρ = x p v
De acordo com a equação de estado dos gases ideais
p v = R T #C.1#. Assim,
dp / dρ = x R T e, substituindo em #A.1#,
cs2 = dp / dρ #C.2#.
A equação #C.1# também pode ser escrita
p = ρ R T. Diferenciando e dividindo por ρ R T, obtém-se
dp / p = dρ / ρ + dT / T #C.3#
Para um fluxo estacionário, a equação da conservação da energia é
q - we = Δh + Δ(g z) + Δ(c2 / 2) #D.1#
Onde q calor trocado, w
e trabalho externo, h entalpia, g aceleração da gravidade, z altura física, c velocidade. Neste caso,
q = we = 0
Δ(g z) = 0
Simplificando e tomando as diferenciais,
dh + c dc = 0 #D.2#
A equação da continuidade do fluxo estacionário é dada por:
= constante = ρ A c #E.1#, onde

é fluxo de massa.
Tomando as diferenciais e dividindo tudo por ρ A c, resulta em
dρ / ρ + dA / A + dc / c = 0 #E.2#
Das relações termodinâmicas:
ds = dq / T #F.1# (s entropia, q calor)
dh = dq + v dp. Também,
dh = dq + dp / ρ #F.2#
Chega-se a
T ds = dh − dp / ρ #F.3#
No processo isentrópico, ds = 0. Substituindo em #F.3# e combinando com #D.2#,
dp / ρ + c dc = 0 #F.4#
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| Figura 01 |
Isolando dc da igualdade #E.2# e substituindo em #F.4#,
dp / ρ − c2 (dρ / ρ + dA / A) = 0 #G.1#
Multiplicando numerador e denominador de dρ / ρ por dp e reagrupando,
dρ / ρ = (dρ / dp) (dp / ρ)
Segundo igualdade #C.2#,
(dρ / dp) = 1 / cs2. Assim,
dρ / ρ = (1 / cs2) (dp / ρ)
Substituindo em #G.1# e considerando que número de Mach é
Ma = c / cs #H.1#, obtém-se após rearranjo:
#H.2#
Pode-se isolar a pressão:
#H.3#
Nessa igualdade, desde que ρ c
2 / A só pode ser positivo, o sinal da variação de pressão (dp) depende do número de Mach e do sinal de dA (negativo se convergente e positivo se divergente).
Da relação #F.4#,
dp / ρ = − c dc. Substituindo em #H.2# e simplificando, obtém-se outra fórmulação para o escoamento no bocal:
#I.1#
Considerando essas duas últimas igualdades (#H.3# e #I.1#), é possível montar a tabela abaixo para demonstrar as relações permitidas dos diversos parâmetros.
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Ma < 1 |
Ma > 1 |
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dA > 0 divergente |
dc < 0 dp > 0 (difusor subsônico) |
dc > 0 dp < 0 (bocal supersônico) |
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dA < 0 convergente |
dc > 0 dp < 0 (bocal subsônico) |
dc < 0 dp > 0 (difusor supersônico) |
Seja agora a situação de bocal convergente e divergente conforme Figura 02.
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| Figura 02 |
Se M
a = 1 (escoamento sônico), deve-se ter necessariamente dA = 0 para dc finito, em conformidade com a relação #I.1#.
Portanto, uma transição de subsônico para supersônico só pode ocorrer no estrangulamento, conforme (a) da Figura 02.
Se M
a ≠ 1 no estrangulamento conforme exemplo da Figura 02 (b), deve ocorrer dc = 0 nesse ponto, significando ausência de aceleração e nenhuma transição subsônico / supersônico (o escoamento pode ser subsônico em toda a extensão do bocal).
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Última revisão ou atualização: Jun/2008