Forças de pressão e de variação de velocidade
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O escoamento de fluidos em condutos produz esforços mecânicos que, em alguns casos práticos, exigem fixações ou reforços adicionais para não comprometer a estabilidade das tubulações. Aqui são considerados apenas os esforços originários do escoamento e, portanto, as ilustrações gráficas referem-se supostamente a um plano horizontal. Para uma tubulação vertical por exemplo, os esforços na parte inferior devem incluir o peso da coluna de fluido.
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| Figura 01 |
Forças devido à pressão
Seja, conforme Figura 01, um escoamento genérico entre dois pontos 1 e 2. Considera-se um
volume de controle em forma de paralelepípedo entre esses dois pontos.
A seção transversal em 1 recebe uma força devido à pressão do fluido nesse ponto:
F1 = S1 p1 #A.1#
Os componentes horizontal e vertical são:
F1x = S1 p1 cos α1 #A.2#
F1y = S1 p1 sen α1 #A.3#
No ponto 2 há igualdades similares:
F2x = S2 p2 cos α2 #A.4#
F2y = S2 p2 sen α2 #A.5#
Desde que o conjunto não se move, aplicam-se as condições do equilíbrio estático (
ΣFx = 0 e
ΣFy = 0):
Fpx + F1x − F2x = 0 #A.6#. Portanto,
Fpx = F2x − F1x = S2 p2 cos α2 − S1 p1 cos α1 #A.7#
Fpy + F1y − F2y = 0 #A.8#. Portanto,
Fpy = F2y − F1y = S2 p2 sen α2 − S1 p1 sen α1 #A.9#
Onde F
p (ou os componentes F
px e F
py) é a força externa que deve ser aplicada para manter o equilíbrio. Na maioria dos casos práticos, a resistência mecânica da tubulação é suficiente para proporcionar essa reação. Caso contrário, a tubulação tende a se mover, o que pode ser observado, por exemplo, em uma mangueira de saída livre.
Forças devido à variação de velocidade
De acordo com a segunda lei de Newton, a força é
F = db/dt #B.1#
Onde
b é o momento linear (ou quantidade de movimento), dado por
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| Figura 02 |
b = m c #B.2#, onde m é massa e
c é velocidade (usa-se o símbolo c no lugar de v).
Para um escoamento genérico de um fluido entre dois pontos 1 e 2 conforme Figura 02, pode-se dizer, portanto, que deve haver uma reação F
m para equilibrar a força devido à variação do momento linear.
Das igualdades anteriores,
F = d(m c)/dt #B.3#
Num regime estacionário a massa não varia. Portanto,
F = m dc/dt = m a #B.4#, onde
a é a aceleração.
Para o intervalo 12 pode-se escrever:
F = m Δc / Δt = (m / Δt) Δc #B.5#.
Mas m/Δt é a vazão de massa Q
m do escoamento. Portanto, a reação
Fm para equilibrar a variação de momento linear é dada por
Fm = − Qm Δc = − Qm (c2 − c1) #B.6#.
Lembrar que força e velocidade são grandezas vetoriais e assim devem ser calculadas. Em (a) da Figura 02, há uma visualização de Δ
c. Por trigonometria pode-se calcular o módulo de Δ
c em função do ângulo β entre as velocidades em 1 e em 2 e seus respectivos valores:
Δc2 = (c1 − c2 cosβ)2 + (c2 sen β)2 #B.7#. Onde
β = α2 − α1.
É mais prático, entretanto, trabalhar com os componentes horizontal e vertical. Da igualdade anterior #B.6#, tem-se em coordenadas:
Fmx = − Qm (c2x − c1x) = − Qm (c2 cos α2 − c1 cos α1) #B.8#
Fmy = − Qm (c2y − c1y) = − Qm (c2 sen α2 − c1 sen α1) #B.9#
Do conceito vetorial de velocidade, pode-se concluir que esforços devido à variação do momento linear estarão presentes em qualquer desvio (curva) de fluxo mesmo que o valor absoluto da velocidade seja constante, uma vez que a direção do vetor velocidade sofre mudança na curva.
Exemplo 01
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A Figura 01 indica um bocal de mangueira com saída 2 direta para a atmosfera. Supõe-se que a área da entrada (1) seja 0,005 m
2 e a pressão 300 kPa relativa. Determinar a força de pressão exercida pelo bocal.
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| Figura 01 |
Como é solicitada somente a força de pressão, usam-se as equações #A.7# e #A.9# do tópico
Forças de pressão e de variação de velocidade.
Desde que o fluxo é horizontal, α
1 = α
2 = 0, anulando a igualdade #A.9#. E a igualdade #A.7# fica:
Fpx = F2x − F1x = S2 p2 − S1 p1
Notar que o problema não especifica a área S
2 nem a respectiva pressão p
2. Entretanto, conforme visto em páginas anteriores, saída para atmosfera pode ser considerada pressão nula.
Fpx = F2x − F1x = 0 − S1 p1 = − 0,005 300 = − 1,5 kN
Exemplo 02
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Na curva 60º da Figura 01, são dados para a entrada: S
1 = 0,002 m
2, p
1 = 300 kPa relativo. Para a saída: S
2 = 0,0005 m
2, p
2 = 200 kPa relativo. Determinar as forças de pressão atuantes no elemento.
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| Figura 01 |
Usamos as equações #A.7# e #A.9# do tópico
Forças de pressão e de variação de velocidade:
Fpx = F2x − F1x = S2 p2 cos α2 − S1 p1 cos α1
Fpy = F2y − F1y = S2 p2 sen α2 − S1 p1 sen α1
Tem-se
α1 = 0 e, portanto,
sen α1 = 0 e
cos α1 = 1
Para
α2 = 60º,
sen α2 ≈ 0,87 e
cos α2 = 0,5
Fpx = 0,0005 200 0,5 − 0,002 300 1 = − 0,55 kN
Fpy = 0,0005 200 0,87 − 0,002 300 0 = 0,87 kN
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Última revisão ou atualização: Jun/2008