Exemplo 01 - Escoamento por gravidade
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No diagrama da Figura 01 deste tópico, água passa por gravidade do reservatório 1 para o reservatório 2. Supondo um coeficiente de fricção C
f = 0,005 para a tubulação, determinar a vazão do escoamento para:
z
12 = 3 m.
L
a = L
b = 2 m.
D
a = 20 mm.
D
b = 60 mm.
Aceleração da gravidade g = 9,81 m/s
2.
Massa específica da água ρ = 1000 kg/m
3.
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| Figura 01 |
Notar que este é um problema simplificado porque o valor de C
f é fornecido (conforme visto em páginas anteriores, ele depende da rugosidade do tubo e do número de Reynolds que, por sua vez, depende da vazão. E a vazão é a grandeza que se deseja calcular).
Consideram-se os seguintes coeficientes de fricção para os acessórios (segundo tabela da página
Fluidos VI-A0 deste site):
k1a (saída do tanque 1) = 0,50
kab (expansão abrupta de Da para Db) = [ 1 − (20/60)2 ]2 ≈ 0,79
kb2 (entrada do tanque 2) = 1,00
Usando o conceito de resistência segundo tópico
Perdas de pressão em termos de alturas,
R1a = 8 0,50 / [π2 9,81 (20/1000)4] ≈ 258 103
Rab = 8 0,79 / [π2 9,81 (20/1000)4] ≈ 408 103 (é considerado o diâmetro menor)
Rb2 = 8 1,00 / [π2 9,81 (60/1000)4] ≈ 6,38 103
Para os trechos de tubulação (C
f = 0,005 conforme hipótese), os valores de resistências são:
Ra = 32 0,005 2 / (π2 9,81 (20/1000)5) ≈ 1033 103
Rb = 32 0,005 2 / (π2 9,81 (60/1000)5) ≈ 4,25 103
Somando os valores de resistências,
R = ∑ Ri = (258 + 408 + 6,38 + 1033 + 4,25) 103 ≈ 1,71 106 s2 m−5.
Então, conforme #B.1# do mesmo tópico, a relação entre a perda de pressão em altura de líquido e a vazão é
h = 1,71 106 Q2.
Aplica-se agora a equação de Bernoulli em forma de alturas (#C.1# do mesmo tópico) para as superfícies 1 e 2:
z1 + h1 + (1/2) c12/g = z2 + h2 + (1/2) c22/g + h.
Considerando referência em 2, z
1 = z
12 = 3 m e z
2 = 0.
Também h
1 = h
2 porque p
1 = p
2 = p
atm.
Pode-se supor c
1 = c
2 = 0 porque são superfícies de reservatórios.
Substituindo h da expressão anterior na equação de Bernoulli e simplificando,
3 = 1,71 106 Q2. Portanto,
Q ≈ 1,33 10−3 m3/s = 4788 l/h.
Exemplo 02: linha de ar comprimido
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No esquema da Figura 01 é suposto que um compressor (não exibido) mantém o ar no reservatório (1) sob pressão constante de 10 bar absolutos e temperatura 20ºC. A tubulação (aço galvanizado) que alimenta o equipamento (2) tem comprimento total 100 m e diâmetro interno 25 mm. Como acessórios, há duas curvas 90º (k = 0,75 para cada) e dois registros (k = 1 para cada) conforme indicado, além da saída do reservatório 1 (k = 0,34) e entrada do equipamento (k = 1). Deseja-se saber a perda de pressão entre 1 e 2 sabendo que o equipamento consome 3900 newtons por hora (N/h) de ar.
Rigorosamente esse problema não pode ser resolvido com a formulação simples da equação de Bernoulli porque a massa específica varia. Entretanto, instalações práticas de ar comprimido têm perdas de pressão relativamente pequenas em relação à pressão de alimentação, de forma que considera-se ρ constante para simplificar e obter uma razoável aproximação.
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| Figura 01 |
No reservatório o ar está a p
1 = 10 bar e t
1 = 20ºC. Precisa-se de um cálculo termodinâmico para determinar a massa específica e viscosidade do ar nessas condições. Considerando ar um gás ideal,
pv / T = constante.
Onde p é pressão, v é volume específico (= 1/ρ, onde ρ é massa específica) e T é temperatura absoluta.
Para p
0 = 1 atm (1,0133 bar) e t
0 = 0ºC (ou T
0 ≈ 273 K), ocorre segundo tópico
Propriedades do ar seco sob pressão normal:
ρ0 = 1,293 kg/m3. Portanto,
1,0133 (1 / 1,293) / 273 = 10 (1 / ρ1) / (273 + 20).
Resolvendo,
ρ1 ≈ 11,9 kg/m3.
A 1 atm e 20ºC, conforme tópico citado, a viscosidade absoluta é
η = 18,20 10−6 Pa s. Desde que a viscosidade absoluta pouco varia com a pressão, pode-se supor que a viscosidade cinemática a 10 bar e 20ºC é esse valor dividido por ρ
1. Portanto,
ν = ν1 = ν2 = 18,20 10−6 / 11,9 ≈ 1,53 10−6 m2/s.
A vazão é dada em peso, 3900 N/h. Em massa e em unidades SI,
Qm = 3900 / (9,81 3600) ≈ 0,11 kg/s.
A área da seção do tubo é
S = S1 = S2 = π (0,025)2 / 4 ≈ 4,9 10−4 m2.
Então, a velocidade do escoamento é
c = Qm / (S ρ) = 0,11 / (4,9 10−4 11,9) ≈ 18,9 m/s.
O número de Reynolds é dado por:
Re = c D / ν = 18,9 (25/1000) / 1,53 10−6 ≈ 3,1 105.
Para tubo galvanizado, segundo tópico
Tabela de rugosidades, rugosidade média = 0,15 mm. Portanto, a rugosidade relativa é calculada por:
ε = 0,15 / D = 0,15 / 25 = 0,006.
Usa-se agora a
fórmula de Haaland para o coeficiente de fricção do tubo:
1 / √ Cf = −3,6 log [ 6,9 / Re + (ε / 3,71)1,11 ]
1 / √ Cf = −3,6 log [ 6,9 / 3,1 105 + (0,006 / 3,71)1,11 ]
Resolvendo,
Cf ≈ 0,0081.
A perda de pressão na tubulação é calculada segundo a
fórmula de Darcy-Weisbah:
Δptub = 4 Cf (L / D) (c2 ρ / 2) = 4 0,0081 ( 100 / 0,025 ) (18,92 11,9 / 2) ≈ 275 kPa.
Para os acessórios, usa-se a fórmula do tópico
Perdas de pressão em acessórios (somando os valores do coeficiente de atrito k porque os diâmetros e, por conseqüência, as velocidades são idênticos):
Δpacess = k (1/2) ρ c2 = (0,75 + 0,75 + 1 + 1 + 0,34 + 1) (1/2) 11,9 18,92
Δpacess = 4,84 (1/2) 11,9 18,92 ≈ 10,3 kPa.
E a perda total de pressão é a soma de ambas:
Δp = 275 + 10,3 ≈ 285 kPa ou 2,85 bar.
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Última revisão ou atualização: Mai/2008