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Fluidos VI-20: Escoamento em condutos



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Considerações sobre escoamentos reais |
Perdas de pressão em tubulações |
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Comprimentos equivalentes - Fórmulas simplificadas |
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Considerações sobre escoamentos reais

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O escoamento real de um fluido é sempre acompanhado por perdas devido a atritos na tubulação e em acessórios como conexões, registros e outros. Naturalmente, a fricção deve provocar um aumento de temperatura do fluido. Na maioria das situações práticas, esse aumento é muito pequeno e pode-se supor que todo o calor é dissipado para o ambiente através da tubulação. Isso evita considerações termodinâmicas mais profundas e pode-se simplesmente introduzir uma parcela de perda de pressão na equação de Bernoulli. Obtém-se então, conforme já visto, a equação aproximada para o escoamento estacionário real de um fluido incompressível entre dois pontos genéricos 1 e 2 de uma tubulação:

ρ g z1 + p1 + (1/2) ρ c12 = ρ g z2 + p2 + (1/2) ρ c22 + Δp  #A.1#. Onde:

ρ:  massa específica.
g:  aceleração da gravidade.
z:  altura em relação a um plano de referência.
p:  pressão.
c:  velocidade média do escoamento.
Δp: perda de pressão devido ao atrito.

Há também a equação da continuidade que, por representar conservação de massa, permanece válida para o escoamento real. Abaixo a relação para fluido incompressível.

Q = S1 c1 = S2 c2  #B.1#. Onde:

Q: vazão volumétrica.
S: área da seção transversal.
c: velocidade do escoamento.



Perdas de pressão em tubulações

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Na página Fluido V-40 foi vista a equação de Darcy-Weisbach para a perda de pressão em uma tubulação de seção circular:

Δp = 4 Cf  L   c2 ρ   #A.1#.
D 2

Onde:

Cf: coeficiente de ficção (em algumas referências, é usado o símbolo λ no lugar de 4 Cf).
L: comprimento do tubo.
D: diâmetro interno do tubo.
c: velocidade média do escoamento.
ρ: massa específica do fluido.

Na mesma série, é dada a definição de uma grandeza adimensional, número de Reynolds, para o escoamento:

Re c D   #B.1#.
ν

Onde:

c: velocidade média do fluxo (= vazão volumétrica / área da seção transversal ou, em símbolos usuais, Q/S).
D: diâmetro interno do tubo.
ν: viscosidade cinemática do fluido (= η / ρ, onde η é viscosidade dinâmica e ρ é massa específica do fluido).

Para escoamento laminar (Re < 2000), o coeficiente de fricção é:

Cf 16   #C.1#.
Re

Na maioria dos casos práticos, os escoamentos são turbulentos (Re > 2000) e o valor de Cf pode ser determinado por fórmulas e diagramas dados na citada página. Considera-se aqui a fórmula de Haaland:

Fórmula de Haaland   #D.1#. Onde:

Re: número de Reynolds.
ε: rugosidade relativa da superfície interna do tubo ( = rugosidade média / diâmetro interno). Valores de rugosidade média podem ser vistos no tópico Tabela de rugosidades.



Perdas de pressão em acessórios

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A perda de pressão calculada conforme equação de Darcy-Weisbach do tópico anterior é válida apenas para trechos retilíneos de tubulações. Na maioria das instalações práticas há também perdas localizadas devido a mudanças de direção e outros fenômenos provocados por conexões (curvas, joelhos, reduções), registros e outros dispositivos. De forma genérica, esses dispositivos são denominados acessórios de tubulações.

Pode ser verificado que a perda de pressão em um acessório é em geral proporcional à energia cinética do escoamento. Faze-se então a proporcionalidade com a parcela de pressão correspondente à energia cinética segundo equação de Bernoulli.

Δpacess = k (1/2) ρ c2  #A.1#. Onde:

ρ: massa específica do fluido.
c: velocidade média do escoamento.
k: coeficiente de atrito do acessório.

Os valores de k podem ser determinados teoricamente para situações mais simples e empiricamente em outros casos. Pode ser dependente da geometria e/ou dimensões do acessório. As páginas Fluidos VI-A0 e seguinte dão valores ou fórmulas típicas.

Portanto, no caso de tubulações com acessórios, a perda de pressão a considerar na equação de Bernoulli é a perda na tubulação segundo fórmula de Darcy-Weisbach mais a perda nos acessórios dada pela equação anterior.



Comprimentos equivalentes - Fórmulas simplificadas

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Sendo a perda de pressão em um acessório calculada segundo fórmula do tópico anterior, pode-se imaginar um hipotético trecho retilíneo de tubulação que produz a mesma perda. O comprimento desse trecho é denominado comprimento equivalente para o acessório em questão.

Faz-se então a igualdade da perda de pressão em um trecho segundo Darcy-Weisbach (#A.1# do tópico Perdas de pressão em tubulações) com a perda em um acessório segundo #A.1# do tópico Perdas de pressão em acessórios.

4 Cf (Leq / D) (c2 ρ / 2) = k (1/2) ρ c2. Simplificando e isolando o comprimento,

Leq k  D  #A.1#.
4 Cf

Onde Leq é o comprimento equivalente de uma tubulação de diâmetro D e coeficiente de atrito Cf para um acessório de coeficiente k.

Métodos simplificados de cálculo de escoamentos fazem uso de tabelas de comprimentos equivalentes e fórmulas aproximadas para perdas de pressão no lugar da equação de Darcy-Weisbach. A página Fluidos II-10 e a seguinte deste site dão informações e exemplos sobre cálculos com a fórmula simplificada de Hazen-Williams e comprimentos equivalentes.



Perdas de pressão em termos de alturas

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Em vários cálculos de tubulações para líquidos, é comum o uso da altura de coluna de líquido (h) no lugar da perda de pressão correspondente Δp. Faz-se então Δp = ρ g h em #A.1# do tópico Perdas de pressão em tubulações e substitui-se também a velocidade média de acordo com c = Q / S, onde Q é a vazão volumétrica e S é a área da seção.

ρ g h = 4 Cf (L / D) [(Q/S)2 ρ / 2]. Considerando tubo de seção circular, S = π D2/4. Substituindo e reagrupando,

h =  32 Cf L  Q2  #A.1#.
π2 g D5

Onde:

h: perda de pressão em coluna de líquido.
Cf: coeficiente de fricção.
L: comprimento do tubo.
g: aceleração da gravidade.
D: diâmetro interno do tubo.
Q: vazão em volume.

A expressão 32 Cf L / (π2 g D5) pode ser considerada uma espécie de "resistência da tubulação" ao escoamento. Portanto,

htub = Rtub Q2  #A.2#.

Onde:

Rtub 32 Cf L   #A.21#.
π2 g D5

Para o caso de acessórios, considera-se L o comprimento equivalente segundo #A.1# do tópico Comprimentos equivalentes - Fórmulas simplificadas. Chega-se então a

hacess = Racess Q2  #A.3#.

Onde:

Racess 8 k   #A.31#
π2 g D4

A grandeza k é o coeficiente de atrito do acessório segundo tópico Perdas de pressão em acessórios.


Para um trecho genérico, com tubos de diversos diâmetros e diversos acessórios, a soma é

h = R Q2  #B.1#. Onde:

R = Rtub + Racess  #B.2#.


E a equação de Bernoulli em termos de alturas pode ser obtida pela divisão #A.1# do tópico Considerações sobre escoamentos reais por ρg:

z1  +  h1  +  (1/2)  c12  =  z2  +  h2  +  (1/2)  c22  + h  #C.1#.
g g

Onde:

h1 p1   #C.2#.
ρ g

h2 p2   #C.3#.
ρ g

h =  Δp  = R Q2  #C.4#.
ρ g


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