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Fluidos V-40: Dinâmica dos fluidos viscosos



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Coeficiente de fricção

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Considera-se, conforme Figura 01, um escoamento genérico de uma porção de fluido newtoniano de comprimento L em um tubo reto de diâmetro interno D.

O coeficiente de fricção (ou coeficiente de resistência) é dado pela relação:

Cf tensão tangencial junto à parede   #A.1#.
pressão devido à energia cinética do fluido

Em algumas referências é usado o símbolo f ou λ, que equivale a 4 Cf.

Escoamento em tubo de seção circular
Figura 01
Segundo a equação de Bernoulli, a pressão devido à energia cinética é dada por:

(1/2) c2 ρ #A.2#.

Onde c é a velocidade (que deve ser a velocidade média cmédia da distribuição ao longo da seção conforme visto em páginas anteriores) e ρ é a massa específica do fluido.

Supondo a condição de equilíbrio para escoamento uniforme, a diferença de pressão multiplicada pela área transversal deve ser igual à tensão tangencial multiplicada pela área lateral:  Δp π D2/4 = τw π D L. Portanto,

τw = Δp D / (4 L)  #A.3#.

Substituindo os valores em #A.1#,

Cf Δp D   #B.1#.
2 L ρ cm2

Obs: no desenvolvimento de #A.3# pode-se fazer:

π D2/4 = S (área da seção)
π D = P    (perímetro da circunferência)

Chega-se então a  Δp S = τw P L. Rearranjando,  τw = Δp S / (P L).

Substituindo em #A.1#, obtém-se outra forma para o coeficiente de fricção:

Cf 2 Δp S   #B.2#.
P L ρ cm2



Equação de Darcy-Weisbach

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Pode-se isolar a perda de pressão da igualdade #B.1# do tópico anterior:

Δp = 4 Cf  L   c2 ρ   #A.1#.
D 2

O resultado é, portanto, a perda de pressão Δp para o escoamento dada em termos de:

Cf: coeficiente de ficção.
L:  comprimento do tubo.
D:  diâmetro interno do tubo.
c:  velocidade média do escoamento.
ρ:  massa específica do fluido.

Essa igualdade é conhecida como equação de Darcy-Weisbach e é considerada a relação mais importante para cálculos práticos de escoamentos.

É usual a especificação de perda de pressão em termos de altura física. Conforme equação de Bernoulli, pressão devido à altura é ρ g h. Substituindo na anterior e isolando h,

h = 4 Cf  L   c2   #A.2#.
D 2g


Para o caso particular de escoamento laminar, pode-se igualar Δp com a equação de Poiseuille:

p2 − p1 = 128 η L Q / (π D4) = Δp = Cf (L / D) (c2 ρ / 2).

Consideram-se:

vazão volumétrica  Q = c π D2/4
número de Reynolds Re = c D / ν = c D / (η/ρ)

Chega-se então ao resultado:

Cf 16   #B.1#.
Re

Lembrar, entretanto, que isso é válido apenas para escoamento laminar.


Se usada a igualdade #B.2# do tópico anterior, a equação de Darcy-Weisbach fica:

Δp = Cf  P  L  c2 ρ   #C.1#.
S 2

Onde P é o perímetro e S a área da seção conforme já visto.


Usa-se agora o conceito de raio hidráulico, que é a relação entre a área da seção e o perímetro:

rh S   #D.1#.
P

Substituindo na anterior,

Δp = Cf  1  L  c2 ρ   #E.1#.
rh 2

Esse conceito permite estabelecer uma equivalência de perda de pressão por unidade de comprimento entre condutos de seção circular e de outras formas geométricas, considerando a mesma velocidade média de escoamento.

Para seção circular, pode ser facilmente deduzido que rh = D/4. Substituindo esse valor em #E.1#, obtém-se a fórmula anterior #A.1#.



Coeficiente de fricção para escoamento turbulento

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Pelas igualdades dos tópicos anteriores, pode-se concluir que, no escoamento laminar, há uma relação simples entre coeficiente de fricção Cf e número de Reynolds. Para o regime turbulento, isso não é mais válido e existem algumas fórmulas e diagramas (teóricos e empíricos) para determinação de Cf. Neste tópico são dados apenas os resultados de alguns, sem maiores detalhamentos.

Um parâmetro auxiliar usado em fórmulas e diagramas é a rugosidade relativa ε da superfície interna do tubo:

ε =  rugosidade média absoluta   #A.1#.
diâmetro interno

Valores para alguns materiais podem ser vistos no tópico Tabela de rugosidades.

Seguem dados de algumas fórmulas e diagramas.

Nome Equação Ref Obs
Fórmula de Blasius Cf = 0,0791 Re0,25 #B.1# Somente para tubos lisos
Fórmula de Lee Cf = 0,0018 + 0,152 Re0,35 #C.1# Somente para tubos lisos
Fórmula de Colebrook Fórmula de Colebrook #D.1# Onde λ = 4 Cf. Essa igualdade exige uma iteração porque λ aparece em ambos os lados.
Fórmula de Haaland Fórmula de Haaland #E.1#
Fórmula aproximada de Moody Fórmula aproximada de Moody #F.1# Onde λ = 4 Cf
Diagrama de Moody Gráfico que relaciona o coeficiente de fricção com o número de Reynolds para diversos valores de rugosidade relativa Ver tópico correspondente



Exemplos

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Exemplo 01: um fluido escoa com número de Reynolds 20000 em um tubo de diâmetro interno 100 mm e rugosidade média 0,06 mm. Verificar o coeficiente de fricção.

A rugosidade relativa é ε = 0,06 / 100 = 0,0006. Usando a fórmula #F.1# do tópico anterior,

λ = 0,0055 [ 1 + (20000 0,0006 + 1000000 / 20000)1/3 ] ≈ 0,0272684.

Portanto, Cf = λ/4 ≈ 0,00682.


Exemplo 02: determinar a perda de pressão para o escoamento de um óleo de viscosidade dinâmica 0,005 Pa s, massa específica 900 kg/m3, velocidade média 4 m/s em um tubo de diâmetro interno 80 mm, comprimento 60 m e rugosidade média 0,02 mm.

Os dados são:

η = 0,005 Pa s
ρ = 900 kg/m3
c = 4 m/s
D = 80 10−3 m
L = 60 m
Rugosidade 0,02 10−3 m.

ε = 0,02 10−3 / 80 10−3 = 0,00025.

Re = c D / (η/ρ) = 4 80 10−3 900 / 0,005 = 57600.

Do diagrama de Moody, 4 Cf ≈ 0,026. Portanto, Cf ≈ 0,0065.

Usando a Equação de Darcy-Weisbach,

Δp = 4 Cf (L / D) (c2 ρ / 2) = 0,026 (60 / 80 10−3) (42 900 / 2) ≈ 140 kPa.

Em termos de altura, pode-se igualar (Δp) a (ρ g h) e, portanto, h = 140 000 / (900 9,81) ≈ 16 m.


Exemplo 03 (fonte: prova PF 2004. Reponder Certo ou Errado): Considere um escoamento de água entre dois pontos de um tubo horizontal, que possui diâmetro constante igual a 5 mm e se encontra ao nível do mar, onde a aceleração de gravidade é igual a 9,81 m/s2. Considere ainda que a velocidade de escoamento nesse tubo é de 5 m/s e que existe uma variação de pressão entre os dois referidos pontos de 4.905 N/m2. Nesse caso, sabendo que o fator de fricção é de 0,025 e a densidade da água é de 1 kg/dm3, a perda de carga no tubo é igual a 0,5 m.

Solução: listando os dados e convertendo unidades onde necessário,

c = 5 m/s
D = 5 mm = 0,005 m
Δp = 4905 Pa
f = 4 Cf = 0,025
g = 9,81 m/s2
ρ = 1 kg/dm3 = 1000 kg/m3

Com os dados acima, a relação #A.1# do tópico Equação de Darcy-Weisbach poderia ser usada para calcular o comprimento do tubo. Mas o problema pede a perda de carga em metros que é a variação de pressão em termos de altura:

Δp = 4905 Pa = ρ g h = 1000 9,81 h

Portanto, h = 0,5 m, resposta Certo e não há necessidade do uso da equação de Darcy-Weisbach.


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