MSPC

   Informações técnicas
| Mapa | Fim pág |

 

Fluidos V-20: Dinâmica dos fluidos viscosos



Índice do grupo | Página anterior | Próxima página |

Escoamento laminar e turbulento |
Escoamento laminar entre placas paralelas |
Índices

Ciência dos materiais
Eletricidade e eletromagnetismo
Eletrônica digital
Eletrônica em geral
Fluidos, calor, frio, etc
Informática
Matemática
Mecânica teórica
Resistência dos materiais
Temas técnicos diversos
Temas diversos
Termodinâmica / transmissão de calor


Escoamento laminar e turbulento

  | Topo pág | Fim pág |

A distinção visual entre os dois tipos de escoamento é bastante clara e pode ser facilmente demonstrada pelo clássico filete de tinta conforme esquema da Figura 01.

Um líquido transparente escoa livremente através de um tubo também transparente e a vazão pode ser ajustada por um registro na extremidade. Um reservatório com líquido colorido injeta um filete no fluxo.

Fluxo laminar e turbulento
Figura 01
Se o registro é pouco aberto, proporcionando uma vazão baixa, observa-se um filete contínuo e regular, sem perturbações transversais. Ver (a) da figura. Pode-se dizer que, nessa situação, as veias do fluxos (ou lâminas, se considerado o aspecto tridimensional) escoam de maneira uniforme, sem mistura com as demais. Há então a situação de escoamento laminar.

Se a vazão é gradualmente aumentada, observa-se que, a partir de determinado valor, o filete de tinta deixa de ser regular, mostrando claras perturbações laterais como em (b) da figura. Isso significa que a velocidade superou algum valor crítico, provocando instabilidades nas linhas de fluxo. Essa condição é denominada escoamento turbulento.

De forma prática, é possível afirmar que forças inerciais predominam no escoamento turbulento e que forças de viscosidade predominam no escoamento laminar.

Camadas limite dos escoamentos laminar e turbulento
Figura 02
Na página anterior, foi visto o conceito de camada limite e, naturalmente, a equação deduzida da curva se aplica ao regime laminar, com os deslizamentos entre camadas perfeitamente planos e regulares.

No escoamento turbulento, é também possível usar a definição de camada limite, mas a curva deve ser entendida como valores médios, uma vez que não há regularidade entre camadas. Para as mesmas dimensões de tubos, a camada limite do escoamento turbulento é mais fina que a do laminar. Ver exemplo na Figura 02.


A definição matemática da transição entre escoamento laminar e turbulento é dada pelo número de Reynolds Re, cuja formulação foi proposta pelo engenheiro inglês Osborne Reynolds em 1883 (válida para um tubo de diâmetro D):

Re c D   #A.1#. Onde:
ν

c: velocidade média do fluxo (= vazão volumétrica / área da seção transversal).
D: diâmetro interno do tubo.
ν: viscosidade cinemática do fluido (= η / ρ, onde η é viscosidade dinâmica e ρ é massa específica do fluido).

A simples análise da fórmula mostra que o número de Reynolds é uma grandeza adimensional. Entretanto, o produto das grandezas do numerador (c D) pode ser visto como contribuição das forças inerciais e o denominador (ν) como contribuição das forças de viscosidade. Assim, o número de Reynolds deve ser maior para o escoamento turbulento e deve existir um valor crítico ou de transição.

Reynolds verificou que o valor de transição depende do sentido da variação: se a velocidade de um fluxo laminar é gradualmente aumentada até se tornar turbulento, o valor é 2500. Se a velocidade de um fluxo turbulento é gradualmente reduzida até se tornar laminar, o valor é 2000. Em geral, o valor 2000 é adotado como crítico para transição entre laminar e turbulento.

A partir da fórmula anterior, pode-se deduzir a velocidade crítica:

ccrítica = 2000  ν   #A.2#.
D

Exemplo: para água a 25ºC pode-se considerar viscosidade cinemática ν ≈ 1 cSt ( = centistokes = 10−2 stokes = 10−6 m2/s). Um óleo SAE-10 tem viscosidade cinemática ν ≈ 100 cSt. Considera-se um tubo de diâmetro 25 mm. As velocidades críticas serão:

cágua = 2000 10−6 / 25 10−3     = 0,08 m/s.
cóleo = 2000 100 10−6 / 25 10−3 = 8 m/s.

Concluí-se, portanto, que escoamentos usuais de água são turbulentos e que escoamentos práticos de óleos lubrificantes podem ser laminares.



Escoamento laminar entre placas paralelas

  | Topo pág | Fim pág |

Sejam, conforme corte da Figura 01, duas placas planas e paralelas e distantes h entre si. Um fluido viscoso escoa entre elas na situação laminar. Em (a) da figura tem-se os parâmetros para uma lâmina conforme já visto no tópico Viscosidade e camada limite.

Considerando a lâmina de profundidade Z e movimento uniforme, para o equilíbrio das forças:

dp dy Z = dτ dX Z.  Reagrupando,  dp  dy = dτ 
dX

No mesmo tópico foi visto que  dp  = k  (constante).
dX

Conforme lei da viscosidade,  τ = η  dc  
dy

Escoamento laminar entre placas planas e paralelas
Figura 01
Combinando as igualdades,  k dy = η d( dc )
dy

Portanto,

η  d2c  = k
dy2


Integrando uma vez,  ky = η  dc  + C.
dy

Integrando outra vez,  y2  = η c + Ay + B.
2

As constantes A e B devem ser determinadas a partir das condições de contorno.

Para y = 0, ocorre c = 0. Portanto, B = 0.
Para y = h, ocorre c = 0. Portanto, k h2/2 = A h. Assim, A = (k/2) h.

Substituindo na solução inicial,

k y2/2 = η c + (k/2) h y + 0.

(k/2) y2 − (k/2) h y = η c.

Obtém-se então o resultado final da variação de velocidade com a distância y:

c =  k   1  (y2 − h y)  #A.1#.
2 η

Onde  k =  dp   (constante).
dX

Essa igualdade equivale à expressão matemática de uma parábola conforme indicado em (c) da figura.


Topo | Índice do grupo | Página anterior | Próxima página | Última revisão ou atualização: Mai/2008
Melhor visto com
1024x768 px

Termos de uso