Escoamento laminar e turbulento
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A distinção visual entre os dois tipos de escoamento é bastante clara e pode ser facilmente demonstrada pelo clássico filete de tinta conforme esquema da Figura 01.
Um líquido transparente escoa livremente através de um tubo também transparente e a vazão pode ser ajustada por um registro na extremidade. Um reservatório com líquido colorido injeta um filete no fluxo.
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| Figura 01 |
Se o registro é pouco aberto, proporcionando uma vazão baixa, observa-se um filete contínuo e regular, sem perturbações transversais. Ver (a) da figura. Pode-se dizer que, nessa situação, as veias do fluxos (ou lâminas, se considerado o aspecto tridimensional) escoam de maneira uniforme, sem mistura com as demais. Há então a situação de
escoamento laminar.
Se a vazão é gradualmente aumentada, observa-se que, a partir de determinado valor, o filete de tinta deixa de ser regular, mostrando claras perturbações laterais como em (b) da figura. Isso significa que a velocidade superou algum valor crítico, provocando instabilidades nas linhas de fluxo. Essa condição é denominada
escoamento turbulento.
De forma prática, é possível afirmar que
forças inerciais predominam no escoamento turbulento e que
forças de viscosidade predominam no escoamento laminar.
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| Figura 02 |
Na
página anterior, foi visto o conceito de
camada limite e, naturalmente, a equação deduzida da curva se aplica ao regime laminar, com os deslizamentos entre camadas perfeitamente planos e regulares.
No escoamento turbulento, é também possível usar a definição de camada limite, mas a curva deve ser entendida como valores médios, uma vez que não há regularidade entre camadas. Para as mesmas dimensões de tubos, a camada limite do escoamento turbulento é mais fina que a do laminar. Ver exemplo na Figura 02.
A definição matemática da transição entre escoamento laminar e turbulento é dada pelo
número de Reynolds Re, cuja formulação foi proposta pelo engenheiro inglês Osborne Reynolds em 1883 (válida para um tubo de diâmetro D):
c: velocidade média do fluxo (= vazão volumétrica / área da seção transversal).
D: diâmetro interno do tubo.
ν: viscosidade cinemática do fluido (= η / ρ, onde η é viscosidade dinâmica e ρ é massa específica do fluido).
A simples análise da fórmula mostra que o número de Reynolds é uma grandeza adimensional. Entretanto, o produto das grandezas do numerador (c D) pode ser visto como contribuição das forças inerciais e o denominador (ν) como contribuição das forças de viscosidade. Assim, o número de Reynolds deve ser maior para o escoamento turbulento e deve existir um valor crítico ou de transição.
Reynolds verificou que o valor de transição depende do sentido da variação: se a velocidade de um fluxo laminar é gradualmente aumentada até se tornar turbulento, o valor é 2500. Se a velocidade de um fluxo turbulento é gradualmente reduzida até se tornar laminar, o valor é 2000. Em geral, o valor 2000 é adotado como crítico para transição entre laminar e turbulento.
A partir da fórmula anterior, pode-se deduzir a velocidade crítica:
| ccrítica = 2000 |
ν |
|
#A.2#. |
| D |
Exemplo: para água a 25ºC pode-se considerar viscosidade cinemática ν ≈ 1 cSt ( = centistokes = 10
−2 stokes = 10
−6 m
2/s). Um óleo SAE-10 tem viscosidade cinemática ν ≈ 100 cSt. Considera-se um tubo de diâmetro 25 mm. As velocidades críticas serão:
cágua = 2000 10−6 / 25 10−3 = 0,08 m/s.
cóleo = 2000 100 10−6 / 25 10−3 = 8 m/s.
Concluí-se, portanto, que escoamentos usuais de água são turbulentos e que escoamentos práticos de óleos lubrificantes podem ser laminares.
Escoamento laminar entre placas paralelas
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Sejam, conforme corte da Figura 01, duas placas planas e paralelas e distantes h entre si. Um fluido viscoso escoa entre elas na situação laminar. Em (a) da figura tem-se os parâmetros para uma lâmina conforme já visto no tópico
Viscosidade e camada limite.
Considerando a lâmina de profundidade Z e movimento uniforme, para o equilíbrio das forças:
| dp dy Z = dτ dX Z. |
Reagrupando, |
dp |
dy = dτ |
| dX |
| No mesmo tópico foi visto que |
dp |
= k |
(constante). |
| dX |
| Conforme lei da viscosidade, |
τ = η |
dc |
|
| dy |
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| Figura 01 |
| Combinando as igualdades, |
k dy = η d( |
dc |
) |
| dy |
Portanto,
| Integrando uma vez, |
ky = η |
dc |
+ C. |
| dy |
| Integrando outra vez, |
k |
y2 |
= η c + Ay + B. |
| 2 |
As constantes A e B devem ser determinadas a partir das condições de contorno.
Para y = 0, ocorre c = 0. Portanto,
B = 0.
Para y = h, ocorre c = 0. Portanto,
k h2/2 = A h. Assim,
A = (k/2) h.
Substituindo na solução inicial,
k y2/2 = η c + (k/2) h y + 0.
(k/2) y2 − (k/2) h y = η c.
Obtém-se então o resultado final da variação de velocidade com a distância y:
| c = |
k |
|
1 |
(y2 − h y) |
#A.1#. |
| 2 |
η |
| Onde |
k = |
dp |
|
(constante). |
| dX |
Essa igualdade equivale à expressão matemática de uma parábola conforme indicado em (c) da figura.
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Última revisão ou atualização: Mai/2008