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Fluidos 01-40



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Escoamento de um fluido ideal

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Para o escoamento sem atrito de um fluido incompressível ideal, vale a equação desenvolvida por Daniel Bernoulli:

#A.1#. Onde:

h: altura em relação a um plano de referência.
p: pressão.
ρ: massa específica.
g: aceleração da gravidade.
c: velocidade.

Essa igualdade é a lei da conservação da energia aplicada ao escoamento. Desde que ele ocorre sem atrito, não há troca de energia com o meio e a energia total do fluido permanece constante.

As parcelas têm dimensão de comprimento e podem ser entendidas como alturas, em relação a um plano de referência, representativas das formas de energia presentes no escoamento:

Escoamento de um fluido ideal
Figura 01
h : energia potencial da massa do fluido.
: energia devido à compressão com volume constante.
: energia cinética devido à velocidade adquirida.

Na Figura 01, esquema de um escoamento simples de um líquido, considerando pressões relativas, isto é, pressão nula significa pressão atmosférica.

Considera-se o reservatório continuamente abastecido e, assim, no ponto 0, o fluido está em repouso.

Portanto, nesse ponto, toda energia do fluido é a energia potencial representada pela altura física h0 e as demais parcelas são nulas. No ponto 1, a energia potencial é menor (h1) e o fluido tem uma determinada pressão e velocidade. No ponto 2, a energia potencial é ainda menor (h2) e o fluido tem maior pressão e velocidade. As colunas de líquidos colocadas nos pontos 1 e 2 têm alturas correspondentes às energias de pressão em cada ponto, conforme indicado na figura.


A equação de Bernoulli em termos de pressões: Multiplicando ambos os lados por ρg,

#B.1#

Portanto, todas as parcelas têm dimensão de pressão e são muitas vezes denominadas:

h ρ g pressão estática
p pressão
pressão dinâmica
H ρ g pressão total



Mudança de seção
: No escoamento da Figura 02, o ponto 2 tem uma seção transversal menor que a seção de 1. Desde que o fluido é supostamente incompressível, a vazão volumétrica é a mesma nos dois pontos. Assim,

#C.1#

Isso demonstra que uma redução de seção provoca um aumento da velocidade do fluido.

Desde que o escoamento é horizontal, a pressão estática é a mesma em ambos os pontos e a equação de Bernoulli fica:

Mudança de seção de um escoamento
Figura 02
#C.2#

Notar que o aumento de velocidade na seção estrangulada é compensado pela menor pressão dinâmica.

Se fossem instaladas colunas de líquido em cada, a redução da pressão dinâmica seria claramente observada, conforme indicado na figura.

Define-se:  #C.3#

Conforme #C.1# anterior, c2 = c1 / R

Substituindo c2 na equação de Bernoulli,

p1 + c12 ρ / 2 = p2 + c12 ρ / 2 R2

Isolando o valor de c1,

#C.4#

Assim, é possível determinar a vazão Q conforme #C.1#. Ou seja, uma variação de seção possibilita a determinação da vazão a partir da leitura das pressões dinâmicas em orifícios na parede da tubulação. Apesar da suposição de um fluido ideal, o resultado é aceitável para muitos fluidos reais e, nesses casos, podem ser usados fatores ou tabelas de correção para melhor precisão.


Tubo de Pitot: Na Figura 03 o circuito 1 recebe a pressão dinâmica mais a pressão cinética do escoamento e o circuito 2 recebe apenas a pressão dinâmica.

Tubo de Pitot
Figura 03
Portanto, um manômetro de coluna líquida indica a diferença entre as mesmas, isto é, a pressão cinética.

E essa parcela na equação de Bernoulli será

c2 ρ / 2 = p1 − p2  ou

#D.1#

E, uma vez determinada a velocidade, é possível calcular a vazão conforme já visto na seção anterior.

As proporções da figura estão propositalmente exageradas. Na prática, os tubos de Pitot são finos e podem ser introduzidos em um pequeno orifício na tubulação. São bastante usados na medição da vazão de ar em sistemas de ventilação e outros.


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© Marco Soares

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