Pressão absoluta e pressão relativa
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| Figura 01 |
Um espaço completamente vazio tem naturalmente pressão nula, constituindo um vácuo total ou zero absoluto de pressão.
Desde que o ambiente mais usual é a atmosfera, é comum expressar a pressão em valores relativos à pressão da atmosfera e não em valores absolutos.
Assim, a
pressão relativa (ou
pressão manométrica) de um espaço é a diferença entre a sua pressão absoluta e a pressão da atmosfera.
Considerando um local de pressão atmosférica normal (101,325 kPa ou 101 kPa aproximados), a Figura 01 mostra uma comparação gráfica.
A maioria dos manômetros práticos indica pressão relativa, mas várias fórmulas de cálculo exigem valores absolutos. Portanto, alguma atenção é aconselhável.
Variação de pressão
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A relação entre a pressão p de um fluido e a altura z é dada por:
#A.1#
Onde γ é o peso específico do fluido (
= ρ g, onde ρ é massa específica e g aceleração da gravidade). Se esse peso específico é constante, a equação diferencial pode ser resolvida com uma simples integração:
p = −γ z + C #A.2#
Onde C é uma constante, em geral uma pressão inicial na referência de altura.
Rearranjando a igualdade #A.2# e considerando pressões em dois pontos, a constante é eliminada:
#B.1#
De outra forma,
Δp = −γ Δz #B.2#
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| Figura 01 |
Exemplo: na Figura 01, a pressão p
A é a da atmosfera (= 0 relativo). Determinar as pressões em B e em C.
Segundo #B.2#,
p
B − p
A = − 7,85 10
3 (−0,9 − 0). Portanto, p
B ≈ 7,07 kPa
Para a parte de água,
p
C − p
B = − 9,81 10
3 (− 2,1) ≈ 20,6 kPa
Portanto, p
C ≈ 20,6 + 7,07 = 27,67 kPa
Todos as pressões calculadas são relativas.
Esforços em superfícies submersas
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Na Figura 01, considera-se uma porção genérica de área S da parede de um reservatório, inclinada de α em relação à horizontal.
A representação adotada é um rebatimento da parede no plano frontal. Assim, na realidade, o eixo X está na superfície do líquido, onde a pressão (relativa) é supostamente nula.
C é o
centróide da superfície (ou centro de gravidade, no conceito prático). P é o ponto de atuação da resultante das forças de pressão.
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| Figura 01 |
A magnitude da força
F atuante no ponto P é dada por:
F = pc S = γ yc sen α S #A.1#
Onde γ é o peso específico do líquido.
A coordenada y
p do ponto P de aplicação dessa força é:
#B.1#
Onde J
xc é o
momento de inércia da superfície S em relação ao eixo XC, que passa pelo centróide.
Da relação #B.1#, pode-se concluir que
yp ≈ yc para grandes profundidades (y
c grande).
Exemplo: Conforme Figura 02, um reservatório de água, peso específico 9,81 kN/m
3, tem um tubo de saída com uma tampa articulada em A, formando uma elipse com AB = 5 m. Determinar a força F, aplicada em B, necessária para abrir a tampa.
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| Figura 02 |
A simetria da elipse permite concluir que o centróide C está a uma profundidade
8 + 4/2 = 10 m. Portanto, na relação #A.1#,
yc sen α = 10 m
Área da elipse S = π 2,5 2 ≈ 15,7 m2
Segundo #A.1#, a força F
p devido à pressão na superfície inclinada é
Fp = 9,81 103 10 15,7 ≈ 1540 kN
Ela deve atuar em P, abaixo de C.
O momento de inércia de uma elipse em relação a XC da Figura 01 é
(1/4) π a3 b. Onde a é o raio perpendicular e b é o raio ao logo desse eixo. Portanto, para este caso,
Jxc = (1/4) π 2,53 2 ≈ 24,5 m4
É preciso determinar y
c para aplicação da relação #B.1#. Notar que não é a profundidade de C, mas a distância na direção BA até a superfície da água. Da semelhança de triângulos, pode-se concluir que, de A até a superfície, são 10 m. Portanto,
yc = 10 + 2,5 = 12,5 m. Aplicando #B.1#,
CP = yp − yc = Jxc / (yc S) = 24,5 / (12,5 15,7) ≈ 0,125 m
Usando a condição de equilíbrio da soma nula dos momentos em A,
F AB = Fp (AC + CP)
F 5 = 1540 (2,5 + 0,125)
F = 808,5 kN
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| Figura 03 |
Exemplo: o reservatório de água da Figura 03 tem supostamente largura de 1 metro na direção perpendicular ao plano da imagem.
Determinar a força de reação F
R da parte curva, com perfil em forma de setor circular.
Esse problema poderia ser resolvido por integração das forças de pressão ao longo da superfície curva. Entretanto, é mais fácil adotar o procedimento conforme Figura 04 (a), isto é, isolar a porção de líquido com o perfil da seção e comprimento 1 metro.
As forças atuantes devido ao fluido são as forças de pressão nas superfícies superior e lateral, F
V e F
H.
Há também a força F
W correspondente ao peso da porção de líquido. E a reação F
R deve ser oposta à resultante dessas três forças.
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| Figura 04 |
Para a força F
H, a superfície lateral tem 2 × 1 = 2 m
2. Na aplicação da relação #A.1#, notar que o centróide é o ponto D da Figura 04 e não C. O valor é y
D = 4 + 1 = 5 m. Assim,
FH = 9,81 103 5 sen 90 2 = 98,1 kN
Aplicando a fórmula do momento de inércia de um retângulo em relação ao eixo horizontal que passa pelo centróide D,
JD = 1 23 / 12 ≈ 0,67
Usando agora a fórmula #B.1#,
yC = 5 + 0,67 / (5 2) = 5,067 m
Assim,
EC = 5,067 − 4 = 1,067 m
Desde que a superfície é horizontal, a força F
V é a pressão no nível multiplicada pela área:
FV = 9,81 103 4 2 ≈ 78,5 kN
Naturalmente, a ação é no centróide do retângulo e
EH = 1 m
A força F
W é dada pelo peso específico multiplicado pelo volume de líquido:
FW = 9,81 102 (1/4) π 22 1 ≈ 30,8 kN
A ação de F
W está no centro de gravidade da seção, que, para material homogêneo como este caso, equivale ao centróide. Segundo página
Seções planas I-12,
EF = 4 R / (3 π) = 4 2 / (3 π) ≈ 0,85 m
Em (b) da Figura 04, F
1 é a resultante de F
W e F
V. A posição da linha de ação (distância EG) é calculada por:
EG = (EF FW + EH FV) / (FW + FV) = (0,85 30,8 + 1 78,5) / (30,8 + 78,5) ≈ 0,96
E o valor é a soma
F1 = FW + FV = 30,8 + 78,5 = 109,3 kN
Com os valores de F
H e F
1, o módulo de F
R é calculado de acordo com as regras da soma vetorial de dois vetores perpendiculares entre si:
FR = √(98,12 + 109,32) ≈ 146,9 kN
A inclinação é
φ = tan−1 (−109,3/98,1) ≈ 132°
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Última revisão ou atualização: Jun/2008