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Fluidos I-20



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Pressão absoluta e pressão relativa

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Pressão absoluta e pressão relativa
Figura 01
Um espaço completamente vazio tem naturalmente pressão nula, constituindo um vácuo total ou zero absoluto de pressão.

Desde que o ambiente mais usual é a atmosfera, é comum expressar a pressão em valores relativos à pressão da atmosfera e não em valores absolutos.

Assim, a pressão relativa (ou pressão manométrica) de um espaço é a diferença entre a sua pressão absoluta e a pressão da atmosfera.

Considerando um local de pressão atmosférica normal (101,325 kPa ou 101 kPa aproximados), a Figura 01 mostra uma comparação gráfica.

A maioria dos manômetros práticos indica pressão relativa, mas várias fórmulas de cálculo exigem valores absolutos. Portanto, alguma atenção é aconselhável.



Variação de pressão

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A relação entre a pressão p de um fluido e a altura z é dada por:

#A.1#

Onde γ é o peso específico do fluido (= ρ g, onde ρ é massa específica e g aceleração da gravidade). Se esse peso específico é constante, a equação diferencial pode ser resolvida com uma simples integração:

p = −γ z + C  #A.2#

Onde C é uma constante, em geral uma pressão inicial na referência de altura.

Rearranjando a igualdade #A.2# e considerando pressões em dois pontos, a constante é eliminada:

#B.1#

De outra forma,

Δp = −γ Δz  #B.2#

Exemplo de hidrostática
Figura 01
Exemplo: na Figura 01, a pressão pA é a da atmosfera (= 0 relativo). Determinar as pressões em B e em C.

Segundo #B.2#,

pB − pA = − 7,85 103 (−0,9 − 0). Portanto, pB ≈ 7,07 kPa

Para a parte de água,

pC − pB = − 9,81 103 (− 2,1) ≈ 20,6 kPa

Portanto, pC ≈ 20,6 + 7,07 = 27,67 kPa

Todos as pressões calculadas são relativas.



Esforços em superfícies submersas

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Na Figura 01, considera-se uma porção genérica de área S da parede de um reservatório, inclinada de α em relação à horizontal.

A representação adotada é um rebatimento da parede no plano frontal. Assim, na realidade, o eixo X está na superfície do líquido, onde a pressão (relativa) é supostamente nula.

C é o centróide da superfície (ou centro de gravidade, no conceito prático). P é o ponto de atuação da resultante das forças de pressão.

Esforços em superfícies planas
Figura 01
A magnitude da força F atuante no ponto P é dada por:

F = pc S = γ yc sen α S  #A.1#

Onde γ é o peso específico do líquido.

A coordenada yp do ponto P de aplicação dessa força é:

#B.1#

Onde Jxc é o momento de inércia da superfície S em relação ao eixo XC, que passa pelo centróide.

Da relação #B.1#, pode-se concluir que yp ≈ yc para grandes profundidades (yc grande).


Exemplo: Conforme Figura 02, um reservatório de água, peso específico 9,81 kN/m3, tem um tubo de saída com uma tampa articulada em A, formando uma elipse com AB = 5 m. Determinar a força F, aplicada em B, necessária para abrir a tampa.

Exemplo de força em superfície submersa
Figura 02
A simetria da elipse permite concluir que o centróide C está a uma profundidade 8 + 4/2 = 10 m. Portanto, na relação #A.1#,

yc sen α = 10 m
Área da elipse S = π 2,5 2 ≈ 15,7 m2

Segundo #A.1#, a força Fp devido à pressão na superfície inclinada é

Fp = 9,81 103 10 15,7 ≈ 1540 kN

Ela deve atuar em P, abaixo de C.

O momento de inércia de uma elipse em relação a XC da Figura 01 é (1/4) π a3 b. Onde a é o raio perpendicular e b é o raio ao logo desse eixo. Portanto, para este caso,

Jxc = (1/4) π 2,53 2 ≈ 24,5 m4

É preciso determinar yc para aplicação da relação #B.1#. Notar que não é a profundidade de C, mas a distância na direção BA até a superfície da água. Da semelhança de triângulos, pode-se concluir que, de A até a superfície, são 10 m. Portanto,

yc = 10 + 2,5 = 12,5 m. Aplicando #B.1#,

CP = yp − yc = Jxc / (yc S) = 24,5 / (12,5 15,7) ≈ 0,125 m

Usando a condição de equilíbrio da soma nula dos momentos em A,

F AB = Fp (AC + CP)
F 5 = 1540 (2,5 + 0,125)

F = 808,5 kN

Exemplo de forças em áreas submersas
Figura 03
Exemplo: o reservatório de água da Figura 03 tem supostamente largura de 1 metro na direção perpendicular ao plano da imagem.

Determinar a força de reação FR da parte curva, com perfil em forma de setor circular.

Esse problema poderia ser resolvido por integração das forças de pressão ao longo da superfície curva. Entretanto, é mais fácil adotar o procedimento conforme Figura 04 (a), isto é, isolar a porção de líquido com o perfil da seção e comprimento 1 metro.

As forças atuantes devido ao fluido são as forças de pressão nas superfícies superior e lateral, FV e FH.

Há também a força FW correspondente ao peso da porção de líquido. E a reação FR deve ser oposta à resultante dessas três forças.

Diagrama de forças
Figura 04
Para a força FH, a superfície lateral tem 2 × 1 = 2 m2. Na aplicação da relação #A.1#, notar que o centróide é o ponto D da Figura 04 e não C. O valor é yD = 4 + 1 = 5 m. Assim,

FH = 9,81 103 5 sen 90 2 = 98,1 kN 

Aplicando a fórmula do momento de inércia de um retângulo em relação ao eixo horizontal que passa pelo centróide D,

JD = 1 23 / 12 ≈ 0,67

Usando agora a fórmula #B.1#, yC = 5 + 0,67 / (5 2) = 5,067 m

Assim, EC = 5,067 − 4 = 1,067 m

Desde que a superfície é horizontal, a força FV é a pressão no nível multiplicada pela área:

FV = 9,81 103 4 2 ≈ 78,5 kN

Naturalmente, a ação é no centróide do retângulo e EH = 1 m

A força FW é dada pelo peso específico multiplicado pelo volume de líquido:

FW = 9,81 102 (1/4) π 22 1 ≈ 30,8 kN

A ação de FW está no centro de gravidade da seção, que, para material homogêneo como este caso, equivale ao centróide. Segundo página Seções planas I-12,

EF = 4 R / (3 π) = 4 2 / (3 π) ≈ 0,85 m

Em (b) da Figura 04, F1 é a resultante de FW e FV. A posição da linha de ação (distância EG) é calculada por:

EG = (EF FW + EH FV) / (FW + FV) = (0,85 30,8 + 1 78,5) / (30,8 + 78,5) ≈ 0,96

E o valor é a soma F1 = FW + FV = 30,8 + 78,5 = 109,3 kN

Com os valores de FH e F1, o módulo de FR é calculado de acordo com as regras da soma vetorial de dois vetores perpendiculares entre si:

FR = √(98,12 + 109,32) ≈ 146,9 kN

A inclinação é φ = tan−1 (−109,3/98,1) ≈ 132°


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