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Análise dimensional A0



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Similaridade

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Esse conceito é bastante intuitivo na prática, como pode ser visto nos polígonos (a) e (b) da Figura 01. Eles não são iguais nem regulares, mas têm o mesmo número de vértices e os ângulos são os mesmos em cada. Nessa condição, ocorre a similaridade geométrica, ou seja, um objeto tem a mesma forma do outro, mas reduzida ou ampliada por um fator de escala.

Polígonos semelhantes
Figura 01
O uso de modelos em escala reduzida no estudo de fenômenos físicos ou em projetos de Engenharia é um artifício importante, que economiza tempo e recursos financeiros.

Evidentemente, a similaridade geométrica entre o modelo e o protótipo é condição necessária, mas não é suficiente. É também necessária a similaridade dinâmica para que o fenômeno físico do modelo represente o mesmo fenômeno no protótipo.

Segundo o Teorema de Buckingham (teorema dos πs), um fenômeno físico genérico pode ser dado em função de parâmetros adimensionais:

Π1 = Φ(Π2, ..., Πn−k #A.1#

As grandezas Π2, ..., Πn−k são também denominadas parâmetros de similaridade. Assim, para que o modelo represente o protótipo, os fenômenos devem ter esses valores iguais:

2)modelo = (Π2)protótipo, (Π3)modelo = (Π3)protótipo, ...  #B.1#

E o resultado também é similar:

1)modelo = (Π1)protótipo  #B.2#



Exemplo: perda de pressão

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De acordo com a Equação de Darcy-Weisbach é possível escrever a perda de pressão do escoamento laminar em uma tubulação na forma de grandezas adimensionais:

#A.1#. Onde:

#A.2# (número de Reynolds)

c  velocidade
Δp  perda de pressão
D  diâmetro di tubo
η  viscosidade dinâmica do fluido
ℓ  comprimento do tubo
ρ  massa específica do fluido

Supõe-se que será construído um modelo em escala 1:10 para um projeto de uma tubulação para óleo, com ℓ = 100 m, D = 0,25 m e velocidade do escoamento c = 0,5 m/s. Determinar a velocidade que o mesmo líquido deve ter no modelo para obter a similaridade dinâmica. Se, no ensaio, o modelo apresentou uma perda de pressão de 1000 kPa com essa velocidade, determinar a perda na tubulação projetada.

Na escala do modelo, a relação ℓ/D de #A.1# é preservada. Deve-se agora analisar o número de Reynolds:

(cDρ/η)modelo = (cDρ/η)projeto

Desde que o fluido é o mesmo, ρ e η podem ser eliminados. Assim,

(cD)modelo = (cD)projeto

cmodelo D/10 = 0,5 D. Portanto, cmodelo = 5 m/s

Igualando o termo do lado esquerdo de #A.1#,

[Δp/(c2 ρ)]modelo = [Δp/(c2 ρ)]projeto

1000 / 25 = Δp / 0,25. Portanto, Δp = 10 kPa para a tubulação projetada.



Parâmetros adimensionais

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A tabela a seguir lista algumas grandezas adimensionais comuns que podem ser usadas em análises de similaridade.

Nome Fórmula Aproximação Observações
Número de Euler (força de pressão) / (força inercial) Casos comuns de escoamentos
Número de Freude (força inercial) / (força da gravidade) Escoamentos livres (ação da gravidade)
Número de Mach (força inercial) / (força de compressão) Escoamentos compressíveis
Número de Reynolds (força inercial) / (força de viscosidade) Escoamentos internos, influência da camada-limite
Número de Strouhal (força centrífuga) / (força inercial) Escoamentos com repetições periódicas
Número de Weber (força inercial) / (força superficial) Influência da tensão superficial

c  velocidade
D  diâmetro
Δp  diferença de pressão
η  viscosidade dinâmica
g  aceleração da gravidade
ℓ  comprimento característico
ρ  massa específica
σ  tensão superficial
ω  freqüência angular


Exemplo: deseja-se analisar o efeito de ondas com velocidade c = 10 m/s em um navio de comprimento ℓ = 100 m por meio de um modelo de comprimento ℓ' = 4 m. Determinar a velocidade c' para as ondas nesse modelo.

Usando o número de Freude,

Fr = c / √(ℓ g) = c' / √(ℓ' g). Substituindo os valores,

10 / √(100 g) = c' / √(4 g). Resolvendo, c' = 2 m/s


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