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Semicondutores I-20: princípios básicos



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Impurezas

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Conforme já dito, a capacidade de um átomo de se combinar com outros depende do número de elétrons de valência. A combinação só é possível quando este é menor que 8. Elementos com 8 elétrons de valência não se combinam. São estáveis e inertes.

Considera-se agora o silício, que é o semicondutor mais usado, dispondo de 4 elétrons de valência.

Ilustração simplificada da estrutura cristalina do silício
Figura 01
No estado puro, cada par de elétrons de átomos distintos forma a chamada ligação covalente, de modo que cada átomo fica no estado mais estável, isto é, com 8 elétrons na camada externa.

O resultado é uma estrutura cristalina homogênea conforme Figura 01. Na realidade é tridimensional. Está assim mostrada por questão de simplicidade.

Até agora, nada de novo. O material continua um semicondutor. Entretanto, quando certas substâncias, denominadas impurezas, são adicionadas, as propriedades elétricas são radicalmente modificadas.

Se um elemento como o antimônio, que tem 5 elétrons de valência, for adicionado e alguns átomos deste substituírem o silício na estrutura cristalina, 4 dos 5 elétrons irão se comportar como se fossem os de valência do silício e o excedente será liberado para o nível de condução (Figura 02).

Semicondutor tipo n
Figura 02
O cristal irá conduzir e, devido à carga negativa dos portadores (elétrons), é denominado semicondutor tipo n.

Notar que o material continua eletricamente neutro, pois os átomos têm o mesmo número de prótons e elétrons. Apenas a distribuição de cargas muda, de forma a permitir a condução.

Agora a situação inversa conforme Figura 03: uma impureza com 3 elétrons de valência (alumínio, por exemplo) é adicionada.

Semicondutor tipo p
Figura 03
Alguns átomos de silício irão transferir um elétron de valência para completar a falta no átomo da impureza, criando um buraco positivamente carregado no nível de valência e o cristal será um semicondutor tipo p, devido à carga positiva dos portadores (buracos).



Junção PN (diodo de junção)

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Se um semicondutor tipo P é posto junto de um semicondutor tipo N, na região de contato, denominada junção, há formação de uma barreira de potencial.

Junção PN (diodo de junção)
Figura 01
No estado normal, o semicondutor é eletricamente neutro, pois os átomos tanto do semicondutor quanto da impureza têm iguais números de elétrons e prótons.

Na junção, os elétrons portadores da parte N tendem a ocupar buracos na parte P, deixando esta última com um potencial negativo e a parte N com um potencial positivo, formando a barreira potencial Vo. Assim, a polaridade da barreira de potencial mantém os elétrons na parte N e os buracos na parte P (Figura 01 A).

Se um potencial externo V > Vo for aplicado conforme Figura 01 B, o potencial de barreira será quebrado e a corrente será elevada, pois existem muitos elétrons em N. Diz-se então que a junção está diretamente polarizada.

No caso da junção inversamente polarizada, Figura 01 C, o potencial de barreira será aumentado, impedindo ainda mais a passagem de elétrons e a corrente será pequena.

Curva característica típica de um didodo de junção
Figura 02
Esse conjunto, denominado diodo de junção, funciona como um retificador. Na Figura 02, uma curva típica (não em escala) e o seu símbolo elétrico.

Notar que, acima de um pequeno valor de polarização direta, a corrente aumenta significativamente. A expressão matemática é:

I = I0 (eeV/kT − 1). Onde:

I0: corrente de saturação.

e: carga do elétron.
k: constante de Boltzmann.
T: temperatura absoluta.

A polarização inversa tem limite. Acima de um determinado valor ocorre um efeito de ruptura, quebrando a barreira de potencial e a corrente sobe quase na vertical. Esse fenômeno é usado, por exemplo, em diodos reguladores de tensão (diodos zener)

Curva característica de um diodo túnel
Figura 03
A Figura 03 mostra a parte inicial da polarização direta de um diodo no qual a concentração de impurezas nas partes P e N é muito grande.

Nessa condição, a região efetiva de junção é muito estreita e alguns elétrons podem pular a barreira de potencial, resultando em diminuição da corrente com o aumento da tensão em uma determinada faixa.

O fenômeno é denominado efeito túnel e diodos assim construídos são ditos diodos túnel.

Diodos túnel são componentes muito úteis para circuitos osciladores simples e de alta freqüência.



Junção NPN e PNP (transistor de junção)

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Um dispositivo formado por duas junções PN contrapostas conforme Figura 01 (a) deste tópico, se adequadamente polarizado e construído segundo alguns critérios, tem a função de amplificador e é denominado transistor de junção NPN.

• A junção base-emissor é polarizada diretamente pela fonte Vbe.

• A junção base-coletor é polarizada inversamente pela fonte Vce.

• Vce é significativamente maior que Vbe. Exemplo: 6V e 1V.

Junção NPN e PNP
Figura 01
A base é fisicamente delgada e tem uma concentração de impurezas menor que os semicondutores N do emissor e coletor. Nessa forma, o fluxo de elétrons vindo do emissor tem pouca probabilidade de combinação com os buracos na junção da base para formar Ib e a maior parte rompe a polarização inversa da junção base-coletor devido ao campo elétrico maior de Vce. Ou seja, a polarização base-emissor atua como um acelerador do fluxo e controla a corrente Ic, fazendo o efeito da amplificação.

Pelo circuito, pode-se concluir que Ie = Ib + Ic.

Em componentes reais, Ib pode ser 5% ou menos de Ie e Ic pode ser 95% ou mais de Ie, ou seja, a amplificação é considerável.

Na parte esquerda superior da figura, o símbolo normalmente usado para esse componente.

Um parâmetro usual para o transistor é o fator de corrente α, que é a relação entre as correntes de coletor e emissor. Assim,

α = Ic/Ie ou Ic = α Ie. Como Ib é pequena, o fator α é próximo da unidade. E ocorre também:

Ib = Ie − Ic = Ie − α Ie = (1 − α) Ie.

E o ganho de corrente β é dado por β = Ic/Ib = α / (1 − α).

No transistor de junção PNP, os tipos de semicondutores são invertidos em relação ao NPN (coletor e emissor são semicondutores tipo P e base é tipo N). A operação é similar, com inversão dos portadores de cargas e tensões de polarização de sinais contrários aos da Figura 01 (a). Símbolo conforme (b) da mesma figura.



Junção PNPN

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Um dispositivo com duas junções de silício PN conforme Figura 01 abaixo é denominado retificador controlado de silício (sigla SCR, do nome em inglês).

Junção PNPN (retificador controlado de silício - SCR)
Figura 01
Notar que, no circuito dado, as junções externas são polarizadas diretamente e a central, inversamente.

Ele pode ser considerado como a combinação de um transistor NPN com um PNP conforme indicado.

Aplicando a lei de Kirchhoff em c, por exemplo,

Ic = αa Ia + αc Ic.

Para todo o conjunto:

Ic = Ip + Ia.

Resolvendo, Ic = − αa Ip / (1 − αa − αc).

Se a soma dos fatores de corrente de ambos os transistores for próxima de 1, a corrente Ic será muito grande em relação a Ip, o que ocorre na prática. Os valores de Ip são realmente muito baixos e, uma vez iniciada a condução, Ip pode ser reduzido a zero pois o dispositivo conserva a polarização, mantendo a condução.

Esses dispositivos são bastante utilizados no o controle de cargas de alta potência, como rotação de motores de corrente contínua, resistências de aquecimento, etc.



Unijunção

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Transistor de unijunção
Figura 01
Uma barra semicondutora tipo N com dois contatos B1 e B2 e uma junção P conforme Figura 01 deste tópico forma um transistor de unijunção.

Na altura da junção P haverá uma tensão na barra que dependerá da sua resistência ôhmica e de Vb.

Enquanto Ve for menor que essa tensão, a junção do emissor está inversamente polarizada e, portanto, a corrente é nula ou próximo disso.

Se Ve aumenta de forma que a junção fica diretamente polarizada, haverá um fluxo de portadores entre o emissor e base B1 e a corrente aumenta mesmo que Ve diminua.

Isso dá ao dispositivo uma característica de resistência negativa, conforme indicado no gráfico da parte inferior da figura.



Efeito de campo

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Transistor de efeito de campo
Figura 01
Um transistor de efeito de campo (FET, do nome em inglês) tem uma construção conforme Figura 01. Uma barra de semicondutor tipo N é envolta por um material tipo P, formando uma junção PN denominada porta.

Os contatos nas extremidades são chamados de fonte e dreno.

A junção da porta é inversamente polarizada, o que resulta em corrente quase nula por ela, mas o campo elétrico forma um canal na barra que controla a passagem dos portadores. Assim, a tensão aplicada na porta controla a corrente entre fonte e dreno.

Como a porta é polarizada inversamente, a sua resistência de entrada é bastante alta, o que é conveniente para muitas aplicações.

O exemplo da figura é um FET com canal tipo N, mas pode perfeitamente ser tipo P, sendo, neste caso, a porta tipo N e, naturalmente, invertidas as tensões aplicadas (o símbolo tem o sentido da seta invertido).

Em muitos diagramas é comum o uso das iniciais em inglês para fonte, dreno e porta (Source, Drain, Gate).



MOSFET

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MOSFET canal N
Figura 01
Um efeito semelhante ao anterior pode ser obtido com a porta totalmente isolada do canal. Esse dispositivo, que usa uma camada de óxido para a isolação da porta, é denominado MOSFET.

A Figura 01 ao lado dá o esquema de dois tipos de MOSFET: em A, o de depleção e em B, o de reforço.

O primeiro opera de forma similar ao anterior. No MOSFET de reforço, uma tensão positiva aplicada na porta repele os buracos no substrato P e a camada superficial tende a se tornar N e a corrente flui entre fonte e dreno, controlada pelo potencial positivo da porta.

O símbolo indicado é para o de canal N. Para o tipo de canal P, o sentido da seta é invertido.


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Termos de uso


Referências:

BROPHY, James J. Basic Electronics for Scientists. USA: McGraw-Hill, 1977.
U. S. NAVY. Basic Electronics. Hemus, 1976.