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Efeito Piezelétrico I-10


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O fenômeno piezelétrico (ou piezoelétrico) foi descoberto no século 19, mas suas aplicações práticas só aconteceram com o desenvolvimento da eletrônica.

Componentes que operam com o efeito eram usados principalmente em osciladores e transdutores diversos em circuitos com válvulas termiônicas, mas as aplicações continuaram ou evoluíram e são encontrados nos aparelhos mais atuais, como televisores, computadores e outros.


Princípios

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No aspecto macroscópico, o princípio é simples: certos cristais, como o quartzo e também alguns materiais cerâmicos, geram um campo elétrico sob ação de um esforço mecânico e o processo inverso também ocorre.

Criatal piezelétrico gerando tensão elétrica a partir da tensão mecânica
Fig 01
Na Figura 01, um cristal piezelétrico tem eletrodos em faces opostas e sofre uma tensão mecânica de compressão.

Um potencial elétrico aparece entre os eletrodos e pode ser medido com um instrumento. Se o esforço for de tração, a polaridade será inversa.

No processo inverso (Figura 02), se um potencial elétrico é aplicado nos eletrodos, o cristal sofre uma tensão mecânica de compressão. Se a polaridade for invertida, o esforço mecânico também se inverte, ou seja, será de tração.

Cristal piezelétrico tensionado pela tensão elétrica
Fig 02
É evidente que o processo vale também para sinais não contínuos. Se, por exemplo, o cristal sofrer uma vibração, um sinal elétrico correspondente estará presente entre os eletrodos. Assim, o efeito pode ser usado em microfones e, na operação inversa, em fones de ouvido.

Em épocas anteriores aos CDs, havia também cápsulas piezelétricas para gerar o sinal de áudio correspondente àquele gravado mecanicamente nos discos de vinil.

Outro aspecto importante é a relação da freqüência do sinal aplicado com a freqüência de ressonância natural do cristal. O efeito tem a máxima intensidade quando ambas as freqüências são iguais. Osciladores e filtros a cristal operam por esse princípio.



Osciladores piezelétricos

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Osciladores são basicamente formados por um elemento ativo de amplificação, um circuito ressonante e uma realimentação positiva que faz a oscilação ocorrer de forma permanente. Nas próximas figuras, tipos comuns de osciladores (Hartley e Colpitts).

Oscilador tipo Hartley
Fig 01
No oscilador Hartley (Figura 01), a freqüência é determinada por L1, L2 e C e a realimentação é dada pelo conjunto L1/L2.

Oscilador tipo Colpitts
Fig 02
No oscilador Colpitts (Figura 02), a freqüência é definida por L, C1 e C2 e a realimentação é fornecida pelo conjunto C1/C2.

O circuito ressonante LC apresenta, entretanto, uma limitação prática: a estabilidade de freqüência é insuficiente para algumas aplicações. Um relógio, por exemplo, seria inviável se usasse, como base de tempo, pulsos fornecidos por um oscilador LC.

Circuito equivalente de um cristal piezelétrico
Fig 03
No circuito equivalente de um cristal (Figura 03), L, C e R dependem das propriedades do cristal e C1 é a capacitância entre os eletrodos.

Oscilador com cristal
Fig 04
No circuito da Figura 04, o cristal substitui L e C1 do oscilador Colpitts e determina a freqüência de operação (o indutor no coletor serve apenas para evitar retorno do sinal).

Ressonadores piezelétricos são produzidos para freqüências desde cerca de 100 kHz até muitos MHz.

Oscilador de sinal quadrado com cristal
Fig 05
Embora a freqüência, em princípio, seja fixa, podem, por exemplo, ser construídos com um diodo varicap em série, permitindo algum controle de freqüência por tensão.

Osciladores a cristal são estáveis. Circuitos adequadamente projetados podem ter estabilidade tão alta quanto 1 parte em 100 milhões.

Na Figura 05, um circuito típico para produzir um sinal quadrado para aplicações digitais, tendo, como elementos ativos, dois inversores lógicos.



Quartzo ou cerâmica?

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O material piezelétrico do elemento ressonante pode ser quartzo ou cerâmica. A Figura 01 deste tópico mostra curvas típicas da variação da impedância em função da freqüência.

Curvas características típicas de cerâmicas e cristais piezelétricos
Fig 01
Os valores f1 e f2 são respectivamente as freqüências de menor e maior impedância. A freqüência de ressonância está entre ambas.

O quartzo apresenta menor tolerância de freqüência, menor variação com a temperatura e menor capacitância própria e, por isso, é adequado para freqüências mais altas.

A cerâmica tem melhor resistência mecânica, menor volume e menor custo e é usada em muitos aplicações, onde as melhores características do quartzo não são determinantes.

Última atualização ou revisão: Nov/2007 Índice do grupo | Página anterior | Próxima página |
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© Marco Soares

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