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Transformadores elétricos I-30


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Indutância mútua |
 

Indutância mútua

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O conjunto das bobinas de N1 e N2 espiras da Figura 01 forma um transformador cujo núcleo não é representado. De forma genérica, é possível supor que os fluxos magnéticos que atravessam as bobinas não são necessariamente idênticos.

Para a bobina 1, pode ser considerado Φ1 = Φ11 + Φ12 #A.1#. Onde:

Φ1: fluxo total na bobina 1.
Φ11: fluxo na bobina 1 devido à corrente na bobina 1.
Φ12: fluxo na bobina 1 devido à corrente na bobina 2.

De acordo com a lei de Faraday, v1(t) = N11/dt = N111/dt + N112/dt #A.2#.

Segundo relações do eletromagnetismo, Φ11 = N1 i1 / Rm11 e Φ12 = N2 i2 / Rm12 #A.3#. Onde Rm11 e Rm12 são as relutâncias magnéticas dos caminhos percorridos pelos fluxos. Substituindo os valores em #A.2#,

v1(t) = (N12/Rm11) di1/dt + (N1 N2/Rm12) di2/dt #A.4#.

Desenvolvimento similar pode ser feito para o outro lado, chegando-se a

v2(t) = (N22/Rm22) di2/dt + (N1 N2/Rm21) di1/dt #A.5#.

Transformador e indutância mútua
Fig 01
Os termos (N12/Rm11) e (N22/Rm22) são as indutâncias de cada (L1, L2) e, neste caso, são denominadas auto-indutâncias #A.6#.

As expressões (N1 N2/Rm12) e (N1 N2/Rm21) também têm dimensão de indutância.

Supondo o meio linear,

Rm12 = Rm21 #B.1#.

Define-se então a indutância mútua M = (N1 N2/Rm12) = (N1 N2/Rm21) #B.2#.

E as igualdades #A.4# e #A.5# são escritas:

v1(t) = L1 di1/dt + M di2/dt #C.1# v2(t) = M di1/dt + L2 di2/dt #C.2#

Na representação com tensões e correntes complexas, são usadas as reatâncias indutivas:

V1 = (j ω L1) I1 + (j ω M) I2 #C.3# V2 = (j ω M) I1 + (j ω L2) I2 #C.4#


Determinação da indutância mútua

Das relações #B.2# e #A.3#, deduz-se M = N1 Φ12 / i2. A relação #A.3# para o outro lado foi omitida, mas é possível obter resultado similar M = N2 Φ21 / i1. Em geral, Φ12 = Φ21 = Φm. Portanto.

M = N1 Φm / i2 = N2 Φm / i1 #D.1#.

De #A.6# e #A.3# (com analogia para o outro lado) é possível deduzir

L1 = N1 Φ11 / i1 e L2 = N2 Φ22 / i2 #D.2#.

Supondo uma proporcionalidade Φm = k1 Φ11 = k2 Φ22 #D.3# e combinando com as igualdades anteriores

M2 = k1 k2 L1 L2. Unificando as constantes de proporcionalidade, obtém-se a indutância mútua em função das indutâncias dos enrolamentos:

M = k √(L1 L2) #E.1#.

Onde k é o coeficiente do acoplamento indutivo, que pode variar de 0 a 1. Transformadores com núcleo de ferro podem ter valores tão altos quanto 0,998. Números na faixa de 0,50 são típicos para transformadores sem núcleo (núcleo de ar).

Na prática, o valor de M (e, por conseqüência, o de k) pode ser obtido pela medição da indutância do primário e secundário em série, que deve ser L = L1 + L2 ± M. O sinal positivo ou negativo depende da ligação das bobinas em relação ao ponto (•) de referência (adição ou oposição de tensões).


Exemplo de circuito com indutância mútua
Fig 02
Exemplo numérico: determinar a tensão de saída Vx do circuito da Figura 02.

Aplicando a lei das tensões de Kirchhoff no lado primário,

2 I1 + V1 = 10. Substituindo V1 pelo valor dado em #C.3#,

(2 + j 2) I1 + j 2 I2 = 10.

Para o lado do secundário, (1 + 1) I2 = − V2. Substituindo V2 pelo valor de #C.4# e simplificando,

j 2 I1 + (2 + j 2) I2 = 0. Essa igualdade e a anterior formam um sistema de equações lineares cuja solução é

I1 ≈ 3,17 /_−18,4° A e I2 ≈ 2,24 /_−153,4° A. Portanto, Vx = 1 I2 ≈ 2,24 /_−153,4° V.

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