O conjunto das bobinas de N
1 e N
2 espiras da Figura 01 forma um transformador cujo núcleo não é representado. De forma genérica, é possível supor que os fluxos magnéticos que atravessam as bobinas não são necessariamente idênticos.
Para a bobina 1, pode ser considerado Φ
1 = Φ
11 + Φ
12 #A.1#. Onde:
Φ
1: fluxo total na bobina 1.
Φ
11: fluxo na bobina 1 devido à corrente na bobina 1.
Φ
12: fluxo na bobina 1 devido à corrente na bobina 2.
De acordo com a lei de Faraday, v
1(t) = N
1 dΦ
1/dt = N
1 dΦ
11/dt + N
1 dΦ
12/dt
#A.2#.
Segundo relações do eletromagnetismo, Φ
11 = N
1 i
1 / R
m11 e Φ
12 = N
2 i
2 / R
m12 #A.3#. Onde R
m11 e R
m12 são as relutâncias magnéticas dos caminhos percorridos pelos fluxos. Substituindo os valores em #A.2#,
v
1(t) = (N
12/R
m11) di
1/dt + (N
1 N
2/R
m12) di
2/dt
#A.4#.
Desenvolvimento similar pode ser feito para o outro lado, chegando-se a
v
2(t) = (N
22/R
m22) di
2/dt + (N
1 N
2/R
m21) di
1/dt
#A.5#.
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| Fig 01 |
Os termos (N
12/R
m11) e (N
22/R
m22) são as indutâncias de cada (L
1, L
2) e, neste caso, são denominadas
auto-indutâncias #A.6#.
As expressões (N
1 N
2/R
m12) e (N
1 N
2/R
m21) também têm dimensão de indutância.
Supondo o meio linear,
R
m12 = R
m21 #B.1#.
Define-se então a
indutância mútua M = (N1 N2/Rm12) = (N1 N2/Rm21) #B.2#.
E as igualdades #A.4# e #A.5# são escritas:
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v1(t) = L1 di1/dt + M di2/dt #C.1#
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v2(t) = M di1/dt + L2 di2/dt #C.2#
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Na representação com tensões e correntes complexas, são usadas as reatâncias indutivas:
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V1 = (j ω L1) I1 + (j ω M) I2 #C.3#
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V2 = (j ω M) I1 + (j ω L2) I2 #C.4#
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Determinação da indutância mútua
Das relações #B.2# e #A.3#, deduz-se M = N
1 Φ
12 / i
2. A relação #A.3# para o outro lado foi omitida, mas é possível obter resultado similar M = N
2 Φ
21 / i
1. Em geral, Φ
12 = Φ
21 = Φ
m. Portanto.
M = N
1 Φ
m / i
2 = N
2 Φ
m / i
1 #D.1#.
De #A.6# e #A.3# (com analogia para o outro lado) é possível deduzir
L
1 = N
1 Φ
11 / i
1 e L
2 = N
2 Φ
22 / i
2 #D.2#.
Supondo uma proporcionalidade Φ
m = k
1 Φ
11 = k
2 Φ
22 #D.3# e combinando com as igualdades anteriores
M
2 = k
1 k
2 L
1 L
2. Unificando as constantes de proporcionalidade, obtém-se a indutância mútua em função das indutâncias dos enrolamentos:
M = k √(L1 L2) #E.1#.
Onde k é o
coeficiente do acoplamento indutivo, que pode variar de 0 a 1. Transformadores com núcleo de ferro podem ter valores tão altos quanto 0,998. Números na faixa de 0,50 são típicos para transformadores sem núcleo (núcleo de ar).
Na prática, o valor de M (e, por conseqüência, o de k) pode ser obtido pela medição da indutância do primário e secundário em série, que deve ser L = L
1 + L
2 ± M. O sinal positivo ou negativo depende da ligação das bobinas em relação ao ponto (•) de referência (adição ou oposição de tensões).
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| Fig 02 |
Exemplo numérico: determinar a tensão de saída V
x do circuito da Figura 02.
Aplicando a lei das tensões de Kirchhoff no lado primário,
2 I
1 + V
1 = 10. Substituindo V
1 pelo valor dado em #C.3#,
(2 + j 2) I
1 + j 2 I
2 = 10.
Para o lado do secundário, (1 + 1) I
2 = − V
2. Substituindo V
2 pelo valor de #C.4# e simplificando,
j 2 I
1 + (2 + j 2) I
2 = 0. Essa igualdade e a anterior formam um sistema de equações lineares cuja solução é
I
1 ≈ 3,17 /_−18,4° A e I
2 ≈ 2,24 /_−153,4° A. Portanto, V
x = 1 I
2 ≈ 2,24 /_−153,4° V.