A existência de ondas eletromagnéticas foi provada pelas experiências do físico alemão Heinrich Hertz no final do século XIX. O propósito deste tópico não é a descrição dessas experiências, mas a demonstração matemática da possibilidade de existências dessas ondas conforme previsto por Maxwell através da análise das equações do eletromagnetismo, que podem ser vistas na tabela abaixo, repetida da página
Eletromagnetismo V-50.
| Lei de |
Forma integral |
Forma diferencial |
| Gauss p/ campo elétrico |
∫S E · u dS = q / e0 |
div E = ρe / ε0 |
| Gauss p/ magnetismo |
∫S B · u dS = 0 |
div B = 0 |
| Indução de Faraday |
∫ℓ E · dℓ = − d[∫S B · u dS ] / dt |
rot E = − ∂B / ∂t |
| Ampère-Maxwell |
∫ℓ B. dℓ = μ0ε0 d[ ∫S E · u dS ] / dt + μ0 ∫S j · u dS |
rot B = μ0ε0 ∂E / ∂t + μ0 j |
As igualdades dessa tabela podem ser consideradas um sistema de equações diferenciais que, em princípio, pode ter inúmeras soluções. No presente estudo, supõem-se algumas condições para um caso particular e verifica-se depois se é uma solução para o sistema de equações:
a) O espaço considerado é o vácuo e não há cargas nem correntes elétricas. Portanto,
• carga elétrica por unidade de volume nula ρ
e= 0.
• corrente elétrica por unidade de área nula
j = 0.
b) Os vetores de campo elétrico e magnético (
E e
B) são perpendiculares entre si e paralelos aos eixos de coordenadas conforme Figura 01 deste tópico.
• E
x = E
z = 0. Assim, E = E
y.
• B
x = B
y = 0. Assim, B = B
z.
Da primeira (div
E = ρ
e/ε
0) e segunda (div
B = 0) igualdades da tabela, ocorre ∂E / ∂y = 0 e ∂B / ∂z = 0.
Da terceira equação (rot
E = − ∂
B / ∂t),
(∂E
z / ∂y − ∂E
y / ∂z) + (∂E
x / ∂z − ∂E
z / ∂x) + (∂E
y / ∂x − ∂E
x / ∂y)= − ∂B / ∂t.
Desde que ∂E / ∂z = 0, tem-se ∂E / ∂x = − ∂B / ∂t
#A.1#.
De forma similar para a 4ª equação (lei de Ampère-Maxwell, rot
B = μ
0ε
0 ∂
E / ∂t + μ
0 j), lembrando que ∂B / ∂y = 0 porque B
y = 0,
∂B / ∂x = − μ
0ε
0 ∂E / ∂t
#B.1#.
Derivando a igualdade #A.1# em relação a x e a igualdade #B.1# em relação a t,
∂
2E / ∂x
2 = − ∂B
2 / ∂x∂t.
∂
2B / ∂x∂t = − μ
0ε
0 ∂
2E / ∂t
2.
Desde que o termo ∂B
2 / ∂x∂t é comum nas duas igualdades, elas podem ser unificadas:
∂
2E / ∂t
2 = (1 / μ
0ε
0) ∂
2E / ∂x
2 #C.1#.
Conforme pode ser visto em
Eletromagnetismo IV-10, essa é a equação diferencial de uma onda E(x, t) que se propaga na direção do eixo x com velocidade
c = (1 / μ
0ε
0)
1/2 #C.2#. Portanto, o campo elétrico se propaga ao longo de x com essa velocidade.
 |
| Fig 01 |
Se derivada a igualdade #A.1# em relação a t e #B.1# em relação a x, obtém-se:
∂
2B / ∂t
2 = (1 / μ
0ε
0) ∂
2B / ∂x
2 #D.1#.
Ou seja, o campo magnético também é uma onda que se propaga ao longo de x com a mesma velocidade anterior:
c = (1 / μ
0ε
0)
1/2 #D.2#.
O cálculo de c com os valores conhecidos de μ
0 e ε
0 resulta em cerca de 3 10
8 m/s, que é a velocidade da luz no vácuo.
Portanto, as condições estabelecidas no início deste tópico representam ondas de campos elétricos e magnéticos ortogonais, ou seja,
ondas eletromagnéticas.
Na mesma página citada (
Eletromagnetismo IV-10) pode ser visto que a forma usual para as equações #C.1# e #D.1# é:
E = E(x − c t)
#E.1#.
B = B(x − c t)
#E.2#.
 |
| Fig 02 |
Para o caso comum de ondas senoidais, pode-se usar as fórmulas da página mencionada:
E(x, t) = E
0 sen (2 π x/λ − ωt)
#F.1#.
B(x, t) = B
0 sen (2 π x/λ − ωt)
#F.2#.
Onde E
0 e B
0 são as amplitudes das senóides, λ o comprimento de onda e ω a freqüência angular (=2 π f). E vale a relação
ω = 2 π c / λ
#F.3#.
Na Figura 02, uma representação gráfica dos campos elétricos e magnéticos senoidais.
Os valores de E
0 e B
0 não podem ser quaisquer. Eles devem obedecer à igualdade #A.1# (ou #B.1#). Assim,
∂E / ∂x = [ 2 π E
0 / λ ] cos (2 π x/λ − ωt).
∂B / ∂t = − ω B
0 cos (2 π x/λ − ωt).
Desde que ∂E / ∂x = − ∂B / ∂t, tem-se 2 π E
0 / λ = ω B
0. Ou E
0 = (ω λ / 2 π) B
0. Como ω = 2 π c / λ,
 |
| Fig 03 |
E
0 = c B
0 #G.1#.
O desenvolvimento matemático aqui não é dado, mas se pode demonstrar que os valores instantâneos também obedecem à igualdade anterior, isto é,
E = c B
#H.1#.
A forma geométrica do caminho de oscilação do
campo elétrico E define a
polarização da onda eletromagnética.
Nos exemplos deste tópico (Figuras 01 e 02) a polarização é plana e vertical. Outras podem existir. Na
polarização circular da Figura 03, os vetores de campos giram à medida que avançam. Naturalmente, para essa polarização e outras, as formulações de E e B são diferentes das apresentadas.
Este tópico apresentou apenas a formulação teórica de uma onda eletromagnética. Aspectos outros, como geração, propriedades, considerações práticas etc, poderão ser inseridos em futuras atualizações.