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Eletromagnetismo V-20


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Lei de Gauss na forma diferencial

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Se uma superfície fechada S contém carga elétrica total q, então, segundo a lei de Gauss,

ε0 ΦE = q #A.1#. Onde ΦE é o fluxo de campo elétrico, que, por sua vez, é definido como

ΦE = ∫S E · dS #A.2#. Ou seja, é a integração do produto escalar dos vetores campo elétrico (E) e superfície infinitesimal dS.

Na igualdade acima, dS é um vetor de módulo dS e perpendicular à superfície infinitesimal. Também pode ser usado um vetor unitário u:

ΦE = ∫S E · u dS #A.3#.

Combinando as igualdades anteriores, S E . dS = q / ε0 #B.1#.

Para o desenvolvimento da forma diferencial, considera-se, conforme Figura 01, uma superfície fechada elementar em forma de paralelepípedo com arestas de comprimentos dx, dy e dz e, por simplicidade, paralelas aos eixos de coordenadas correspondentes.

Sejam duas faces opostas dSx1 e dSx2 ao longo do eixo x. A área de ambas é dada por dy dz.

Em dSx1, o vetor campo elétrico é E1 e o componente perpendicular é Ex1 (= E1 cos α1). E de forma similar para a superfície dSx2.

Desde que a superfície fechada considerada é elementar, é lícito supor que a diferença entre os componentes anteriores é a variação infinitesimal do campo elétrico ao longo do eixo x. Assim,

dEx = Ex2 − Ex1.

O valor de dEx não se altera se dividido e multiplicado por dx. Assim, dEx = (∂Ex/∂x) dx. E o fluxo de campo elétrico na direção x será esse valor multiplicado pela área (dy dz):

ΦEx = dEx dy dz= (∂Ex/∂x) dx dy dz.

Mas dx dy dz = dv (volume elementar). Portanto, o fluxo correspondente às duas superfícies em estudo é

ΦEx = (∂Ex/∂x) dv.

Superfície fechada elementar
Fig 01
Resultados similares são obtidos para os dois pares restantes de faces (ΦEy e ΦEz) e o fluxo total é dado por:

Φe = (∂Ex/∂x) dv + (∂Ey/∂y) dv + (∂Ez/∂z) dv.

Φe = [ (∂Ex/∂x) + (∂Ey/∂y) + (∂Ez/∂z) ] dv.

Conforme Lei de Gauss, o fluxo deve ser igual a

dq / ε0 (dq porque a superfície fechada considerada é elementar). Assim,

[ (∂Ex/∂x) + (∂Ey/∂y) + (∂Ez/∂z) ] dv = dq / ε0.

Ou, reagrupando, (∂Ex/∂x) + (∂Ey/∂y) + (∂Ez/∂z) = dq / (dv ε0).

A relação dq/dv é a carga elétrica por unidade de volume, usualmente conhecida como densidade de carga e simbolizada por ρe.

ρe = dq / dv #C.1#.

Portanto,

(∂Ex/∂x) + (∂Ey/∂y) + (∂Ez/∂z) = ρe / ε0 #D.1#.

Dos conceitos sobre campos e operadores vetoriais, pode ser deduzido que o lado esquerdo dessa igualdade é a divergência do campo e a Lei de Gauss pode ser expressa de modo bastante resumido na sua forma diferencial:

div E = ρe / ε0 #D.2#.

Significado físico

A divergência de um campo vetorial é uma função definida por um valor escalar em cada ponto. Considerando, por exemplo, um campo vetorial que representa o movimento de uma massa de água, um ponto de divergência não nula significa que água é adicionada ao sistema ou drenada do mesmo (fonte ou sumidouro). No caso do campo elétrico, a divergência não nula indica uma densidade de carga elétrica no ponto considerado, ou seja, cargas elétricas são fontes ou drenos de linhas de força.

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