Formulação estendida da lei de indução de Faraday |
Topo | Fim |
De acordo com a lei de Faraday, um campo magnético variável induz em uma espira uma força eletromotriz dada por
V
e= − dΦ
B / dt.
A força eletromotriz é uma tensão ou diferença de potencial elétrico. Isso sugere a existência de um campo elétrico
E ao longo da espira, conforme Figura 01.
Se uma carga elétrica q circula pela espira sob uma diferença de potencial V
e, o trabalho realizado é
W = V
e q, conforme definição de potencial elétrico.
Mas o trabalho também é dado pelo produto da força atuante (q E) pela distância percorrida (2 π R).
 |
| Fig 01 |
Assim, V
e q = q E 2 π R ou
V
e = E 2 π R.
O produto da intensidade do campo pelo comprimento da circunferência indica uma integração ao longo da espira do produto escalar dos vetores campo e deslocamento infinitesimal. Portanto, a lei de indução de Ampère pode ser escrita de forma mais genérica
∫ E · dℓ = − dΦB / dt #A.1#.
A simetria da questão sugere que um campo magnético com a mesma variação dΦ
B/dt em todos os pontos deve produzir um campo elétrico cujas linhas de força são circunferências concêntricas.
Campo magnético produzido por um campo elétrico |
Topo | Fim |
A formulação genérica da lei de Faraday leva a supor a ocorrência do processo inverso, isto é, um campo elétrico variável produz um campo magnético.
Na Figura 01 deste tópico, uma tensão linearmente variável com o tempo é aplicada nas placas do capacitor. O campo magnético induzido tem formato circular e pode ser verificado que vale:
 |
| Fig 01 |
∫ B · dℓ = μ0 ε0 dΦE / dt #A.1#.
De acordo com a lei de Ampère, uma corrente circulando por um condutor produz um campo magnético tal que
∫B · dℓ = μ0 i #B.1#.
Essas duas equações sugerem a existência de uma forma mais genérica:
∫B · dℓ = μ0 ε0 dΦE / dt + μ0 i #C.1#.
Pode-se, portanto, dizer que a formulação acima, descoberta por Maxwell, é uma generalização da lei de Ampère. Também denominada lei de Ampère-Maxwell.
É evidente que a existência das duas parcelas depende de cada caso. Na fórmula usual da lei de Ampère, só há a parcela μ
0 i porque apenas a corrente no condutor é considerada. Na Figura 01, essa parcela não existe, pois somente o campo entre as placas do capacitor é considerado.
O produto μ
0 i deve ter a mesma unidade física de μ
0 ε
0 dΦ
E / dt. Assim, ε
0 dΦ
E / dt tem unidade de corrente elétrica e pode ser nomeado
I = ε0 dΦE / dt #C.2#.
E a equação pode ser reescrita:
∫B · dℓ = μ0 ( I + i ) #D.1#.
A corrente I foi denominada
corrente de deslocamento, representando uma corrente que passa entre as placas do capacitor. Mas é algo virtual porque não há passagem de cargas elétricas no dielétrico de um capacitor ideal. Pode entretanto ser considerada uma continuidade da corrente i que passa pelos fios ligados às placas do capacitor. No dielétrico, essa corrente se transforma na corrente virtual de deslocamento.
Essa relação mútua entre campos elétricos e magnéticos é a base para a existência de ondas eletromagnéticas, ou seja, variações periódicas de campos que se propagam sem necessidade de meios materiais. Alguns conceitos podem ser vistos nas próximas páginas.